Pensamentos descontrolados, coração acelerado, estômago revirado. É mais ou menos por aí. Os ansiosos crônicos me entenderão. É difícil manter o foco, o equilíbrio e a sanidade quando a expectativa sobre alguma coisa, qualquer coisa, tira sua paz. Sou ansiosa com tudo, sobre tudo, por tudo. É saudável? Claro que não. Tento controlar? Claro que sim. Consigo? Aí já é outra história…

Em momentos de grandes mudanças o mundo parece seguir uma rotação diferente da minha. É como se tudo funcionasse em marcha lenta quando eu mais preciso de respostas imediatas. É uma urgência sem fim por tudo; é um buraco imenso, escuro e sem fundo (dramática, eu? jamais!).

Como ansiosa eu deveria optar por um estilo de vida mais estável. Sem grandes mudanças, sem grandes surpresas, sem grandes emoções. Faço o oposto. Mudo o tempo todo: de emprego, de casa, de cidade, de país. Tá, esse “o tempo todo” foi meio que licença poética, mas nos últimos anos passei por MUITAS mudanças e, consequentemente, muitas crises de ansiedade.

E agora estou prestes a mudar de novo. De começar tudo de novo, praticamente do zero. E aí vem o medo, o pânico, a insegurança, a incerteza. Não sou de roer as unhas e nem tenho grandes vícios (TV, talvez?). A ansiedade tem sido descontada toda na comida, o que é um problema.

Seria tão melhor se, estando ansiosa, eu escrevesse descontroladamente, ou ficasse obcecada por aprender a cozinhar, ou pintar, ou costurar, ou ler, ou correr, ou nadar. Mas não; eu como. E engordo. E fico ansiosa pelo peso e pela saúde. E pelas mudanças. E pela vida.

Todas as vezes que converso com meu pai ele se despede de mim com duas e irritantes palavras: “atitude zen”. Só de pensar em “que diabos significa isso?” e “que diabos eu deveria fazer para virar zen?” já fico ansiosa. Sou um caso perdido?

Anúncios