Paloma Guedes

De tudo um pouco sobre o penso, o que faço, o que falo…

Road Trip USA: Museu do Snoopy e Santa Barbara — 23/01/2015

Road Trip USA: Museu do Snoopy e Santa Barbara

Se você gosta do Peanuts, vale muito dar uma passada no Museu de Schulz, que fica em Santa Rosa, na região de Sonoma. Segundo George – guia que antes de começar a falar sobre a vida do criador de Snoopy quis dar umas dicas locais para os turistas -, as vinícolas de lá são muito melhores e mais baratas do que as da “super-valorizada” região de Napa Valley. Não tivemos tempo de conferir a veracidade da informação, mas esse, sem dúvida, será um bom estímulo para mais uma viagem.

Deixando os vinhos de lado, o museu é uma graça e vale muito esperar para acompanhar a visita guiada, com histórias interessantes sobre o desenhista e seus “filhos”. Fora a fofura das paredes cheias de desenhos, exposições, quadros e esculturas baseadas em Charlie Brown e seus amigos dos quadrinhos.

Lá também existe uma sala de cinema onde são exibidos documentários e filmes dos personagens. E ainda por cima, dentro do “Warm Puppy Cafe”, existe uma pista de patinação para quem quiser se aventurar sobre o gelo. E, claro, uma passada é mais que obrigatória na enlouquecedora loja de souvenirs.

Sobre Santa Barbara eu não tenho muito o que falar: foi amor à primeira vista. Ela é linda, pequena, charmosa e fica em área de tsunami, só para dar mais emoção ao ambiente. A cidade me lembrou muito Berkeley, só que menor e mais legal.

A State Street é uma rua imensa e a mais interessante para se hospedar. É onde o agito acontece: cheia de lojas, bares, restaurantes, cinemas e gente perambulando de uma lado para o outro. Tipo uma Oscar Freire – pela reunião de lojas caras, descoladas e um ambiente meio chiquetoso -, só que legal, sem aquela cara de cenográfica com pessoas pagando de figurantes que parecem estar passando fome para segurar a expressão blasé. Dá gosto de caminhar por lá.

Seguindo pela State Street em direção ao mar, você encontra o Stearns Wharf, um píer com lojas e lugares para petiscar. Essa área toda é uma delícia porque, além do píer, você tem um calçadão inteiro de orla para andar, olhar o mar, as montanhas e, se der, sentar na areia e esperar o pôr-do-sol chegar e sair. Tão Califórnia…

No próximo post, a caótica Los Angeles.

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Quando Michael Douglas deixou de ser machão — 19/10/2013

Quando Michael Douglas deixou de ser machão

Michael Douglas e Matt Damon em ‘Behind the Candelabra’

Não tem jeito: o que mais atrai a curiosidade sobre ‘Behind The Candelabra’ (‘Por Detrás do Candelabro’ em português) nem é a história do romance entre Liberace e Scott Thorson. O mais interessante é ver Michael Douglas interpretando o personagem. Afinal, Douglas é o ‘José Mayer mundial’: aquele ator que sempre interpreta o ‘macho alfa’, o ‘pegador’, o ‘homem de negócios implacável’, o ‘tira durão’, o ‘irresistível’. Fora que o fato de ser ninfomaníaco na vida real só aumenta esse seu status de super-galã.

E aí vem a notícia de que é ele quem fará o pianista super afetado coberto de ouros, perucas e brilhos. Sim, Liberace era gay mas fazia de tudo para esconder isso. E essa é uma das partes importantes do filme que ganhou 11 prêmios Emmy.

A história, baseada em um livro escrito por Scott, foi dirigida por Steven Soderbergh (de ‘Sexo, Mentiras e Videotape’, ‘Traffic’, ‘Erin Brockovich’, ‘Onze Homens e um Segredo’, ‘Che’ etc) e pensada inicialmente para os cinemas mas, sem conseguir financiamento, foi produzida pelo canal de TV HBO.

Mais no Yahoo.

A diferença fundamental entre o peixe e o frango — 14/10/2013

A diferença fundamental entre o peixe e o frango

Em muitos momentos da vida (e são vários) eu não consigo diferenciar o gosto de frango e peixe. E nem de peixe eu gosto muito. Só quando ele está empapuçado de dendê. Ou absurdamente bem temperado. Ouvi falar recentemente de um peixe com queijo coalho e banana. Desse eu provavelmente gostaria.

Mas sim, eu tenho essa incapacidade degustativa. Às vezes não sei diferenciar sabores.

– Esse bolo é de quê?

– Hmm, não sei.. talvez de fubá, talvez de ovo, talvez de milho ou talvez de côco…

– E essa torta?

– Palmito? Cogumelo? Acho que pode ser de um dos dois. Ou dos dois juntos..

– Você provou o suco? De que é?

– Acho que é de mangaba… mas também pode ser de abacaxi… pera, parece que é de mamão…

Fico confusa e aflita por não conseguir. Mas só fico assim quando me perguntam. Quando estou comendo, se não for desagradável ao meu limitado paladar, não me importo tanto. São a pressão social e os olhares de estranhamento/desprezo que me fazem questionar o porquê disso – sempre sem sucesso. É um problema da língua? Da garganta? Do cérebro?

Será que sou tão distraída que não consigo absorver sabores e deixá-los armazenados na parte da minha memória que serve para isso? Ou sou apenas seletiva: se não importa tanto, se não vai me fazer sentir aquele prazer imenso da entrega plena ao pecado da gula, então nem preciso saber do que se trata.

Eu sei diferenciar nutella de chocolate ao leite. Melão de melancia. Pão de sal de pão de leite. Queijo prato e provolone. Mas tive dúvidas entre carne do sol e carne seca.

Significa que mesmo o que é prazeroso (afinal, eu gosto de frango e carne do sol) também pode me trazer confusões, incertezas e imprecisões.

Duvidei disso em algum momento?

Instinto de caçador — 11/06/2013
O poder da capa vermelha — 21/11/2012

O poder da capa vermelha

Gosto muito de seriados e alguns posts deste blog deixam isso óbvio. Mas nunca tinha escrito antes por aqui sobre outro tema que me agrada bastante: moda. Hoje quero tentar misturar os dois. Consumo muita informação sobre o assunto diariamente. Acesso blogs, galerias de fotos em sites, leio revistas etc. Gosto dos temas de “mulherzinha”, das roupas, sapatos, acessórios, maquiagens e penteados.

São detalhes tão presentes no dia a dia das pessoas – sim, incluo homens nessa questão também – que mesmo aqueles que usam o discurso “ah, não ligo para essas coisas” são influenciados direta ou indiretamente pelas tendências mundiais. Isso, inclusive, me lembra uma belíssima demonstração de Meryl Streep em O Diabo Veste Prada para a personagem orgulhosamente desleixada de Anne Hathaway. A cruel Miranda Priestly explica por a+b como aquela cor específica de suéter que Andy Sachs usava, provavelmente comprado em uma loja de departamentos, não era daquela cor e daquele modelo à toa. É bem por aí. Acho bem boboca quem pensa que gostar de moda transforma automaticamente alguém em uma pessoa fútil.

E já que eu adoro fazer relações de tudo com o audiovisual, porque não falar sobre figurinos de seriados? Pois bem, resolvi então compartilhar com vocês essa mistura bacana feita em Once Upon a Time que, apesar do início meio esquisito e da incapacidade irritante de usar de forma decente o chroma key, me conquistou.

Na série, a grande maioria dos personagens vive em dois mundos: o dos contos de fadas e o de uma cidadezinha interiorana dos Estados Unidos nos tempos atuais. Então, como representar nas roupas do dia a dia algumas características de quando eles eram os famosos personagem que, desde sempre, vivem no imaginário de crianças e pós-crianças que cresceram acompanhando suas histórias?

Pois eu acho que a ideia principal foi exatamente sair do óbvio – na mundo do faz de conta colocar o que todo mundo espera ver mas, na vida real, modernizar mesmo o guarda-roupa de todos. Mas quem me agradou mesmo foi a personagem que usa uma forte referência da fantasia. Já explico.

A Rainha Má (interpretada por Lana Parrilla), por exemplo, é super moderna e tem um figurino de matar Lady Gaga de inveja, mas só quando é dona de uma castelo e esbanja poderes mágicos. São mangas exageradas, golas imponentes, collants bordados e chapéus extravagantes – sempre abusando do preto e vez ou outra um roxo, como a clássica rainha do desenho de Walt Disney.

Já como Regina, prefeita de Storybrooke, ela é clássica, básica, sem nenhum glamour. Prioriza os tons escuros mas vez ou outra aparece com uma camisa branca. Não existe nenhuma referência forte ao seu “outro eu” nas suas roupas, apenas na árvore de maçãs vermelhas que ela cultiva no jardim da casa onde mora.

Já a Branca de Neve (Ginnifer Goodwin) não usa branco o tempo todo (nem azul, amarelo e vermelho ao mesmo tempo). Ela varia entre o super cabelão com roupas de guerreira em tons de bege – acredito eu que para ajudar na camuflagem da floresta – e um visual romântico de professora primária Mary Margaret, cheio de saias, vestidos e casacos coloridos.

Apesar da roupa não ser nada de mais (eu usaria várias peças mas gostaria de algo mais interessante para a personagem, com mais personalidade), o corte curtíssimo é responsável por acabar com a sem gracisse do look; ela é a única que tem cabelos diferentes nos dois mundos, o que acaba também com a “cara de princesa”. Talvez porque, na “vida real” da história, ela é mais a mãe de uma heroína do que a Branca de Neve em si.

De todas, a minha preferida é Ruby (Meghan Ory), a Chapeuzinho Vermelho. Ela é a única que tem uma característica muito específica que faz com que seja impossível não saber quem ela era, mesmo sem apresentações.

Sua lindíssima capa com capuz cor de sangue está mais que presente quando a moça enfrenta perigos – ou até mesmo se torna um deles – na floresta, porém, quando os figurinistas a colocaram como garçonete no bar Granny’s, abusaram da piriguetice não deixando de lado, NUNCA, a cor que a define.

Seja no batom, numa boina ou em mechas coloridas em seu cabelo escuro, a moça, que também é lindíssima, se destaca como um ponto vermelho na multidão. E funciona muito bem para a personagem.

De forma geral, os figurinos de contos de fadas são incríveis para estimular o imaginário de quem gosta das histórias e os da vida real são boas referências para quem busca inspirações contemporâneas para o dia a dia. Nada além disso.

E pasmem: o chapeleiro maluco não usa chapéu.