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Websérie torna ‘A Mulher do Prefeito’ mais atraente

Na novela ‘Cheias de Charme’ a Globo finalmente decidiu investir pesadamente na união entre a TV e a internet. Antes disso, em algumas tramas, personagens de novelas já tinham seus blogs ou surgiam pequenas incursões na tão pouco usada ‘interação virtual’ na dramaturgia.

Pois foi com o clipe das Empreguetes, lançado do site na emissora, que ficou óbvio o quão bacana pode ser para o público que tem acesso aos computadores ter esses pequenos “presentes” das tramas que eles acompanham e gostam.

Agora chegou a vez de mais um bom recurso: a websérie. Em ‘A Mulher do Prefeito’, seriado que estreou recentemente (em 04 de outubro), o personagem de Tony Ramos está cumprindo prisão domiciliar. E aí, para passar o tempo e tentar “limpar sua barra”, Reinaldo Rangel, agora ex-prefeito, tenta gravar em vídeo uma autobiografia.

Mais no Spoiler.

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O que há de fantástico na vida irreal

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Viver é difícil. É realidade demais, dureza demais, exigências demais, tudo de mais. Por isso sempre fui fascinada pelo que é fantástico e suas descrições na literatura e suas aparições no cinema e na TV. Por isso o remake de Saramandaia me deixou animada.

A novela original foi exibida em 76, alguns anos antes do meu nascimento. Dela sabia o pouco que ouvi falar no Vídeo Show vez ou outra, mas nada muito detalhado.

Tanto é que tive até certas pretensões literárias frustradas ao descobrir que uma ideia que andava desenvolvendo há alguns anos – sim, anos – é característica de um de seus personagens. E eu só soube disso ao começar a ler as matérias sobre o tal remake. Juro.

Pois bem, Saramandaia estreou bem, melhor do que eu imaginava. Cheia de cores, músicas e esquisitices, do jeito que um produto ficcional pode se permitir ser para agradar em cheio a quem quer um pouco de fantasia em sua vida, nem que seja por uma hora.

Acho que essa é uma das refilmagens de novelas mais bem justificada até o momento: com o avanço da tecnologia, será possível explorar muito mais as características surreais dos personagens idealizados por Dias Gomes.

Mas eu durmo cedo e não me conformo que a Globo coloque alguns dos seus melhores programas tarde da noite – sim, 23 horas para mim é tarde da noite. Espero conseguir passar alguns momentos da minha semana por Bole-Bole. Ops, Saramandaia.

Para mais informações, eis o site oficial da novela.

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O estranho mundo de Glória Perez

Logo+Salve+Jorge

Nasci e fui criada em um país onde a maioria é esperta. Se você é pontual porque não gosta de esperar nem de deixar ninguém esperando, é neurótica por horários. Se segue corretamente um fila, se espera o sinal ficar vermelho para atravessar uma rua, dá passagem para as pessoas, é minimamente gentil e honesta, você é idiota. Sim meus queridos leitores, é triste, mas é verdade. A sociedade brasileira segue essa regra sem regra de ter um “jeitinho” para levar a vida e é assim que é. Otário quem é diferente. Sou otária. Sofro com os julgamentos mas até tenho orgulho de ser certinha na maioria das vezes.

Muitos dizem que novelas são reflexos da sociedade. Outros dizem até que elas ajudam a moldar certos aspectos do dia a dia das pessoas. Concordo com um pouco de cada. Por isso escreverei sobre o absurdo do final de Salve Jorge.

A história foi ruim do início até o capítulo derradeiro. E nem sou daquelas que reclama de pequenos detalhes. Defendo a licença poética e não critico o fato de todas as pessoas na Turquia falarem português mas, quando a mocinha em apuros foge do cativeiro, não consegue ser compreendida por ninguém na rua, já que não sabe uma palavra de turco. Não, isso não me incomoda.

Há muito Glória Perez “esqueceu” como fazer bons galãs, por exemplo. Que o diga Márcio Garcia, que perdeu o posto de protagonista para Rodrigo Lombardi quando os dois frequentavam a Índia. Pois esse mesmo Lombardi, que seria o macho-alfa na conexão Rio de Janeiro-Capadócia, o tal “cara” tão irritantemente e bregamente cantado na música de Roberto Carlos, foi um dos piores personagens que já vi.

Ele era machista; julgava, proibia, gritava, brigava e dava pití quando contrariado pela namorada. Terminava relacionamentos das formas mais patéticas e não respeitosas e agarrava qualquer uma que usasse saia – ou farda – e que passasse na sua frente. Além de mexer psicologicamente com a cabeça de uma criança pequena ao pedir que o garotinho o chamasse de “pai” após poucos dias de namoro com a mãe solteira.

Bom, só isso já demonstra a estranha inversão de valores da autora. Eu entendo a tentativa de humanizar personagens, de mostrar que ninguém é totalmente bom nem totalmente mau mas, convenhamos, a exaltação das defeitos que não foram punidos ao longo da trama me deixaram assustada.

Como assim Paloma, não foram punidos? A gangue do tráfico foi toda para a cadeia. Pois é, mas esses não foram os únicos que fizeram coisa errada. Pelo visto, para a autora, você só merece castigo se traficar gente, vender bebês e matar umas pessoas por aí. Para fazer isso realmente tem que ser bandidão.

Mas e os crimes menores, que qualquer um pode fazer? Que tipo de exemplo é dado para o telespectador quando Berna (Zezé Polessa), a perua rica, turca e estéril, sai de um hospital carregando um bebê roubado na bolsa, nega qualquer tipo de culpa até o último episódio e o máximo que acontece a ela é a separação do marido (que no fim até ficou meio no ar se continuariam separados ou não)?

Ou o que dizer do casal de marginais Drica (Mariana Rios) e Pepeu (Ivan Mendes)? Ele atropelou um homem no início da novela e não prestou socorro. O sogro-advogado-rico deu um jeitinho e a sogra delegada reclamou, reclamou, reclamou mas nada fez. Quer dizer, eles fizeram: deram de presente para a dupla uma vida boa na Turquia. Lá, os dois mentiram, fizeram trambiques, esconderam o passaporte e não pagaram o salário da empregada e o que aconteceu? Nada.

De volta ao Brasil, a cereja do bolo: Drica e Pepeu resolveram traficar drogas. A mãe descobriu. O pai também. E aí? Nada. No fim da novela, eles terminaram grávidos. Grande bênção para os irresponsáveis com costas quentes que nunca aprenderam nenhuma lição sobre o certo e o errado da vida. Esses para mim foram os exemplos mais explicitamente graves, mas não foram os únicos.

E para finalizar eis uma questão que até hoje me confunde: eu estou maluca ou simplesmente ignoraram o fato de que Pescoço (Nando Cunha), o típico malandro oportunista que vivia às custas da mulher, fez uma ligação longa para a vilã Lívia Marine (Cláudia Raia) com quem ele nunca teve nenhum tipo de relação ao longo de toda a novela e que poderia implicá-lo no sequestro de bebês?

Pois é minha gente, o esquema é fazer pequenos delitos por aí – nada que chegue a ser configurado como tráfico de pessoas ou assassinato – que  assim vocês se darão bem na vida. Conselhos de dona Glória que, aqui entre nós, deveria se aposentar o quanto antes.

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Update para não ser acusada de ser injusta com Glória Perez: acabei de receber os devidos esclarecimentos sobre o caso. Na verdade não foi Pescoço, e sim a outra super malvada Wanda (Totia Meireles) quem ligou para Lívia Marine. Parece que os dois estiveram na mesma delegacia e ela pediu o celular dele emprestado pois estava sem bateria. Mas pô, podiam ter dado uma recapitulada para os que não lembravam mais disso, né? hehehe

Obrigada, Manuel Salvado! Que bom que você é noveleiro! :)

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A guerra santa das TV’s

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Acredito que a única coisa boa que existe em certos absurdos é a movimentação que acontece contra eles. E esse movimento de grande poder nas mãos de pastores evangélicos que surgiu nos últimos anos no país faz até com que se perceba manifestações interessantes de onde nunca se esperaria grande coisa.

Já explico o meu ponto de vista, mas antes quero deixar uma coisa clara: quer ter sua religião, acreditar em algo, faça isso na sua igreja, templo, dentro da sua casa ou em lugares em que você esteja com quem compartilha da mesma crença que você. Acho  assustador que partidos políticos e meios de comunicação estejam nas mãos de quem claramente ataca quem não é seu igual e que prega o retrocesso do mínimo de avanços sociais que esse país pode ter tido até agora.

Pois bem, ontem li uma nota que dizia que a TV Record apresentou uma matéria com reclamações de um pastor sobre a minissérie O Canto da Sereia, exibida na TV Globo (que infelizmente não consegui assistir). O tal pastor reclamava da “propaganda” feita para as religiões afrobrasileiras, e que manifestações evangélicas deveriam ter espaço na emissora também. Aí eu me pergunto: a TV de Edir Macedo que, além de cultos, produz e exibe várias séries de histórias bíblicas, vai abrir espaço para o candomblé? É tão absurdo, mas tão absurdo que dá vontade de rir para não chorar. Lembro que no início de Salve Jorge também surgiu um burburinho de que nenhum evangélico deveria acompanhar a novela por fazer apologia a São Jorge.

E aí, ainda ontem, assistindo ao capítulo de Lado a Lado, minha novela preferida nesse momento, me deparo com uma bela demonstração pró-religiões africanas (que acho que só existiu por causa da Record). A personagem de Camila Pitanga conversa com a amiga (Marjorie Estiano) sobre algo que sua Tia Jurema viu nos búzios. Tia Jurema é uma das figuras mais simpáticas e corretas da trama. É mãe de santo e dona da casa onde acontecem as melhores festas no morro. Não me lembro literalmente das falas para citar aqui mas, a idéia principal, muito simples, era apenas de que aquela pode não ser a sua religião, mas deve sim existir muito respeito pelo que o outro acredita. E ponto final.

Sei que faz parte de um contexto histórico colocar uma religião africana em meio aos negros – que já não são mais escravos – no início do século 20, mas também acho que existe um grande peso em dar aquela alfinetada na concorrente, mostrando que a “poderosa TV brasileira” não se intimida, faz o que quer, sem medo de processos e retaliações, e apóia quem quer. Sempre foi assim, mas nesse período de tantos preconceitos – já que infelizmente o beijo gay ainda é um grande tabu -, que pelo menos o direito de escolher para quem rezar e não precisar impor nada para ninguém seja exaltado.

É e muito natural que na teledramaturgia sejam retratadas religiões, afinal, teoricamente, as novelas são um reflexo social da época em que são exibidas. E consigo me lembrar de judeus, evangélicos e católicos mostrados em diferentes situações nas novelas globais que, assumo aqui, são as que mais assisti durante toda a vida. O problema é usar algo de tão sagrado para alguns com o objetivo de  manipular e despertar o ódio em muitos. E isso, sabemos que todas as emissoras são capazes de fazer.

Sei que muita gente pode achar meu texto preconceituoso e preciso confessar que sim, eu tenho muito preconceito contra quem tem preconceito. Desculpem mas não consigo ser um ser humano tão evoluído assim para “dar a outra face”. E se alguém ficou curioso, não, não tenho religião nenhuma.

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O início de Subúrbia

Não canso de declarar meu amor audiovisual a Luiz Fernando Carvalho. Acho que ele é a pessoa que faz as coisas mais lindas na TV Globo.

Na última quinta estreiou sua última empreitada na emissora, “Subúrbia”, que terá 8 episódios exibidos às quintas-feiras e roteiro do diretor juntamente com o escritor Paulo Lins, responsável pelo livro que deu origem a “Cidade de Deus”. Inclusive, como aconteceu no filme de Fernando Meirelles, grande parte do elenco é formado por desconhecidos e, muitos deles, que não eram atores. Nessa história conheceremos Conceição e sua vida sofrida que a levará até o subúrbio do Rio de Janeiro, no bairro de Madureira.

Gostei do que vi, apesar de assumir minha preferência pelo universo fantástico com bonecos falantes, cenários estranhos feitos com giz e figurinos incríveis. Gosto do diferencial e não sei bem se o fato de retratar o ambiente do subúrbio, ao som do funk, permitirá que essas qualidades de Carvalho apareçam.

Mas, mesmo assim, dá para perceber, por pequenas sutilezas ao contar a história, com movimentos de câmera e luz, que é algo diferente do que costuma ser feito. É algo de Luiz Fernando Carvalho. E será Luiz Fernando Carvalho tocando claramente em questões sociais. Difícil ser ruim, né?

No primeiro episódio – com narrativa em off do ponto de vista da protagonista em alguns momentos -, Conceição, ainda criança, está em uma carvoaria, em Minas Gerais, com sua família. A pobreza extrema é evidente, crua e coberta pela cor preta de carvão que se mistura com a pele dos personagens. Esse foi o momento mais lúdico e esteticamente deslumbrante, com a assinatura de cores e imagens do diretor. Triste, angustiante, profundo e belíssimo.

Após um acidente a menina decide abandonar mãe, pai e sua égua e única amiga Rapunzel, para seguir atrás do “morro feito de açúcar”, após encontrar uma imagem de recorte de jornal do ponto turístico carioca. Na visão da criança, ali sua vida poderia ser melhor.

Conceição chega ao Rio em pleno carnaval, já que seu caminho é atravessado por pessoas fantasiadas, provavelmente saídas de escolas de samba, o que só aumenta o cenário de encanto da menina em busca do sonho.

Pois em meio ao seu deslumbramento com a “cidade maravilhosa”, Conceição é confundida com meninos de rua que acabaram de assaltar um casal de turistas no melhor estilo “gringos sofrendo arrastão no Rio de Janeiro”. Os meninos, inclusive, usam colares havaianos e coroas de rei, caracterizando ainda mais a época do carnaval.

Pois bem, Conceição é presa e na cena na delegacia descobrimos que ela não sabe seu sobrenome e sua idade mas que leva sempre com ela uma imagem da Nossa Senhora Aparecida, de quem é muito devota. De lá a menina é levada para uma instituição de menores infratores.

Nesse momento, o clássico de toda história de cadeia acontece: uma valentona tenta impôr sua superioridade diante de novata pequena e magrinha porém, ao contrário do que se espera pela aparência frágil de Conceição, ela enfrenta a figura que tem o dobro do seu tamanho demonstrando ali toda a sua força.

Não somente sua força como também sua esperteza ficam evidentes nesse momento “encarceirada”, afinal, todo mocinho que se preza cria um plano e foge.

A partir dessa fuga a vida de Conceição muda mais uma vez. Coincidentemente ela é atropelada por Sylvia, recém-separada com dois filhos pequenos para criar e uma tese de doutorado para terminar que, ao socorrê-la, vê uma bela oportunidade de exploração infantil disfarçada de boa-ação, muito comum em lares brasileiros: a de colocar a menina, ainda criança, como empregada em sua casa. Claro que isso não é explícito, inclusive no off de Sylvia que é quem nos conta sobre sua vida e sua decisão de “acolher” Conceição.

Através da TV é marcada a época em que a história acontece: Conceição começa a demonstrar interesse pela dança enquanto trabalha e assiste ao programa do Chacrinha, exibido na década de 80. Depois disso, Conceição cresce, no mesmo lugar e aparentemente se sente muito à vontade naquele ambiente, naquela situação. E mais uma vez a TV marca a passagem de tempo, agora em imagem que anuncia a crise econômica pelo Plano Collor, nos anos 90, e provoca ira do namorado de Sylvia, convidado para morar no apartamento após ter seu dinheiro congelado – informação que será importante no fim do episódio.

Um belo dia, Conceição é levada para Madureira por sua única amiga, Vera, que a convida para conhecer sua família no feriado. A alegria da moça pela contagiante animação das pessoas no bairro é evidente. Para quem já esteve em bairros da periferia sabe bem que a diferença entre eles e os condomínios onde a classe média e alta têm se escondido ao máximo para evitar qualquer tipo de socialização exterior é gritante.

E para quem já esteve na periferia sabe que, apesar de parecer caricata, a representação na série com barulho, música alta, dança, muita gente reunida nas ruas e nas casas é verdade. Claro que a TV sempre dá uma romanceada e glamurizada nos ambientes, mas a essência de “reunião” e alegria por uma simples festa no quintal e banho de mangueira na laje me parece verdadeira.

Evidente também é o poder que Conceição exerce nos homens com seus atributos físicos (Erika Januza, a atriz, é realmente lindíssima). Ela é cobiçada pelos rapazes do bairro e até desperta a atenção daquela que, claramente, será sua rival: Jéssica, a “poderosa” local no melhor estilo traveco de ser.

Após o feriado, Conceição retorna para o apartamento onde mora e trabalha, cumprindo ordens da patroa que viajou com a família. Para quem tem o mínimo de percepção sabe que é claro que algo de ruim vai acontecer.

O tal namorado da mãe, Cássio, está no apartamento e, na última cena do primeiro episódio, tenta violentar nossa mocinha. Apesar da demonstração de força no início, não dá para saber se ela conseguirá se livrar. Agora é só aguardar as cenas do próximo capítulo.

E para saber mais sobre o programa, seus personagens e atores, eis o site oficial.