As várias formas de amar

Beginners1

Em tempos de intolerância, preconceito, violência e grandes batalhas contra tudo isso, finalmente assisti a um filme que há muito tempo tentava ver sem grande sucesso.

Beginners, que numa tradução literal seria “Iniciantes” mas algum fã de Lulu Santos o batizou como Toda Forma de Amor, é incrível. Lançado em 2010, ele foi responsável por encher a prateleira do veterano Christopher Plummer de prêmios – incluindo um Oscar de ator coadjuvante.

Dirigido por Mike Mills, que se inspirou em sua própria história para escrever o roteiro, Beginners acompanha a vida de um desenhista interpretado pelo lindo e ruivo Ewan McGregor. Com a morte do pai (Plummer), Oliver, que claramente não é uma pessoa que consegue demonstrar seus sentimentos, relembra fragmentos da infância e da época em que, após 44 anos de casado e da morte da esposa, Hal, o pai, assume que é gay.

A partir daí acompanhamos de forma linda, sensível e sutil através do olhar do filho, muito participativo e sem qualquer tipo de preconceito ou dor, essa mudança de vida do pai que transforma completamente o seu mundo. Hal muda o guarda-roupa, os lugares que frequenta, arruma novos amigos e até mesmo um namorado. É incrível e, como citei acima, perfeito para ser mostrado ao universo como exemplo de que, essa forma de amor – será que a pessoa do título pensou nisso? – deve ser aceita de maneira natural, afinal, é pura e simplesmente AMOR.

Como não existe uma linearidade temporal no filme, descobrimos ao mesmo tempo diferentes aspectos e momentos importantes da vida de Oliver. Sua infância com um pai ausente e uma mãe meio louca; a “saída do armário” e descoberta da doença de Hal; o início de uma paixão com a atriz francesa Anna (interpretada pela linda Mélanie Laurent, a Shosanna de Bastardos Inglórios) e, por fim, o carinho e dependência entre Oliver e Arthur, o cachorro de Hal que passou a morar com ele após a morte do dono.

Essa relação entre Oliver e Arthur é deliciosa. Em um momento solitário e de grande sofrimento onde os dois precisam fazer companhia um ao outro, eles estabelecem diálogos que podem ser pensamentos de Arthur traduzidos na tela ou simplesmente a imaginação de Oliver dando palavras para o seu novo companheiro.

Uma das coisas de que mais gostei do filme, além da trilha sonora, é o recurso de imagens antigas e narração rápida por parte do personagem principal para situar a temporalidade e o mundo de onde cada um dos outros personagens veio, mas de forma bem generalista e básica. Além das ilustrações bacanudas feitas por ele em seu local de trabalho. Até porque, Oliver é extramente interessante. Só alguém muito interessante iria para uma festa à fantasia vestido de Freud.

Assisti a Beginners no Telecine Touch e recomendo que você, se ainda não viu, dê um jeito de levar essas histórias de amor para a sua vida.

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