A Astoria dos Goonies

Quando estávamos escolhendo o itinerário da viagem, eu e o marido, nascidos nos anos 80, decidimos que uma parada seria certa: Astoria, cidade onde o filme The Goonies for gravado. As aventuras do grupo de amigos em busca de um tesouro de pirata perdido em uma bucólica cidade litorânea nos Estados Unidos era sucesso da Sessão da Tarde e foi muito marcante para nós dois – mais para ele, que ainda consegue ser mais fã que eu.

De Seattle até lá são cerca de 3 horas e meia de carro, pela rodovia 101 que tem o caminho mais bonito próximo ao mar. A chegada na pequena cidade, passando pela Astoria Megler Brigde (uma ponte imensa) é deslumbrante.

Astoria é toda construída para cima de seus morros. Para ter uma visão completa do lugar, basta ir até a The Astoria Column (1 Coxcomb Dr, Astoria, OR 97103). Se você aguentar subir todos os degraus que te levam ao topo da torre, será agraciado para uma bela imagem. Vale a pena.

Na cidade, as paradas obrigatórias para os fãs dos Goonies são a casa dos Walsh (368 38th Street) – onde vale tirar fotos das placas que indicam o caminho e da fachada da casa, já que ela é residencial e proibida para turistas -, e o Oregon Film Museum (732 Duane St), que tem alguns objetos e figurinos usados no filme, TV’s com making of e a enlouquecedora loja com souvenirs.

O museu fica no prédio da delegacia usada no filme para prisão e fuga de um dos Fratelli – com o carro original e seus buracos de bala parado na porta. A casa do outro lado da rua também aparece no filme: o Flavel House Museum era o local de trabalho do pai de Mikey e Brand. É um deleite para qualquer fã que se preze.

Por falar em delegacia, enquanto estávamos olhando o carro dos Fratelli, um policial – de verdade – puxou conversa e contou várias histórias sobre uma cena do filme onde aparece a mão do irmão dele, ou quando ele era pequeno e se divertiu com os brinquedos usados na filmagem de “Um Tira no Jardim de Infância” – ADORO! – que usou a casa de um dos seus amiguinhos como locação. Simpatia. Aliás, do tipo que já estávamos acostumados a ver na Califórnia e que, pelo visto, se estende pelos outros estados da Costa Oeste.

Dica gastronônimca das boas para quem estiver na cidade: no Pig’n Pancake (323 Broadway St, Seaside, OR 97138), você encontra uma panqueca feita com banana na massa. É dos deuses. Já para quem gosta de cerveja, vale ir no Buoy Beer Company (1 8th St, Astoria, OR 97103). De cerveja não entendo nada, mas o lugar é massa. Fica em frente ao mar, tipo na orla da cidade, com decoração bem rústica e, o melhor de tudo: com uma parte do chão de vidro por onde você consegue ver uns leões marinhos preguiçosos tirando um cochilo.

Saindo de Astoria, vale dar uma passada em Cannon Beach e procurar as pedras que os personagens do filme encontram logo no início que indicam o caminho para o tesouro de Willie Caolho. Bom pros nerds e para quem sequer viu o filme, afinal, o lugar é lindo.

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Duas dicas imperdíveis em Portland

O norte da costa oeste dos Estados Unidos não é um destino comum para os viajantes ocasionais. É compreensível. Se você não tem grana e tempo para gastar no país e optou pelo lado do Pacífico ao invés do Atlântico, a Califórnia, de San Francisco até San Diego, é muito atraente para todos os gostos – ainda mais se você decide dar uma esticadinha até Las Vegas em Nevada, e Grand Canyon, no Arizona – estados vizinhos. Mas o que muitos não sabem é que, subindo no sentido canadense, um novo, interessante e lindo mundo de possibilidades se abre para fazer turismo dos bons.

Às vésperas do Spring Break americano (aquela semaninha de relaxamento que os paulistas conhecem como “semana do saco cheio”, da qual os baianos, como eu, nunca foram agraciados), e após enfrentar a multidão que tentava alugar um carro para também fugir do deserto que se tornaria a cidade nos próximos dias, saímos – eu e o marido – de Davis, Califórnia, em direção à Portland, Oregon.

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O percurso de quase nove horas já dava sinais, logo no início, da paisagem predominante dos próximos dias. Árvores, pontes, rios e uma natureza diferente da que os brasileiros estão acostumados – talvez tenha achado isso porque sou nordestina e tudo estava meio cinzento.

Na Shasta Mountain que fica no limite da Califórnia, por exemplo, havia neve. De longe o topo branco da montanha, em plena primavera, indicava que as temperaturas seriam diferentes das de Davis, próxima à capital Sacramento, quase em clima de verão. Durante toda a viagem tomamos chuva e pegamos temperaturas baixas (por volta de 11, 12 graus).

Portland é conhecida por ser esquisita e indie/hipster ou sei lá que outra definição moderninha poderia ser aplicada lá. A pequena cidade, cheia de cervejarias (mais de 35) e rodeada por uma floresta, parecia estar toda em construção. Não é bonita, mas tem charme. E tem a Powell e a Voodoo.

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A passagem por Portland foi rápida mas marcada por duas coisas: primeira, a maior livraria independente do mundo (1005 W Burnside St., Portland, Oregon). O marido, da área de letras, é louco por livros. Ele sequer passou da entrada do lugar que reunia, pelo menos, outros 3 andares de publicações novas e usadas com preços muito convidativos. Ficou com medo de surtar, coitado. Além dos livros, em vários cantinhos foi possível encontrar uma grande variedade se souvenires com referências à cidade ou só com piadas, citações e funções legais.

Já o Voodoo Doughnut tem o melhor donut que eu já comi na vida, sendo que eu não gosto tanto de donuts (se é para comer doce, conheço opções bem melhores pros lados de cá e que valem as calorias ingeridas). São algumas lojas na cidade mas só fui na original (22 W 3rd Avenue, Portland, Oregon).

Lá, as filas são imensas e estão presentes em qualquer momento do dia, formadas por turistas e por locais. O preço é ótimo e o gosto então, nem se fala. “Memphis Mafia” é O nome. Massa frita com pedaços de banana, canela e topo coberto com manteiga de amendoim e chocolate. Do tamanho de uma pizza brotinho. Preciso falar mais?

Eu, devorando o Memphis Mafia

Próximo ao Voodoo fica o Shanghai Tunnel (211 SW Ankeny St, Portland, OR), bar com cara de rua Augusta, escurinho, no porão, com mesas de bilhar, máquinas de pinball, umas lanternas chinesas penduradas no teto e garçons cabeludos com camisetas legais fazendo referências a bigodes (hipster?). Vale se entupir de açúcar no primeiro e depois aproveitar a noite no segundo lugar – e dependendo da quantidade de álcool, vale voltar e comer mais donuts cheios de glicose. :)

Road Trip USA: O Final E Dicas De Hospedagem

O retorno para Davis, Califórnia, foi calculado para ser dividido em dois dias de mais ou menos 6 horas de estrada, para que a viagem não ficasse muito pesada. Era 31 de dezembro.

Quando acordamos em Flagstaff (Arizona), a cidade – que no dia anterior era fria mas tinha um céu aberto e árvores verdes espalhadas por todo canto – estava coberta de neve. Pois é. Tempestade de neve. Nevasca. Tudo branco. Tudo lindo. Tudo frio. Tudo impossível. E, claro, rodovias fechadas.

Na TV avisavam que se você precisasse pegar a estrada de qualquer jeito – por motivos de emergência extrema -, que colocasse um belo suprimento de água e comida no carro para o caso de ficar preso em algum lugar ermo no meio da neve.

Nem cogitamos voltar. Apesar de ser réveillon conseguimos segurar nosso quarto e lá ficamos, no quentinho do aquecedor, eventualmente vendo a paisagem bonita pela janela, eventualmente vendo maratona “Law and Order: Special Victims Unit” ou algum filme bobo natalino e nos alimentando da pior Pizza Hut que já comi na vida, pedida pelo delivery. Coitado do entregador.

Por isso eu continuo afirmando: previsão do tempo é importante meus amigos. Muito importante.

Mas no dia seguinte a neve deu uma leve trégua e após a divertida ação de tirar quilos de neve de cima do carro (e perigosa também, a partir do momento em que você não consegue mais sentir seus dedos), pegamos a estrada.

Dessa vez, e só dessa vez, o Waze nos mandou por um caminho mais longo, absurdamente mais longo. Motivo: rodovia interditada. Mesmo assim seguimos e, algumas milhas depois, a paisagem desértica chegou para aquecer nossos corações.

Durante essas semanas nos hospedamos em apenas duas redes de hotéis: o Motel 6 e o Super 8. Apesar do nome, o Motel 6 é um ambiente familiar, e não do tipo “feito para sacanagem”. Aqui nos Estados Unidos os motéis costumam ser hotéis básicos que você encontra tanto na beira de estradas quanto no meio das cidades.

Essas duas redes possuem várias unidades, em vários lugares e alguns são muito bem localizados, como o Motel 6 de LA, colado com a super movimentada Hollywood Boulevard. Entre os dois, prefiro o Super 8. Mas não existem grandes diferenças e os preços são bem honestos.

Não reservamos nada antes de viajar. Quando estávamos prestes de deixar uma cidade, fazíamos a reserva pelo site ou pelo telefone para o próxima destino. Isso nos deixou mais livres no caso que algum contratempo acontecer e precisarmos mudar o itinerário.

Relembrando tudo agora para escrever esse texto, eu só tenho a confirmação de que essa foi uma grande viagem. Uma grande experiência. E não vejo a hora de fazer a próxima. Se alguém tiver dúvidas e quiser detalhes detalhadamente detalhados, é só perguntar aqui nos comentários. Será um prazer responder.

Road Trip USA: O Tempo, Grand Canyon e Flagstaff

Uma dica fundamental para quem vai fazer uma road trip por aí: olhe a previsão do tempo de todas as cidade pelas quais você passará. Rodrigo e eu achamos que apesar de ser inverno, estaria “quentinho” em San Diego (fronteira com o México), e em Las Vegas e no Grand Canyon, afinal, o deserto estaria por ali (o Grand Canyon fica no Arizona e eu sempre ouvi falar do “Deserto do Arizona”, portanto…). Isso foi uma erro; a partir de San Diego pegamos as temperaturas mais baixas da viagem.

Em Vegas, o dia começou com cerca de 3 graus. Quando chegamos no Arizona e fomos atrás da previsão para o dia seguinte, a expectativa era de -15 C. Motivo de pânico, afinal não levamos roupas para isso. Nesse caso, procure o Target mais perto de você. Target é uma loja de departamentos que tem tudo a preços razoáveis – alguns bem baratos, outros não. Até aquele momento acreditamos que faria muito frio e só… Tolinhos.

Vestimos muitas roupas e casacos e enfrentamos um dia lindo, ensolarado e gelado no Grand Canyon. Que lugar espetacular, apesar do meu medo de algum acidente grave acontecer. Não tinha ninguém que avisasse: “não fique muito na beirada” ou “segure seu filho porque ele pode correr, escorregar e morrer com a queda”. Ninguém. É cada um por si com seus medos e bom senso.

Sei que existem ônibus por lá, mas no inverno os horários são bem escassos. O ideal é ir para o parque de carro e parar em todos os pontos de observação que aparecerem pelo caminho – são bem sinalizados e, quando não são, estão facilmente reconhecíveis por carros parados ou simplesmente pela vista espetacular aberta na lateral da estrada.

Existem trilhas para fazer a pé e de bicicleta. No nosso caso, com apenas um dia (o ingresso que você paga, acho que de 25 dólares por carro, vale por uma semana), deu para percorrer os caminhos dos dois lados indicados pelo mapa que pegamos na entrada do parque, no Grand Canyon Visitor Center. É só chegar lá que as pessoas começam a te dizer o que você deve fazer, com as devidas indicações impressas no papel.

As formações rochosas são tão lindas, tão grandiosas e tão diferentes do que estamos acostumados a ver que o marido, que odeia aparecer em fotos, passou o dia inteiro pedindo que eu o fotografasse em várias paisagens diferentes. Sério. O dia inteiro. Acho que nesse dia ele apareceu mais vezes na frente da minha câmera do que juntando todos os outros dias desses quase 5 anos de relacionamento.

No Arizona, ficamos hospedados na cidade de Flagstaff, há cerca de 1h20 do Grand Canyon (a parte sul – South Rim). Existem cidades mais próximas, mas as diárias eram caras ou não estavam disponíveis. Gostei muito de Flagstaff, achei bem fofa apesar da surrealidade da situação que vivemos por lá.

Passamos o dia de sol e frio no Grand Canyon, voltamos para a cidade, demos uma volta no centro – um coisa é certa: a cidade pode ser pequenininha, mas se tem universidade (no caso a Northern Arizona University), pode ter certeza que “downtown” vai ser repleta de barzinhos e movimento -, comemos e bebemos num bar, voltamos para o hotel e dormimos. No dia seguinte, 31 de dezembro, pegaríamos a estrada de volta para Davis, Califórnia. Mas eis que o tempo e toda nossa programação mudou.

A história continua no próximo post. :)

Eu e a Bikram Yoga

Tentando colocar em prática minhas resoluções de ano novo, um dos tópicos mais importantes é perder peso e ser mais saudável. Coisa que aqui nos Estados Unidos não é lá muito fácil já que adoro um café da manhã com ovos, batatas, bacon, panquecas, os pães de canela, cinnamon roll, sorvetes e Reeses (chocolate com recheio de paçoca).

Até as pizzas, das quais sempre falei mal, caíram no meu gosto. Conto o segredo: as ruins são “New York style”. São finas e com pouco recheio – traumatizantes. Agora as de “Chicago” são outra história… já o cachorro-quente é terrível. Não recomendo.

Mas ao mesmo tempo o acesso à mercados orgânicos e comida saudável também é muito grande e fácil, apesar de tudo ser mais caro do que as tranqueiras gostosas. É o preço que se paga.

Pois a idade, o peso, as dores nos joelhos, no estômago e no esôfago foram aumentando proporcionalmente com o passar dos anos. E agora eu, que odeio me exercitar, preciso correr atrás do prejuízo.

Na real, não sei se odeio me exercitar. Sou preguiçosa, e isso é um fato da vida, mas acho que talvez não tenha encontrado minha atividade ideal. Gosto muito de natação, mas no inverno, mesmo com piscinas aquecidas, fico assustada.

E já que estou em um momento de tempo flexível e de muitas vontades, comecei a fazer testes. Gosto de correr em um parque perto de casa. Não aguento correr todo o percurso, claro, mas gosto do fato de ser uma situação solitária em que não dependo de ninguém para realizar. Mas isso também é um problema porque, já que a única obrigação é comigo mesma, às vezes a força de vontade some, a preguiça toma conta e não consigo manter uma certa regularidade.

Resolvi então procurar uma outra atividade para revezar com as corridas. Eis que, no fim da tarde de ontem, me vi no meio de uma classe de Bikram Yoga. Descrição básica da aula: sala aquecida a 45 graus, 90 minutos, 26 posições. Me interessei por dois motivos: além dos benefícios da Yoga, de flexibilidade e tal, dizem que emagrece. Segundo: é do lado da minha casa.

Apesar de assustada com as descrições de pessoas que desmaiam ou vomitam na primeira tentativa, fui. Cheguei cedo, fiz a inscrição, paguei 30 dólares por 30 dias e entrei na tal sala para ir me acostumando com a temperatura. Lá dentro os alunos não falavam uns com os outros. Gostei dessa parte. E confesso que não me senti desconfortável com o calor. Me animei.

Até que, na segunda posição, com menos de 10 minutos de aula, passei mal. Acho que a pressão caiu. Fiquei enjoada, tonta, dormente. Como havia sido alertada por Sarah, a instrutora simpática de cabelo meio raspado, meio descolorido, meio cor de rosa, sentei e esperei um pouco. A sala estava cheia e eu era a única “fora de forma” do ambiente frequentado por pessoas de todas as idades e corpos perfeitos à mostra – quanto menos roupa, melhor. Claro que eu estava vestida demais.

Levantei e tentei de novo, sempre estimulada por Sarah que dizia para não me preocupar, que isso era normal, e todos já tinham passado por situação semelhante. Durante muito tempo tentei, me senti mal, sentei, tentei de novo, até o momento em que pensei “que diabos estou fazendo aqui???? Nunca vou conseguir terminar essa mer$%*&ˆ#@*!”, e pedi para sair.

Sarah me acompanhou e, do lado de fora, com a ventilação adequada, ela me convenceu a voltar, nem que fosse para ficar sentada observando os outros e me acostumando com a temperatura. Ah, que fique claro para quem deve estar pensando: “mas ela é baiana, deve estar acostumada”. Em Salvador, não lembro de ter pego mais de 36 graus. Nunca.

Pois bem, morrendo de vergonha, com medo de vomitar ou desmaiar e frustrada por não ter conseguido, voltei para a sala. Ninguém pareceu notar minha presença, ausência ou crise. Todos pareciam concentrados demais em suas imagens refletidas no espelho para perderem tempo com o que acontecia ao redor. Ainda assim, senti vergonha.

Mas voltei, sentei e, quando me senti melhor, tentei acompanhar os exercícios. Não entendia quase nada do que Sarah falava e muitas vezes só descobria o que fazer observando os coleguinhas, mas ainda assim, consegui ficar e fazer a maioria das posições até o final.

Quando a aula terminou, algumas pessoas vieram me dar parabéns por ter voltado e insistido. Foi reconfortante.

Cheguei a pensar em desistir, óbvio, mas já que tenho os 30 dias pagos e a professora me disse que eu só devo me sentir melhor a partir da quinta aula, achei melhor tentar um pouco mais. Gosto de sensação de estar fazendo algo, me mexendo.

Hoje vou de novo. Com menos roupa  e com o mesmo medo de passar mal e passar vergonha. Me desejem sorte.

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Atualização: Desisti após a segunda aula. Continuei passando mal, enjoada, com a pressão baixa e sem conseguir acompanhar a maioria dos exercícios. E eu era a única da classe assim – sabe como é, companhia na dor e na humilhação pública às vezes ajuda a superar mais facilmente…

Mas pensei o seguinte: inevitavelmente há sofrimento – pelo menos no meu caso – em fazer exercícios físicos. Porque insistir em um que ainda aumenta a tortura? Continuarei minhas buscas. Continuo pedindo desejos de boa sorte. :)