Publicado em Pensamentos

Conversa no ponto de ônibus

 

Apesar dos fones de ouvido e música alta – engana-se quem acha que isso espanta os que adoram “puxar conversa” com estranhos – um senhor, aparentando ter uns 80 anos, sentou ao meu lado.

Olhei rapidamente em sua direção e percebi que os lábios se moviam. Tirei os fones e a conversa começou:

Ele: …agens nos dois braços é?

Eu, com sorriso amarelo, já imaginado do que se tratava: pois é..

Ele: o que tem escrito ali?

Eu: salvador. bahia. brasil.

Ele: você é baiana?

Eu: sou..

Ele: de onde?

Eu: Salvador mesmo.

Ele: ahh, da capital! Eu sou de Senhor do Bonfim, ali, pros lados de Feira, sabe?

Eu: sei sim, nunca fui, mas sei.. então o senhor é conterrân.. (fui interrompida)

Ele: eu tenho tatuagens também – e começou a levantar a manga da camisa comprida todo orgulhoso – tenho essa aqui de amor verdadeiro, mais essa aqui – levantando a barra da calça – e essa aqui também..

Eu, já achando a situação engraçada e com a certeza de que eram as tatuagens mais feias que já vi de perto, no melhor/pior estilo “feitas com caneta bic verde”, tentei ser simpática – olha só, que bacana!

Ele: é, tá vendo? Os baianos gostam de tatuagem.

Nesse exato instante o ônibus chegou e me despedi rapidamente com a certeza de que a cada dia em São Paulo aprendo algo novo sobre os baianos.

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