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Road Trip USA: O Final E Dicas De Hospedagem

O retorno para Davis, Califórnia, foi calculado para ser dividido em dois dias de mais ou menos 6 horas de estrada, para que a viagem não ficasse muito pesada. Era 31 de dezembro.

Quando acordamos em Flagstaff (Arizona), a cidade – que no dia anterior era fria mas tinha um céu aberto e árvores verdes espalhadas por todo canto – estava coberta de neve. Pois é. Tempestade de neve. Nevasca. Tudo branco. Tudo lindo. Tudo frio. Tudo impossível. E, claro, rodovias fechadas.

Na TV avisavam que se você precisasse pegar a estrada de qualquer jeito – por motivos de emergência extrema -, que colocasse um belo suprimento de água e comida no carro para o caso de ficar preso em algum lugar ermo no meio da neve.

Nem cogitamos voltar. Apesar de ser réveillon conseguimos segurar nosso quarto e lá ficamos, no quentinho do aquecedor, eventualmente vendo a paisagem bonita pela janela, eventualmente vendo maratona “Law and Order: Special Victims Unit” ou algum filme bobo natalino e nos alimentando da pior Pizza Hut que já comi na vida, pedida pelo delivery. Coitado do entregador.

Por isso eu continuo afirmando: previsão do tempo é importante meus amigos. Muito importante.

Mas no dia seguinte a neve deu uma leve trégua e após a divertida ação de tirar quilos de neve de cima do carro (e perigosa também, a partir do momento em que você não consegue mais sentir seus dedos), pegamos a estrada.

Dessa vez, e só dessa vez, o Waze nos mandou por um caminho mais longo, absurdamente mais longo. Motivo: rodovia interditada. Mesmo assim seguimos e, algumas milhas depois, a paisagem desértica chegou para aquecer nossos corações.

Durante essas semanas nos hospedamos em apenas duas redes de hotéis: o Motel 6 e o Super 8. Apesar do nome, o Motel 6 é um ambiente familiar, e não do tipo “feito para sacanagem”. Aqui nos Estados Unidos os motéis costumam ser hotéis básicos que você encontra tanto na beira de estradas quanto no meio das cidades.

Essas duas redes possuem várias unidades, em vários lugares e alguns são muito bem localizados, como o Motel 6 de LA, colado com a super movimentada Hollywood Boulevard. Entre os dois, prefiro o Super 8. Mas não existem grandes diferenças e os preços são bem honestos.

Não reservamos nada antes de viajar. Quando estávamos prestes de deixar uma cidade, fazíamos a reserva pelo site ou pelo telefone para o próxima destino. Isso nos deixou mais livres no caso que algum contratempo acontecer e precisarmos mudar o itinerário.

Relembrando tudo agora para escrever esse texto, eu só tenho a confirmação de que essa foi uma grande viagem. Uma grande experiência. E não vejo a hora de fazer a próxima. Se alguém tiver dúvidas e quiser detalhes detalhadamente detalhados, é só perguntar aqui nos comentários. Será um prazer responder.

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Road Trip USA: O Tempo, Grand Canyon e Flagstaff

Uma dica fundamental para quem vai fazer uma road trip por aí: olhe a previsão do tempo de todas as cidade pelas quais você passará. Rodrigo e eu achamos que apesar de ser inverno, estaria “quentinho” em San Diego (fronteira com o México), e em Las Vegas e no Grand Canyon, afinal, o deserto estaria por ali (o Grand Canyon fica no Arizona e eu sempre ouvi falar do “Deserto do Arizona”, portanto…). Isso foi uma erro; a partir de San Diego pegamos as temperaturas mais baixas da viagem.

Em Vegas, o dia começou com cerca de 3 graus. Quando chegamos no Arizona e fomos atrás da previsão para o dia seguinte, a expectativa era de -15 C. Motivo de pânico, afinal não levamos roupas para isso. Nesse caso, procure o Target mais perto de você. Target é uma loja de departamentos que tem tudo a preços razoáveis – alguns bem baratos, outros não. Até aquele momento acreditamos que faria muito frio e só… Tolinhos.

Vestimos muitas roupas e casacos e enfrentamos um dia lindo, ensolarado e gelado no Grand Canyon. Que lugar espetacular, apesar do meu medo de algum acidente grave acontecer. Não tinha ninguém que avisasse: “não fique muito na beirada” ou “segure seu filho porque ele pode correr, escorregar e morrer com a queda”. Ninguém. É cada um por si com seus medos e bom senso.

Sei que existem ônibus por lá, mas no inverno os horários são bem escassos. O ideal é ir para o parque de carro e parar em todos os pontos de observação que aparecerem pelo caminho – são bem sinalizados e, quando não são, estão facilmente reconhecíveis por carros parados ou simplesmente pela vista espetacular aberta na lateral da estrada.

Existem trilhas para fazer a pé e de bicicleta. No nosso caso, com apenas um dia (o ingresso que você paga, acho que de 25 dólares por carro, vale por uma semana), deu para percorrer os caminhos dos dois lados indicados pelo mapa que pegamos na entrada do parque, no Grand Canyon Visitor Center. É só chegar lá que as pessoas começam a te dizer o que você deve fazer, com as devidas indicações impressas no papel.

As formações rochosas são tão lindas, tão grandiosas e tão diferentes do que estamos acostumados a ver que o marido, que odeia aparecer em fotos, passou o dia inteiro pedindo que eu o fotografasse em várias paisagens diferentes. Sério. O dia inteiro. Acho que nesse dia ele apareceu mais vezes na frente da minha câmera do que juntando todos os outros dias desses quase 5 anos de relacionamento.

No Arizona, ficamos hospedados na cidade de Flagstaff, há cerca de 1h20 do Grand Canyon (a parte sul – South Rim). Existem cidades mais próximas, mas as diárias eram caras ou não estavam disponíveis. Gostei muito de Flagstaff, achei bem fofa apesar da surrealidade da situação que vivemos por lá.

Passamos o dia de sol e frio no Grand Canyon, voltamos para a cidade, demos uma volta no centro – um coisa é certa: a cidade pode ser pequenininha, mas se tem universidade (no caso a Northern Arizona University), pode ter certeza que “downtown” vai ser repleta de barzinhos e movimento -, comemos e bebemos num bar, voltamos para o hotel e dormimos. No dia seguinte, 31 de dezembro, pegaríamos a estrada de volta para Davis, Califórnia. Mas eis que o tempo e toda nossa programação mudou.

A história continua no próximo post. :)

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Road Trip USA: Las Vegas

Las Vegas (que fica no estado de Nevada) foi do jeitinho que eu esperava: super “over”, super brega, super iluminada e super divertida. Parece mesmo ser um lugar feito para diversão mas que, ao mesmo tempo, tem algo mais complexo por trás.

A cidade tem uma ostentação e uma decadência tão próximas que deixa uma atmosfera esquisita no ar. É muita gente pedindo dinheiro nas ruas onde muita gente passa com sacolas da Channel, Prada e Louis Vuitton.

Isso sem falar no surreal ambiente dos cassinos. Decorações extravagantes – alguns mais luxuosos, outros menos – que abrigam pessoas bebendo, fumando e jogando sem parar naquelas maquininhas luminosas e barulhentas. Bem como nos filmes.

A maioria das pessoas que conheci nos Estados Unidos odeia. Eu adorei. Não sei bem porque adorei, talvez pela minha percepção cinematográfica da coisa toda que sempre me deixou super curiosa por esse lugar. Talvez por culpa de CSI. Só sei que quero voltar.

Dica importante: fique hospedado em alguns dos hotéis/cassinos da Strip Street. É a melhor localização para fazer de tudo sem precisar pegar um carro. Acho o “meinho” onde ficam o Flamingo, Mirage, Bellagio, Paris etc, o mais legal. Se você conseguir programar sua viagem para pegar dias de semana, melhor ainda: os preços das diárias ficam MUITO baratos. Não fiquei lá e me arrependi.

Ah, e não acredite quando concierges de hotéis te disserem que os ingressos para os espetáculos do Cirque du Soleil estão esgotados e eles só conseguiriam te vender a opção mais cara. Ignore e vá até o hotel onde acontecerá o show.

No meu caso, que queria ver LOVE, dos Beatles, fui informada no Flamingo que seria impossível conseguir ingressos, ainda mais pela época de feriados de fim de ano. Já no Mirage, onde aconteceria o espetáculo, logo na entrada recebemos cupons de desconto e conseguimos comprar ingressos por um preço ok (U$88) em um ótimo lugar – só os mais baratos estavam esgotados, isso é verdade. E valeu muito a pena.

O legal é que você pode encontrar espetáculos em Vegas de todos os tipos e para todos os gostos. Só o Cirque de Soleil tem vários com propostas diferentes. Queria ver todos. Fora as apresentações musicais, mágicos, stand up – cheguei na cidade exatamente no último dia de apresentação de Jerry Seinfeld e fiquei arrasada porque não sabia e não fui. Pois essa minha experiência ruim pode virar uma dica importante: pesquise o que acontecerá na cidade na data da sua viagem. Não fiz isso e perdi Seinfeld.

Parando para pensar em toda a viagem, foi em Vegas onde fizemos mais coisas em 24 horas. Foi extremamente cansativo, mas uma grande experiência. Vale muito andar na montanha-russa do New York, New York e apreciar uma incrível vista da cidade da High Roller, que é uma roda gigante com cabines imensas onde você passa meia hora, em câmera lenta, rodando, rodando e rodando. É massa.

Por culpa de CSI, que me mostrou em um dos seus episódios uma perseguição na rua com teto iluminado, fiz questão de passar na Fremont Street, que não fica lá no meio do burburinho, mas é bem interessante. Várias imagens são projetadas acima da sua cabeça nesse lugar que reúne várias lojinhas, bares, restaurantes e cassinos toscos.

Se puder, alguma vez na sua vida, vá até Las Vegas. É uma experiência única, sem dúvida. E cuidado para não perder todo o dinheiro da viagem nos cassinos. A tentação é grande.

No próximo post: Grand Canyon, Flagstaff e a previsão do tempo.

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Road Trip USA: Disneyland e San Diego

IMG_20141223_093229Já começo esse texto dando duas dicas fundamentais para quem pretende aproveitar a Disneyland californiana: corra atrás do Fast Pass, opção que existe na maioria dos brinquedos e te permite reservar com antecedência um lugar na “entrada especial”, onde você praticamente não pega fila. Para fazer isso, por favor, guarde o seu ingresso de entrada; é ele que você usará nas máquinas do Fast Pass para marcar seu acesso.

O único problema é que, após pegar um desses “passes”, é preciso esperar algumas horas para ser liberado a pegar outro. Mas ainda assim, vale muito à pena. Dizem que dei sorte, porque a média de tempo nas filas em que fiquei foi de 50 minutos. Achei um saco mas ouvi dizer que poderia ter sido bem pior.

Em todo caso, apesar das longas esperas, me diverti loucamente e gostaria muito de voltar para conhecer o Adventure Park – é humanamente impossível ir aos dois no mesmo dia, além do que são ingressos separados, então o bolso também não aguenta.

Ah, a segunda dica e mais importante de todas: cuidado para não ser atropelado(a) por carrinhos de bebês. Mães e pais insanos dirigem aquelas coisas que parecem mais tanques de guerra buscando vítimas que abram caminho no meio da multidão e, de quebra, ainda ajudem a diminuir as filas. É quase um controle populacional dentro do parque. Tenho pavor de carrinhos de bebês desde então.

Minha outra grande paixão da viagem foi San Diego. Por aqui na Califórnia sempre ouvi as pessoas dizendo que amam San Francisco (eu também!) e odeiam Los Angeles, mas nunca ninguém me falou sobre San Diego. Que cidade linda. Linda, linda, linda.

E que zoológico legal. Dica de ouro se você for visitá-lo (tem que ir!!!): chegue cedo, nove da manhã que é quando abre, e vá direto ver os pandas. Não sabíamos da concorrência frenética por espaço naquele lugar específico e ficamos andando, tranquilamente, enquanto o zoo estava super vazio, nos divertindo com os outros bichos – muito amor pelos coalas.

E aí, na hora dos pandas, enfrentamos uma longa fila e muita pressão para andar rápido: resultado, mal deu para tirar fotos e aproveitar o momento de estar pertinho de seres tão fofos que comem bambu como se estivessem palitando os dentes.

Depois recomendo muito um passeio pelo Balboa Park, que é onde o zoo está localizado. É incrível, com construções fantásticas, praças, fontes, museus… é um lugar daqueles que para onde você olha tem algum detalhe bonito, sabe?

O que eu não recomendo é alugar bicicletas duplas ou triciclos para fazer o reconhecimento do local. Não vale a pena. Tudo é muito cheio, você mal consegue sair do lugar e a preocupação de atropelar alguém (ao contrário das mães e pais psicopatas já citados) faz com que o passeio seja tenso. Vá por mim, caminhe porque tudo é bem pertinho, agradável e surpreendente; a cada portinha que você ultrapassa, em cada jardim onde você entra, em cada esquina que você vira tem algo bacana para ser visto.

E além do parque e do zoo, Coronado Island é um caso à parte. A pequena ilha é ligada à cidade por uma ponte e tem a cara da riqueza. Pelo visto, é a moradia dos ricos de San Diego. Casas lindas, praias lindas, pôr-do-sol lindo e um mega resort deslumbrante que é atração turística do local. Tanto a vista da ilha para a cidade, quanto a vista da cidade da ilha são incríveis. Quase me senti no Porto da Barra olhando para Itaparica (ê saudade da Bahia).

Ah, San Diego, eu realmente gostei de você.

E no próximo post: Vegas, baby!

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Road Trip USA: Los Angeles

Turistas sendo turistas (Foto: Divulgação)

Depois do paraíso de Santa Bárbara, chegamos no inferno das rodovias de Los Angeles. Todo mundo que conheço sempre falou muito mal da cidade por causa do seu trânsito caótico. Minha primeira experiência por lá, há alguns anos, foi rápida e tranquila, afinal, era feriado. Mas dessa vez a impressão da chegada foi terrível.

Você pode estar no centro da cidade e, ao virar para esquerda – ou direta, se preferir -, cair numa rodovia de alta velocidade com pessoas que dirigem feito loucas (até matei a saudade da Avenida Paralela, em Salvador). É como se a cidade toda fosse formada por uma teia das horrendas Marginais (agora a referência foi paulistana).

Isso sem falar nos valores abusivos dos estacionamentos. Encontramos um shopping em downtown e paramos lá por cerca de duas horas. Só porque não lemos direito as placas e não colocamos o carro nos pisos A,B,C de baixo, e sim no J, de cima, pagamos 27 dólares. Por duas horas. Nos pisos de baixo teríamos pago 4. Foi um assalto, à luz do dia, e consentido por nós, famintos e perdidos que não prestamos atenção no diabo da placa.

Portanto, se puder, não dirija por lá. O primeiro dia de passeio foi super tenso por causa das tais rodovias (freeways) que nos levaram até a cidade de Anaheim, há uns 40 minutos de LA, onde fica a Disney. Por causa disso e do cansaço extremo acumulado no dia anterior, largamos o carro no hotel e passamos um dia inteiro usando aqueles ônibus turísticos com visão panorâmica na parte de cima, sabe?  Bem esquema turistão. Eu adoro!

O “Hop-On, Hop-Off” salvou nossa vida. Fomos para Santa Mônica (no famoso píer e parque de diversões, com direito a andar em roda-gigante e montanha-russa), passamos por Beverly Hills, pelo centrão, por Chinatown… de ônibus a cidade me pareceu muito mais interessante.

Nós compramos as passagens de um dia que nos permitiam pegar qualquer ônibus da empresa, em qualquer trajeto, durante 24 horas, em frente ao Chinese Theatre na Hollywood Boulevard.

Para quem não conhece, essa é a rua obrigatória para todo turista: tem a calçada da fama, tem o povo fantasiado para tirar foto (vi um Bob Esponja xavecando – com a voz do personagem – uma ajudante de Papai Noel em trajes ínfimos), tem o lugar onde acontece a cerimônia do Oscar, tem três camisetas por $9,99…

O único momento em que pegamos o carro nesse dia, 24 de dezembro, foi para chegar até a casa dos queridos Salem e Carol, que nos convidaram para jantar. Valeu a pena: noite agradável, comida boa e sem freeways no caminho. Milagre natalino.

No próximo post: dicas para se dar bem na Disneyland e no Zoológico de San Diego.