Publicado em Crise dos 30, Pensamentos

Confissões de uma fracassada em potencial

Frequentemente eu me sinto fracassada. Pelas pequenas e grandes coisas que faço, pelas pequenas e grandes decisões que tomo. É algo maior do que eu e que, obviamente, deveria ser tratado durante anos em incontáveis sessões de terapia, mas que ainda não foi.

E esse meu sentimento de fracasso me paralisa de tal forma que bloqueia completamente qualquer auto-aceitação às coisas boas e interessantes que realizei, assim como sempre encontro um defeito quando escuto um elogio alheio. Posso até não dizer no momento que escuto, mas internamente sempre busco milhões de opções e comparações que transformem tal elogio em um gesto gentil de educação. Como gosto de gentilezas, fico feliz em recebê-las, apesar da mente louca não parar de trabalhar na auto-depreciação constante.

(Sim, sou louca. Sempre tive medo de ficar louca. Estou ficando. Já sou).

E digo mais, meus poucos, queridos e importantes leitores: é muito cansativo ser dessa forma. Afinal, por mais que me esforce, e me esforço muito, nada está tão bom quanto eu acho que deveria estar. Nada terá notoriedade, porque obviamente não está tão bom e, claro, não merecerá atenção para uma divulgação mais cuidadosa ou uma vendida de peixe das boas que me faça chegar onde eu quero.

E onde eu quero chegar? Quero escrever. Escrever mais. Escrever crônicas irônicas, inteligentes e divertidas no blog sobre detalhes cotidianos que passam desapercebidos mas que com as palavras certas podem se tornar deliciosos pontos de observação de um leitor mais atento.

Só que frequentemente me pego reprimindo tais textos por achar que não estão tão bons, que ninguém se importa com o que acho das coisas e que deveria guardar tudo para mim.

Quero escrever livros. Meus livros. Meus eternos projetos de livros que se modificam mas estão aqui, em pastas, e-mails e hd’s externos mostrando que não tenho a disciplina e a coragem de dizer que sou capaz de escrever um livro de verdade.

E assim sigo enrolando, tentando escrever um parágrafo aqui, outro ali, mas acreditando que nunca serei boa o suficiente, seja na escrita ou na auto-promoção para fazer a coisa seguir adiante.

Porque essa questão da auto-promoção é um problema. Tem gente que tem um grande talento: se vender. Exaltar suas qualidade de tal forma que, mesmo que elas não existam, qualquer um acredita e paga para ver. Conheço um monte de gente medíocre assim. Mas essas pessoas publicaram livros. E sim, as invejo. Porque elas têm coragem, elas acreditam em seu próprio taco e não estão nem aí para a opinião alheia. Ou se estão, fingem muito bem. Auto-confiança é tudo nesse vida.

Também quero trabalhar mais com TV. Nunca fui daquelas que desde a faculdade fazia de tudo para ficar em frente às câmeras e até achava bem boboca quando me perguntavam o que eu estudava e, ao responder jornalismo, ouvia um “quer ser a próxima Fátima Bernardes, né?”.

Eu não. Quero ser mesmo uma Marília Grabriela, ou um Jon Stewart brasileiro (mas aí vem o problema de que não sei fazer comédia, apesar de ter um pé na ironia). Gosto de entrevistar, de ter tempo para pesquisar e poder esmiuçar detalhes da vida e/ou carreira de pessoas que estejam dispostas a contar suas histórias. Claro que sempre existem os não tão bem-dispostos assim, mas até esses eu gosto de entrevistar. Tá, não gosto, mas se é necessário para o trabalho, eu faço.

Gosto de vídeo. Gosto do trabalho de edição, da inserção de trilha sonora, imagens de apoio, recursos tecnológicos. Gosto de ver as palavras saindo da boca do entrevistado – apesar de também achar fascinante a capacidade de descrever o que um entrevistado disse e prender a atenção das pessoas com palavras em um papel (ou site, para também ser moderna). Gosto tanto da escrita quanto do audiovisual.

Mas eu tenho o sotaque carregado. Não me encaixo em padrões de beleza e ainda tenho a língua presa. Às vezes acho que isso não tem importância e que tenho talento, que fiz entrevistas e programas dos quais gostei bastante, dos quais me orgulho e que deveria continuar insistindo nisso. Mas às vezes acho que estou apenas me iludindo e que nunca, ninguém que possa me pagar um salário digno, vai querer me contratar para esse tipo de função.

Sabe o que é o mais doido de tudo, já que assumi publicamente que sou maluca? Eu me acho competente. Muito. E sei que fiz bem-feito na grande maioria dos lugares onde trabalhei. Me orgulho do meu trabalho, mas duvido de mim. Faz sentido?

Também queria aprender a costurar, mas acho que até as agulhas e linhas vão querer manter distância de alguém que reclama tanto assim de si. Bom, talvez essa seja a hora certa de buscar minhas agulhas perdidas no palheiro..

Anúncios
Publicado em Pensamentos

2015

Nesse momento estou na frente do computador com várias e diversificadas abas abertas no navegador, com a TV ligada em um canal de culinária – sendo que não tenho a menor noção de como se cozinha -, rodeada por agendas, cadernos, livros e papéis, pensando em tudo o que preciso fazer, sem conseguir sair do lugar.

Essa sou eu, muito prazer. Uma pessoa sem foco que quer abraçar o mundo inteiro ao mesmo tempo e, sendo assim, não consegue sequer segurar a pontinha do mapa pelo dedo mindinho.

E essa é a minha principal reflexão de ano novo. Preciso de foco. Foco para me mover, para realizar, para diminuir as angústias e trazer resultados.

Tenho mil projetos. Um programa de rádio, alguns em vídeo, uma revista e livros. Também preciso ser mais saudável, comer melhor e perder peso. Já que estou morando nos Estados Unidos tenho que aproveitar para melhorar meu inglês macarrônico.

Então tento afunilar as ideias para o que é possível nesse momento: inglês e livros. Inglês porque tenho aulas e é necessário para minha sobrevivência social e diária. Livros porque um está praticamente pronto – praticamente porque tenho os textos escritos e organizados mas não tenho dinheiro para pagar um ilustrador, figura fundamental na concepção da ideia toda… questão que me faz pensar em tomar aulas de desenho e fazer eu mesma..  e assim perco o foco de novo.

Foco. Deixar o livro que precisa de ilustrações de lado por enquanto. Melhorar e desenvolver as ideias que tenho para contos. Esse é um bom exercício para mim, tão dispersa na arte da escrita. E da vida.

Foco. Estudar inglês e escrever meus contos. Mas aí o blog fica de lado porque não consigo fazer tudo ao mesmo tempo. Afinal, ainda preciso ler mais livros, ver filmes, séries e correr todos os dias.

Também preciso lavar roupas, pratos, ir ao mercado… quero viajar mais, muito mais… e além de tudo ainda venho sendo consumida pela vontade de fazer um vlog, de gravar em casa e colocar no meu canal do Youtube – mas para isso precisaria pensar no que falar, aprender a editar e…

Foco Paloma, foco!

Quando eu trabalhava, não tinha tempo para nada. Agora que não estou trabalhando, não tenho tempo para tudo.

Publicado em Seriados

Spoileando

Só para justificar que sumo eventualmente daqui porque tenho trabalhado loucamente, seguem alguns textos que fiz para o Spoiler, do Yahoo, nos últimos tempos:

‘Psi’ mostra um psiquiatra com pitadas de herói

Contardo Calligaris é um psicanalista italiano radicado no Brasil e colunista de um grande jornal. Além desses títulos e de milhões de outras coisas interessantes que já fez na vida, ele também éroteirista da nova produção nacional da HBO, ‘Psi’.

Baseada no personagem Carlo Antonini, psiquiatra presente em dois livros de Calligaris(‘O Conto do Amor’ e ‘A Mulher de Vermelho e Branco’), a série acompanha as aventuras do profissional que é quase um super-herói intelectual. Antonini, interpretado por Emilio de Mello, que ganhou meu coração quando foi o jornalista Guerra da belíssima novela ‘Lado a Lado’, leva seus conhecimentos sobre as ações e reações humanas para o lado de fora de seu consultório.

——————————————————————————————————————————————

É difícil acreditar que ‘Believe’ será uma grande série

Alfonso Cuarón, que recentemente abocanhou vários prêmios no Oscar 2014 incluindo o de Melhor Diretor por ‘Gravidade’, é o produtor executivo da mais nova série da Warner, junto com Mark Friedman e JJ Abrams. Este último, apesar de ter sido responsável por‘Felicity’ e pelos filmes baseados em ‘Star Trek’, ainda precisa comer muito feijão com arroz para superar o fiasco do final de ‘LOST’, que tinha tudo para ser uma das grandes séries do século. Sim, sou muito ressentida com o Sr. Abrams.

E mesmo com o fato de existir esse envolvimento e talento de Cuarón, ‘Believe’ não mostra absolutamente nada de mais, nada de novo e nada de interessante no universo dos seriados. Lançada pela NBC nos Estados Unidos e pela Warner no Brasil, a história gira em torna de Bo (Johnny Sequoyah), uma garotinha com poderes sobrenaturais, que ninguém sabe exatamente qual o seu potencial, mas todos a querem, para o bem ou para o mal.

————————————————————————————————————————————

A grande vantagem de ser presidente dos EUA

Alguns acabariam com guerras; outros começariam batalhas, destruiriam países, aumentariam territórios e chegariam até a Lua. Mas o importante mesmo de ser um dos maiores líderes mundiais é ter o poder para conseguir assistir aos episódios dos seus seriados favoritos antes de todo o mundo.

Pois Barack Obama usou toda a sua influência como presidente dos Estados Unidos para tentar ‘descolar’ com o Diretor Executivo da HBO, Richard Plepler, os novos capítulos de True Detective – que já exibiu 5 dos 8 de sua primeira temporada na televisão – e ‘Game of Thrones’, que só estreia sua quarta temporada em 6 de abril.

——————————————————————————————————————————————

Já sabe né? Para ler os textos completos basta dar uma passadinha por lá!

Publicado em Cinema, Seriados, TV

Trabalho

O tempo não pára de passar com uma velocidade assustadoramente cansativa. De um jeito que sequer consegui pensar em promessas de Ano Novo ou lamentações sobre o que passou para escrever neste lugar público onde espero ser lida. Mas um dia, assim, como quem não quer nada, apareço por aqui e dou uma atualizada sobre a vida… por enquanto, um pouco do trabalho passado, do Spoiler.


Filme de ‘Confissões de Adolescente’ surpreende (surpreende porque eu esperava o pior, relembre)

‘Confissões de Adolescente’ é uma das séries da minha vida. Em uma época difícil de mudanças por todos os lados, eu encontrava conforto assistindo aos episódios. Ela estreou em 1994, no dia do meu aniversário, na TV Cultura (e depois também foi exibida pela Band e pelo Multishow). Na época completei 13 anos e encontrei ali grandes amigas; elas me entendiam, me apoiavam e até compartilhavam dos mesmo medos e pensamentos estúpidos que eventualmente me faziam perder o sono.

Eu me vestia como Carol, a caçula meio ‘menino’ de Déborah Secco. Mas ao mesmo tempo era tão romântica e boba quanto Natália (Daniele Valente). Achava o cabelo e a impulsividade de Bárbara (Georgiana Góes) incríveis e, quem diria, fiz a mesma faculdade que Diana (Maria Mariana): jornalismo.

Continua..

‘Amores Roubados’ não ousa e não anima

‘Amores Roubados’ ganhou fama antes mesmo da sua estreia pelo motivo errado. Ninguém queria saber sobre a história de traição e vingança no sertão. Todos queriam saber detalhes sobre a separação do protagonista, que teria terminado seu casamento perfeito com a ex-BBB/atriz, por conta de um caso com sua colega de trabalho.

Pois mesmo quem não se interessa tanto por seriados e é chegado numa fofoca deve ter ligado a TV para conferir a química entre Cauã Reymond e Isis Valverde. E se surpreendeu com a química entre o moço em questão e Dira Paes – que recentemente fez a suburbana mãe de Morena na novela ‘Salve Jorge’ e agora, como uma rica perua do interior do Nordeste, mostra toda a sua versatilidade como atriz (além do seu corpo invejável exposto logo de início para mostrar o que vem por aí).

Continua..