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Quando Michael Douglas deixou de ser machão

Michael Douglas e Matt Damon em ‘Behind the Candelabra’

Não tem jeito: o que mais atrai a curiosidade sobre ‘Behind The Candelabra’ (‘Por Detrás do Candelabro’ em português) nem é a história do romance entre Liberace e Scott Thorson. O mais interessante é ver Michael Douglas interpretando o personagem. Afinal, Douglas é o ‘José Mayer mundial’: aquele ator que sempre interpreta o ‘macho alfa’, o ‘pegador’, o ‘homem de negócios implacável’, o ‘tira durão’, o ‘irresistível’. Fora que o fato de ser ninfomaníaco na vida real só aumenta esse seu status de super-galã.

E aí vem a notícia de que é ele quem fará o pianista super afetado coberto de ouros, perucas e brilhos. Sim, Liberace era gay mas fazia de tudo para esconder isso. E essa é uma das partes importantes do filme que ganhou 11 prêmios Emmy.

A história, baseada em um livro escrito por Scott, foi dirigida por Steven Soderbergh (de ‘Sexo, Mentiras e Videotape’, ‘Traffic’, ‘Erin Brockovich’, ‘Onze Homens e um Segredo’, ‘Che’ etc) e pensada inicialmente para os cinemas mas, sem conseguir financiamento, foi produzida pelo canal de TV HBO.

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It What?

Alexa Chung sensualizando em foto do Instagram
Alexa Chung sensualizando em foto do Instagram

It Girl é um termo que está super na moda. Na verdade, agora será mais que popularizado porque Amora (Sophie Charlotte), uma das protagonistas da nova novela da Globo (Sangue Bom) faz parte de grupo de mocinhas que “ditam tendências” por aí. Mas não é de hoje que a TV e o cinema retratam esse universo.

Segundo a Wikipedia, a pronome inglês “it”, que complementa o termo, foi usado para designar algo de destaque em uma história do escritor e poeta britânico Rudyard Kipling (1865-1936) que usou a palavra da seguinte maneira: “Não é a beleza, por assim dizer, nem uma boa conversa, necessariamente. É só ‘it'”.

Em 1927 foi lançado um filme chamado It, protagonizado pela atriz Clara Bow que contava a história de uma garota que trabalhava numa loja e jogava todo o seu charme para cima do chefe bonito e rico. Essa foi a primeira It Girl do cinema.

Edie Sedgwick, que além de “seguidora” de Andy Warhol fazia o combo atriz-modelo-socialite foi uma das famosas representantes da classe nos anos 60 e teve sua vida retrata na cinebiografia, Factory Girl, com Sienna Miller.

Confesso que nunca tinha pensado nesse termo e nessa nova “profissão” até começar a ver a figura de Alexa Chung frequentemente na TV e em sites como a “it” do momento. Ela é inglesa, foi modelo, participou do reality show Shoot Me da Fashion TV em 2005, namorou Alex Turner do Arctics Monkeys (ponto para ela!), tem um rosto bonito, pernas finas e usa roupas que, na grande maioria das vezes, parecem uma tentativa desesperada de ser diferente, misturando o clássico da Channel com o que há de antigo do brechó.

Virou exemplo de elegância e do que as adolescentes deveriam usar mesmo que, para quem mora no Brasil e nunca tenha sequer visto o tal reality ou um dos programas que ela fez em TV’s britânicas, sua única função seja aparecer em primeiras filas de desfiles. Porque o que importa é isso: não precisa falar, ser divertida, inteligente nem nada do tipo. Basta, apenas, usar roupas e acessórios legais e abusar da pose em redes sociais. Se tiver outras características, aí é lucro.

Nos Estados Unidos existe uma cultura bem pesada desse tipo de “programa de verdade” cheio de roteiros e artifícios fakes que revelam as “estilosas” do momento. The Hills, da MTV, mostrava a rotina de Lauren Conrad (saída de outro reality, Laguna Beach) na escola de moda em Los Angeles, suas amigas, namorados e trabalhos.

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Lauren virou dona de site de beleza, marca de roupas e escritora de livros – porque algumas “it’s” se aproveitam muito bem de toda a exposição para ganhar dinheiro. The Hills gerou um outro spin off (série feita a partir de personagens de outra série), The City, quando Whitney Port, uma das melhores amigas de Lauren, aceita um emprego e vai trabalhar com moda em NY. Whitney também lançou posteriormente uma marca de roupas.

Em The City conhecemos a “vilã” da história: Olivia Palermo, que se tornou umas das “super-it’s” do mundo: é muito rica, vive fazendo cara de nojo para as pessoas (no melhor estilo Victoria Beckham) e esbanja um guarda-roupas, ops, closet, invejável. Mesmo sendo herdeira, Olivia, assim com todas as outras garotas desses programas trabalham, claro, em revistas famosas ou com estilistas glamurosos – empregos difíceis de serem alcançados por simples mortais.

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Gossip Girl é um exemplo ficcional que demonstra a importância desse universo, principalmente entre as adolescentes. É uma série de muito sucesso que tem duas protagonistas riquíssimas de Upper East Side em Manhattan (onde os chiques do mundo vivem) e que tem como ponto principal – além das fofocas, intrigas, romances e traições – o figurino extravagante de todo dia.

O responsável pelas peças incríveis usadas por Blair Waldorf, Serena van der Woodsen e seus amiguinhos é Eric Daman, ex-modelo que foi assistente de Patricia Field em Sex and the City.

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Em termos de ficção, a pioneira nessa exaltação bem sucedida de estilo foi, sem dúvida alguma, a série que que transformou a atriz Sarah Jessica Parker em ícone mundial da moda. E, claro, uma das grandes responsáveis por isso foi Field, figurinista do seriado e dos dois filmes que apareceram após o final dos episódios sobre Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha.

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Inclusive Patricia Field foi responsável pelo figurino de um grande sucesso do cinema que retratou o universo da moda e sua importância da vida e trabalho de muitas pessoas, apesar de não ficar muito clara essa questão das it’s girls: O Diabo Veste Prada. A personagem principal (Anne Hathaway) muda completamente seu estilo para se adequar ao ambiente de trabalho, mas não necessariamente se transforma em ícone fashion a ser seguido. Não na tela, talvez fora dela.

Não consigo pensar em nenhum produto audiovisual brasileiro que influencie tanto na moda como as séries e realities gringos que citei e criam ícones de moda e estilo.

Talvez o Show da Xuxa nos anos 80 com suas botas brancas e ombreiras com tachinhas, ou mesmo a moda de personagens de novelas que acaba nas ruas. Mas isso é consequência da exposição diária dos personagens e, claro, influência mercadológicas dos produtores. Quando a novela acaba, a moda também some.

Mas será que recentemente existiu algo que influenciasse no estilo de brasileiros e brasileiras de forma avassaladora? Talvez a versão nacional de Rebeldes? Mas aí já havia a influência do sucesso da novela original. O reality Mulheres Ricas? Bem, acho que não.

Acho que isso não acontece no Brasil por dois motivos: o primeiro é que a it’s tupiniquins são deslumbradas demais com o universo gringo e isso basta – já que tudo o que elas exibem vem de fora mesmo. O segundo motivo seria a limitação de tempo: seriados duram muitos anos com aquelas pessoas e aquelas roupas fazendo uma “lavagem cerebral” e desesperando quem não consegue se vestir como as personagens. Pensando assim, que bom que as novelas duram só alguns meses.

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As várias formas de amar

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Em tempos de intolerância, preconceito, violência e grandes batalhas contra tudo isso, finalmente assisti a um filme que há muito tempo tentava ver sem grande sucesso.

Beginners, que numa tradução literal seria “Iniciantes” mas algum fã de Lulu Santos o batizou como Toda Forma de Amor, é incrível. Lançado em 2010, ele foi responsável por encher a prateleira do veterano Christopher Plummer de prêmios – incluindo um Oscar de ator coadjuvante.

Dirigido por Mike Mills, que se inspirou em sua própria história para escrever o roteiro, Beginners acompanha a vida de um desenhista interpretado pelo lindo e ruivo Ewan McGregor. Com a morte do pai (Plummer), Oliver, que claramente não é uma pessoa que consegue demonstrar seus sentimentos, relembra fragmentos da infância e da época em que, após 44 anos de casado e da morte da esposa, Hal, o pai, assume que é gay.

A partir daí acompanhamos de forma linda, sensível e sutil através do olhar do filho, muito participativo e sem qualquer tipo de preconceito ou dor, essa mudança de vida do pai que transforma completamente o seu mundo. Hal muda o guarda-roupa, os lugares que frequenta, arruma novos amigos e até mesmo um namorado. É incrível e, como citei acima, perfeito para ser mostrado ao universo como exemplo de que, essa forma de amor – será que a pessoa do título pensou nisso? – deve ser aceita de maneira natural, afinal, é pura e simplesmente AMOR.

Como não existe uma linearidade temporal no filme, descobrimos ao mesmo tempo diferentes aspectos e momentos importantes da vida de Oliver. Sua infância com um pai ausente e uma mãe meio louca; a “saída do armário” e descoberta da doença de Hal; o início de uma paixão com a atriz francesa Anna (interpretada pela linda Mélanie Laurent, a Shosanna de Bastardos Inglórios) e, por fim, o carinho e dependência entre Oliver e Arthur, o cachorro de Hal que passou a morar com ele após a morte do dono.

Essa relação entre Oliver e Arthur é deliciosa. Em um momento solitário e de grande sofrimento onde os dois precisam fazer companhia um ao outro, eles estabelecem diálogos que podem ser pensamentos de Arthur traduzidos na tela ou simplesmente a imaginação de Oliver dando palavras para o seu novo companheiro.

Uma das coisas de que mais gostei do filme, além da trilha sonora, é o recurso de imagens antigas e narração rápida por parte do personagem principal para situar a temporalidade e o mundo de onde cada um dos outros personagens veio, mas de forma bem generalista e básica. Além das ilustrações bacanudas feitas por ele em seu local de trabalho. Até porque, Oliver é extramente interessante. Só alguém muito interessante iria para uma festa à fantasia vestido de Freud.

Assisti a Beginners no Telecine Touch e recomendo que você, se ainda não viu, dê um jeito de levar essas histórias de amor para a sua vida.

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O Papa não quer mais ser Pop

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E bem no meio da festa profana, eis que notícias vindas do Vaticano tomam conta dos holofotes. O Papa não quer mais brincar de ser Papa.

Nesse momento eu só consigo pensar no divertido filme de Nanni Moretti, “Habemus Papam”, que mostra o processo de escolha do próximo líder religioso da igreja católica e como esse posto não é tão disputado assim.

Quem puder encontrar, assista. O momento é propício.

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Quem não quer ser vampiro?

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Não existe nada mais legal no mundo do que virar vampira. Sério, você não precisa ter a menor expressão facial, o menor sex appeal, não precisa, sequer, ser interessante. Basta dar umas mordidinhas no lábio inferior que um incrível mundo novo se abrirá para você.

Porque, convenhamos, desde Crepúsculo, Bella Swan (Kristen Stewart) achava sensacional ter a pele pálida e fria, não dormir nunca e se alimentar de bichinhos na floresta – fora a parte de perder a alma e do esforço físico e sofrimento para não morder pescoços humanos por aí.

Fato que é Stephenie Meyer (a escritora dos livros) glamurizou a vampirada de tal forma que toda a cara de sofrimento de Edward (Robert Pattinson) nos quatro primeiros filmes da saga foi por água abaixo quando ele agradeceu ao seu criador Carlisle (Peter Facinelli), no episódio final, pela transformação em imortal. Porque, no fim de tudo, todo sapato velho quer apenas um pé cansado para se aconchegar.

E os vampiros da saga são ricos, têm ilhas particulares no litoral do Rio de Janeiro, closets invejáveis, não envelhecem nunca, têm super poderes e ainda fazem sexo loucamente sem nenhuma preocupação. Quem não queria essa vida? Acho, inclusive, que se o pessoal de True Blood* soubesse dessas regalias, como a parte de não virar churrasquinho e apenas “brilhar como diamantes” na luz do Sol, eles largariam imediatamente a vida caótica em Bon Temps e correriam para Forks**. Até eu, sairia de São Paulo e ofereceria meu pescoço para um Cullen, se o clã já não estivesse completo em pares.

Pois Amanhecer – Parte 2 encerra dignamente a história baseada nos livros que viraram febre mundial (não, nunca li nenhum e nem tenho vontade). Na verdade, esse é o melhor de todos os filmes, posto que não é muito difícil de ser alcançado. Mas fora o bebê feito digitalmente, gostei dos efeitos, inclusive os de luta, e da construção do roteiro que, dessa vez, não deixou tantas pontas soltas como nos passados. Gostei.

Porque, assumo aqui, vi todos, muitos deles no cinema. Acho Kristen Stewart a PIOR atriz do mundo mas descobri recentemente porque os diretores devem gostar de tê-la no elenco (ops, desculpem pelo momento veneno***). Robert Pattinson é lindo. E o resto funciona bem, fora o excesso de pó para simular a grande palidez dos mortos vivos e os cabelos estranhamente descoloridos em atores que são originalmente morenos. Gosto dos personagens da família Cullen, de Charlie e até dos índios-lobos-naturalmente-sem-camisa.

São filmes ótimos para quem apenas quer se distrair e dar risadas no cinema. Não dá para esperar mais do que isso. E, sinceramente, nem sempre o cinema precisa ser feito para despertar sentimentos e pensamentos profundos, não é mesmo?

Mas se você quiser assistir, após a experiência água com açúcar citada acima, coisas muito bacanas e bem feitas com a temática de caninos proeminentes, indico profundamente Deixa Ela Entra (o original sueco, por favor), Dácula de Bram Stoker (porque Coppola e Gary Oldman são incríveis) e Entrevista com Vampiro (ah, Tom Cruise loiro é massa de assistir).

E para homenagear os meus queridos sugadores de sangue, eis uma lindíssima canção que foi feita e, nesse vídeo que encontrei na internet, interpretada por Jorge Mautner, chamada Vampiro. É linda. Inclusive Caetano Veloso gravou uma versão sensacional dela no disco Cinema Transcendental – outra dica para você!

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* True Blood: seriado da HBO criado em 2008 por Alan Ball que conta a história de Sookie Stackhouse (Anna Paquin) e sua relação com vampiros e vários seres estranhos que aparecem em Bon Temps, na Louisiana. É uma espécie de Buffy, a Caça Vampiros para adultos. ADORO!

** Forks: cidade localizada em Washington onde os personagens principais dos livros e filmes de Crepúsclo moram. 

*** A fofoca: uma revista de celebridades estampou em uma de suas capas em 2012 fotos comprometedoras da atriz Kristen Stewart  com  Rupert Sanders, que a dirigiu em Branca de Neve e o Caçador. Ele era casado e ela namorava com Pattinson. Parece que todos foram perdoados por seus respectivos pelo “deslize” e continuam felizes para sempre. Até a próxima semana, quem sabe.