O desapego da colcha

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Ela foi escolhida minuciosamente. Combinava perfeitamente com a cama que eu acabara de comprar na mesma loja. E combinava perfeitamente com a decoração que eu ja imaginava para o pequeno apartamento que aluguei há poucos dias.

As paredes seriam coloridas. TODAS ELAS. O guarda roupa e a cômoda, também já comprados, eram de um azul turquesa, com pés de palito e estilo retrô. O banheiro minúsculo, o menor que ja vi na vida, seria preto e rosa.

Pensava em tudo: nas cortinas, nos quadros, nos pôsteres, no sofá cama para receber os amigos. E eu também pensava na vista aos domingos de manhã: prédios, um pub famoso e a Avenida Rebouças.

Pensava nas panelas e nos imãs que dariam charme à geladeira que ja estava la. Pensava no pé direito alto e nas luzes indiretas amareladas.

Devolvi tudo o que pude. Doei, presenteie, me livrei. Mas a roupa de cama viajou comigo.

Passei um ano com ela guardada no armário de minha mãe. Não me parecia certo usar em uma casa que ainda não era “A” minha casa.

E um ano depois, com alguns planos e muitas incertezas, cobri com ela a cama de casal de madeira maciça desenhada pelo meu pai quando eu tinha 15 anos.

Já acho até que a colcha combina com Salvador. Provavelmente a deixarei por aqui e terei belos sonhos com cheiro de maresia quando visitar a minha cidade. Desapeguei. Não sofri. Até gostei.

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