Paloma Guedes

De tudo um pouco sobre o penso, o que faço, o que falo…

Deixe a tristeza chegar — 16/07/2015

Deixe a tristeza chegar

sadnessUma das coisas que mais gostei de Inside Out* (Divertida Mente, em português), animação da Pixar que vi há pouco tempo no cinema, foi a importância dada para a tristeza. Achei o filme todo fofo, engraçado e inteligente. Mas, principalmente por ser feito para crianças e adolescentes, acho simplesmente genial deixar claro que sim, você tem que ser feliz mas também é importante se permitir ser triste.

Porque, convenhamos, existe uma pressão de “felicidade extrema” muito cruel, principalmente quando você é adolescente e que não passa na fase adulta.

Eu acho de uma superficialidade imensa amizades baseadas em animação de boteco. Tá, serei menos radical: amizades superficiais de boteco são legais para aquele momento ali; é muito fácil ser amigo quando todo mundo enche a cara, dá risada e abraça a garrafa de cerveja junto.

Mas naquele momento de dor que às vezes demora para passar e você só precisa que alguém segure sua mão e te passe a reconfortante sensação de que estará ali quando você precisar, com paciência, uma panela de brigadeiro e sem julgamentos, isso sim, não é fácil. Mas quando acontece, aquece o coração.

Inside Out me tocou muito por isso: não é fácil ter a consciência de que, às vezes, a tristeza ajuda e muito como um primeiro passo para o auto-conhecimento e a aceitação do que está acontecendo com você. E é a partir daí que vem o trabalho para melhorar.

Não estou levantando aqui a bandeira de que você precisa ser deprê para ser feliz, não é isso. O que acho problemático é abafar a tristeza para tentar se convencer de uma tal felicidade que muitas vezes é frágil demais.

Por isso, quando for necessário, ser permita ser triste; se permita sentir algo ruim, tentar entender porque você está se sentindo daquele jeito e, a partir daí, correr atrás da melhor forma para ficar bem.

Quem dera eu soubesse o segredo da felicidade (esse texto tá super “auto-ajuda”, né?). As pessoas que me conhecem de verdade sabem como a tristeza e a euforia andam de mãos dadas na minha cabeça e coração. Mas por isso mesmo sigo tentando, de maneiras tortas e eventualmente acertadas, fazer com que minhas Sadness e Joy sigam em harmonia. Um dia.. quem sabe.

* Ah, para quem não viu e não sabe nada sobre, o filme mostra a personificação de alguns sentimentos: Joy (Alegria), Sadness (Tristeza), Fear (Medo), Anger (Raiva) e Disgust (Repulsa) dentro da cabeça de uma garota que muda de cidade e passa por uma fase dificil. É fofo e vale muito a pena ser visto.

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A Astoria dos Goonies — 27/04/2015

A Astoria dos Goonies

Quando estávamos escolhendo o itinerário da viagem, eu e o marido, nascidos nos anos 80, decidimos que uma parada seria certa: Astoria, cidade onde o filme The Goonies for gravado. As aventuras do grupo de amigos em busca de um tesouro de pirata perdido em uma bucólica cidade litorânea nos Estados Unidos era sucesso da Sessão da Tarde e foi muito marcante para nós dois – mais para ele, que ainda consegue ser mais fã que eu.

De Seattle até lá são cerca de 3 horas e meia de carro, pela rodovia 101 que tem o caminho mais bonito próximo ao mar. A chegada na pequena cidade, passando pela Astoria Megler Brigde (uma ponte imensa) é deslumbrante.

Astoria é toda construída para cima de seus morros. Para ter uma visão completa do lugar, basta ir até a The Astoria Column (1 Coxcomb Dr, Astoria, OR 97103). Se você aguentar subir todos os degraus que te levam ao topo da torre, será agraciado para uma bela imagem. Vale a pena.

Na cidade, as paradas obrigatórias para os fãs dos Goonies são a casa dos Walsh (368 38th Street) – onde vale tirar fotos das placas que indicam o caminho e da fachada da casa, já que ela é residencial e proibida para turistas -, e o Oregon Film Museum (732 Duane St), que tem alguns objetos e figurinos usados no filme, TV’s com making of e a enlouquecedora loja com souvenirs.

O museu fica no prédio da delegacia usada no filme para prisão e fuga de um dos Fratelli – com o carro original e seus buracos de bala parado na porta. A casa do outro lado da rua também aparece no filme: o Flavel House Museum era o local de trabalho do pai de Mikey e Brand. É um deleite para qualquer fã que se preze.

Por falar em delegacia, enquanto estávamos olhando o carro dos Fratelli, um policial – de verdade – puxou conversa e contou várias histórias sobre uma cena do filme onde aparece a mão do irmão dele, ou quando ele era pequeno e se divertiu com os brinquedos usados na filmagem de “Um Tira no Jardim de Infância” – ADORO! – que usou a casa de um dos seus amiguinhos como locação. Simpatia. Aliás, do tipo que já estávamos acostumados a ver na Califórnia e que, pelo visto, se estende pelos outros estados da Costa Oeste.

Dica gastronônimca das boas para quem estiver na cidade: no Pig’n Pancake (323 Broadway St, Seaside, OR 97138), você encontra uma panqueca feita com banana na massa. É dos deuses. Já para quem gosta de cerveja, vale ir no Buoy Beer Company (1 8th St, Astoria, OR 97103). De cerveja não entendo nada, mas o lugar é massa. Fica em frente ao mar, tipo na orla da cidade, com decoração bem rústica e, o melhor de tudo: com uma parte do chão de vidro por onde você consegue ver uns leões marinhos preguiçosos tirando um cochilo.

Saindo de Astoria, vale dar uma passada em Cannon Beach e procurar as pedras que os personagens do filme encontram logo no início que indicam o caminho para o tesouro de Willie Caolho. Bom pros nerds e para quem sequer viu o filme, afinal, o lugar é lindo.

O ‘BBB’ de Michael Keaton — 15/11/2014

O ‘BBB’ de Michael Keaton

Há alguns meses Michael Keaton esteve no Brasil para divulgar o novo ‘Robocop’. Na época, ainda trabalhava no Yahoo e fui até o Rio de Janeiro para entrevistá-lo. Cheguei animada, mas a experiência não foi das melhores.

De antemão, Keaton avisou aos assessores que estava gripado, portanto, nenhum contato físico seria possível – sequer um cumprimento com aperto de mãos na chegada. Isso para mim pareceu mais coisa de gringo paranóico com medo de pegar alguma doença tropical. Mas beleza, o cara podia estar meio doente, quem sou eu para questionar, né?

E quando chegou a minha hora de ficar frente a frente com o ator que fez Batman (o de Tim Burton e um dos melhores) e Beetlejuice (também dirigido por Burton), a experiência não foi das melhores.

Michael Keaton se mostrou um dos piores tipos de entrevistados que jornalistas podem encontrar: o ‘monossilábico’. Você pode se matar para pesquisar, pensar e elaborar perguntas bacanas que as respostas virão sempre com duas ou três palavras. E aí você continua se matando para arrancar mais umas declaraçõezinhas da pessoa, afinal, sem isso sua matéria perde o sentido (em vídeo então, e edição tem que fazer milagres). E para mim, ter que fazer isso em inglês foi pior ainda.

Não sei se o ator foi assim com todos ou só comigo, que fui uma das últimas a entrevistá-lo naquele dia. Só sei que não foi empolgante como esperava.

Bom, todo esse meu blablablá sobre como foi conhecer Michael Keaton foi apenas uma introdução para falar sobre nosso reencontro, do jeito que tinha que ser, dentro de um cinema, onde eu estava de espectadora, e ele, como um grande ator.

‘Birdman’ ou ‘A Inesperada Virtude da Ignorância’ é um grande filme. Daqueles estranhos onde quem assiste não pode esperar obviedades e sentido para tudo. É fantasia, neurose, loucura, obsessão.

Me lembrou muito ‘Cisne Negro’, filme do qual gosto muito, e agora me sinto profundamente mal por fazer essa comparação após o discurso que o personagem principal, Riggan Thomson (Keaton), faz para uma crítica teatral sobre como ‘nós’ diminuímos a arte com comparações estúpidas e textos superficiais – ou algo do tipo.

‘Birdman’ tem uma trilha sonora incrível, executada praticamente durante todo o tempo do filme por uma bateria. Isso mesmo, apenas uma bateria. Fora a trilha, outro aspecto que me deixou maravilhada foi o uso da câmera em diversas cenas que pareciam planos sequências – quando não existem cortes. Visualmente, o filme é impecável.

A história, para quem não sabe, acompanha os dias que precedem a estreia na Broadway da peça ‘What We Talk About When We Talk About Love’, produzida, dirigida e estrelada por Riggan Thomson, ator que foi muito famoso nos cinemas por interpretar o super-herói Birdman e que, agora, tenta desesperadamente o reconhecimento do seu talento além do personagem.

Pela primeira vez gostei de Zach Galifianakis, o melhor amigo/advogado do ator (a afetação de ‘Se Beber não Case’ sempre me incomodou). Edward Norton como um ator famoso e egocêntrico está fantástico, como de costume. E Emma Stone, bem, quero ser melhor amiga dela.

Mas o filme é de Michael Keaton, tem jeito não. Mais uma obra prima no seu currículo de ‘BBB’: Batman, Beetlejuice e Birdman. Se puder, assista. Vale muito a pena.

Obs: Na primeira vez em que estive nos Estados Unidos, passei por uma experiência terrível no cinema assistindo a ‘Biutiful’, de Alejandro González Iñarritu. Odiei o filme. Agora o diretor me ganhou de novo, nesse meu retorno ao país.

Cinema e TV — 04/05/2014

Cinema e TV

Mark Webb sabe como ninguém como construir e destruir uma bela história de amor. Isso ficou muito claro em ‘500 Dias com Ela’, primeiro filme do diretor, e mais do que óbvio em ‘O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro’. A sequência dessa nova forma de contar a história e aventuras de Peter Parker, após a trilogia de Sam Raimi, é um grande filme.

E digo isso sem ser uma conhecedora dos quadrinhos clássicos, assumo logo aqui antes de ser xingada pelos fãs mais ardorosos da história clássica. Digo isso afirmando minhas limitações e deixando clara a minha visão de telespetcadora dos produtos cinematográficos do herói. Mas pelo que li por aí, de quem entende do assunto, esse foi o filme que mais se aproximou das histórias desenhadas por Stan Lee. Contiua…

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‘Resurrection’, nova série exibida no Brasil pelo canal AXN, é uma daquelas que te deixam intrigado, tenso, nervoso e preso na frente da TV aguardando ansiosamente os desdobramentos da histórias (saudades da boa época de ‘LOST’ e ‘4400’).

A história é baseada no livro de Jason Mott, ‘The Returned’, mas que todo mundo acha que tem ‘pitadas’ de ‘Les Revenants’, seriado francês que trata do mesmo tema: a volta dos mortos à vida, mas sem o lance zumbi. O francês teve oito episódios exibidos em 2012 e por sua vez foi baseado em um filme de mesmo nome, esse sim, assumidamente sobre mortos-vivos comedores de gente. Continua…

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A ‘Arca de Noé’ talvez seja uma das histórias biblícas mais populares. Muitos não-religiosos já ouviram falar, pelo menos uma vez na vida, sobre o homem que recebeu uma mensagem de Deus, construiu uma arca e salvou os animais de um dilúvio. Esse é o resumo básico. Se você quiser se aprofundar, é só buscar detalhes no livro sagrado. Se quiser ficar no meio termo e se distrar no cinema, basta assistir ao polêmico filme de Darren Aronofsky.

Logo no início, por causa de um didatismo extremo ao retratar a criação do planeta Terra, Adão e Eva, o pecado e tudo o que de ruim aconteceu no mundo depois disso, ‘Noé’ parece mais uma caricatura infantilizada de algo muito sério. É impossível não pensar nisso ao se deparar com um cobra verde feita com efeitos especiais ou guardiões de pedra que mais parecem os ‘Transformers’. Continua…

 

Trabalho — 13/01/2014

Trabalho

O tempo não pára de passar com uma velocidade assustadoramente cansativa. De um jeito que sequer consegui pensar em promessas de Ano Novo ou lamentações sobre o que passou para escrever neste lugar público onde espero ser lida. Mas um dia, assim, como quem não quer nada, apareço por aqui e dou uma atualizada sobre a vida… por enquanto, um pouco do trabalho passado, do Spoiler.


Filme de ‘Confissões de Adolescente’ surpreende (surpreende porque eu esperava o pior, relembre)

‘Confissões de Adolescente’ é uma das séries da minha vida. Em uma época difícil de mudanças por todos os lados, eu encontrava conforto assistindo aos episódios. Ela estreou em 1994, no dia do meu aniversário, na TV Cultura (e depois também foi exibida pela Band e pelo Multishow). Na época completei 13 anos e encontrei ali grandes amigas; elas me entendiam, me apoiavam e até compartilhavam dos mesmo medos e pensamentos estúpidos que eventualmente me faziam perder o sono.

Eu me vestia como Carol, a caçula meio ‘menino’ de Déborah Secco. Mas ao mesmo tempo era tão romântica e boba quanto Natália (Daniele Valente). Achava o cabelo e a impulsividade de Bárbara (Georgiana Góes) incríveis e, quem diria, fiz a mesma faculdade que Diana (Maria Mariana): jornalismo.

Continua..

‘Amores Roubados’ não ousa e não anima

‘Amores Roubados’ ganhou fama antes mesmo da sua estreia pelo motivo errado. Ninguém queria saber sobre a história de traição e vingança no sertão. Todos queriam saber detalhes sobre a separação do protagonista, que teria terminado seu casamento perfeito com a ex-BBB/atriz, por conta de um caso com sua colega de trabalho.

Pois mesmo quem não se interessa tanto por seriados e é chegado numa fofoca deve ter ligado a TV para conferir a química entre Cauã Reymond e Isis Valverde. E se surpreendeu com a química entre o moço em questão e Dira Paes – que recentemente fez a suburbana mãe de Morena na novela ‘Salve Jorge’ e agora, como uma rica perua do interior do Nordeste, mostra toda a sua versatilidade como atriz (além do seu corpo invejável exposto logo de início para mostrar o que vem por aí).

Continua..