Paloma Guedes

De tudo um pouco sobre o penso, o que faço, o que falo…

Paloma e seu look do dia — 03/03/2015

Paloma e seu look do dia

Eu gosto de selfies. Não tenho nada contra. Acho massa quem gosta de tirar e acho massa a possibilidade de você até poder ver na hora o seu melhor ângulo para sair bonita na foto. Faz bem. Eleva a auto-estima que vez ou outra fica baixa.

Confesso que ainda sou meio tímida nessa arte e só recentemente, após 30 e tantos anos de vida, descobri que meu melhor lado é o esquerdo. E olha, isso faz uma diferença absurda. Um novo mundo se abriu quando percebi porque eu odiava tanto determinadas imagens minhas. Porque era ele, o lado direito que estava ali, proeminente, jogando na minha cara, com a minha cara, meus grandes defeitos. O nariz. Ah, o nariz. Quebrado em várias partes, operado algumas vezes mas que nunca voltou a ser bonito. Mentira, bonito ele nunca foi, mas bem que poderia ser menos estranho sem tantos recortes e curvas fora do lugar.

Mas deixemos o nariz quieto. Tenho pensado muito nessa questão física. Estou acima do peso e engordei pelo menos 5 kg em um período muito curto de tempo antes de viajar para os Estados Unidos. Resumindo, a maioria das roupas que trouxe não cabem mais.

Como a grana está curta – o dólar está pela hora do morte -, não dá para ficar comprando muita coisa nova e eu sempre ficava na dúvida achando que poderia emagrecer e aí as novidades também não seriviram mais, só com ajustes de costureira que, pelo preço dos serviços aqui, eu nem cogitaria procurar. Resultado: passava os dias me sentindo feia e “malamanhada” porque só vestia as mesmas roupas que cabiam e escondiam o meu corpo.

Comecei a fazer natação, fiquei de maiô e até pelada na frente de um monte de gente (calma, a Califórnia não me transformou em hippie; me refiro ao vestiário feminino e isso é história para outro post). Perdi dois quilos que, na minha atual percepção, não fizeram diferença nenhuma. Mas o que acontece é o seguinte: cansei de me auto-depreciar. Cansei de me sentir feia. Tô acima do peso? Paciência! Isso não significa que não posso me sentir bem – nesse momento estou falando apenas da estética, não da saúde.

Entrei há pouco tempo no Instagram e comecei a seguir um monte de famosas bonitonas para ver se elas me “inspiravam” de alguma forma. De início eu fiquei deprê com as comparações, mas depois comecei a ver que meu português é melhor do que a maioria, assim como meus gostos cinematográficos, literários e meu senso de humor (temos que valorizar nosso melhor, né minha gente?). E aí, foi partir para trabalhar a cabeça e deixar dessa paranóia louca de que só serei bonita magra. Até porque, se eu não acho que isso funcione para uma infinidade de mulheres lindas que pesam muito mais que 70 quilos, porque seria regra para mim? E resolvi, aos poucos, fazer mudanças.

Continuo firme na natação. Não estou fazendo uma dieta restritiva, mas evito certos excessos. Aos poucos, posso perder os quilos indesejados. Mas decidi que não vou mais deixar de comprar roupas que acho bonitas por achar que não servem. Sei de vários lugares bem baratos por aqui e toda vez que ía neles ficava arrasada achando que aquele vestidinho lindo ou aquela saia maravilhosa ficariam ridículos em mim – até porque, pelo amor de deus, quando é que as lojas de departamento vão entender que a luz certa nos provadores fazem uma diferença absurda?

Pois bem, decidi que vou ficar bonita para mim. E vez ou outra vou fazer um “look do dia” no meu espelho de casa que corta a minha cabeça mas é o único que tenho. Quando o marido estiver disponível, peço ajuda. Mas acho esse um bom exercício de auto-estima. Fora a diversão de pensar em combinações legais e que fiquem boas no corpo que tenho agora.

Por exemplo, é muito interessante, para quem me conhece, perceber como de uns tempos para cá as cores dimiuíram. Sempre gostei de usar cores berrantes e estampas – até demais, assumo. Mas exatamente por causa dessa minha fase esquisita, foquei no preto. Tenho achado elegante e bonito e espero começar a usar mais preto por esses que são os motivos certos.

Essa camiseta da foto é da H&M. Estava com um amigo na loja o ajudando a escolher umas coisas e, já que estava lá, peguei várias peças. Na segunda que experimentei fiquei arrasada porque não coube ou não funcionou bem. Provavelmente porque eu ainda escolhia coisas com a cabeça de quem pesava vários quilos a menos, grande erro.

Pois lá estava eu, jururu num canto, desiludida com as compras frustradas, mas feliz de ter ajudado o amigo que escolheu umas peças ótimas para ele, e eis que vejo uma promoção: duas camisetas por 10 dólares. Peguei as maiores, essa preta e uma vermelha, e elas viraram minhas companheiras inseparáveis de tudo: são larguinhas mas têm um decote bonito, feminino.

Recentemente, após todos esses meus questionametos, fui em um brechó com um grupo de amigas. E lá encontrei essa saia maravilhosa, da altura certa para conseguir andar de bicicleta (sim, Davis é uma cidade incrível para se viver mas terrível se você quiser passear arrumadinha por aí, afinal, bike como meio de transporte limita as opções – mas também já estou fazendo boa adaptações em relação à isso).

A saia é básica, preta, não me aperta e me deixa com cara de chique. E o melhor, foi baratinha, baratinha. Já o cinto…. ah, por esse confesso que me apaixonei. Adoro uma cintura marcada, e quando vi tantos detalhes nesse marrom de couro não resisti. Do brechó, baratinho também. Juntei tudo e saí feliz pela rua, me sentindo voluptuosamente orgulhosa do meu look do dia e do que um tiquinho de auto-estima pode fazer com o nosso humor.

P.S.: A capinha do celular é da Amazon mesmo. Preciso trabalhar melhor esses ângulos para que meus looks fiquem mais “profissas”. E limpar melhor esse espelho. :)

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Eu e a Bikram Yoga — 15/01/2015

Eu e a Bikram Yoga

Tentando colocar em prática minhas resoluções de ano novo, um dos tópicos mais importantes é perder peso e ser mais saudável. Coisa que aqui nos Estados Unidos não é lá muito fácil já que adoro um café da manhã com ovos, batatas, bacon, panquecas, os pães de canela, cinnamon roll, sorvetes e Reeses (chocolate com recheio de paçoca).

Até as pizzas, das quais sempre falei mal, caíram no meu gosto. Conto o segredo: as ruins são “New York style”. São finas e com pouco recheio – traumatizantes. Agora as de “Chicago” são outra história… já o cachorro-quente é terrível. Não recomendo.

Mas ao mesmo tempo o acesso à mercados orgânicos e comida saudável também é muito grande e fácil, apesar de tudo ser mais caro do que as tranqueiras gostosas. É o preço que se paga.

Pois a idade, o peso, as dores nos joelhos, no estômago e no esôfago foram aumentando proporcionalmente com o passar dos anos. E agora eu, que odeio me exercitar, preciso correr atrás do prejuízo.

Na real, não sei se odeio me exercitar. Sou preguiçosa, e isso é um fato da vida, mas acho que talvez não tenha encontrado minha atividade ideal. Gosto muito de natação, mas no inverno, mesmo com piscinas aquecidas, fico assustada.

E já que estou em um momento de tempo flexível e de muitas vontades, comecei a fazer testes. Gosto de correr em um parque perto de casa. Não aguento correr todo o percurso, claro, mas gosto do fato de ser uma situação solitária em que não dependo de ninguém para realizar. Mas isso também é um problema porque, já que a única obrigação é comigo mesma, às vezes a força de vontade some, a preguiça toma conta e não consigo manter uma certa regularidade.

Resolvi então procurar uma outra atividade para revezar com as corridas. Eis que, no fim da tarde de ontem, me vi no meio de uma classe de Bikram Yoga. Descrição básica da aula: sala aquecida a 45 graus, 90 minutos, 26 posições. Me interessei por dois motivos: além dos benefícios da Yoga, de flexibilidade e tal, dizem que emagrece. Segundo: é do lado da minha casa.

Apesar de assustada com as descrições de pessoas que desmaiam ou vomitam na primeira tentativa, fui. Cheguei cedo, fiz a inscrição, paguei 30 dólares por 30 dias e entrei na tal sala para ir me acostumando com a temperatura. Lá dentro os alunos não falavam uns com os outros. Gostei dessa parte. E confesso que não me senti desconfortável com o calor. Me animei.

Até que, na segunda posição, com menos de 10 minutos de aula, passei mal. Acho que a pressão caiu. Fiquei enjoada, tonta, dormente. Como havia sido alertada por Sarah, a instrutora simpática de cabelo meio raspado, meio descolorido, meio cor de rosa, sentei e esperei um pouco. A sala estava cheia e eu era a única “fora de forma” do ambiente frequentado por pessoas de todas as idades e corpos perfeitos à mostra – quanto menos roupa, melhor. Claro que eu estava vestida demais.

Levantei e tentei de novo, sempre estimulada por Sarah que dizia para não me preocupar, que isso era normal, e todos já tinham passado por situação semelhante. Durante muito tempo tentei, me senti mal, sentei, tentei de novo, até o momento em que pensei “que diabos estou fazendo aqui???? Nunca vou conseguir terminar essa mer$%*&ˆ#@*!”, e pedi para sair.

Sarah me acompanhou e, do lado de fora, com a ventilação adequada, ela me convenceu a voltar, nem que fosse para ficar sentada observando os outros e me acostumando com a temperatura. Ah, que fique claro para quem deve estar pensando: “mas ela é baiana, deve estar acostumada”. Em Salvador, não lembro de ter pego mais de 36 graus. Nunca.

Pois bem, morrendo de vergonha, com medo de vomitar ou desmaiar e frustrada por não ter conseguido, voltei para a sala. Ninguém pareceu notar minha presença, ausência ou crise. Todos pareciam concentrados demais em suas imagens refletidas no espelho para perderem tempo com o que acontecia ao redor. Ainda assim, senti vergonha.

Mas voltei, sentei e, quando me senti melhor, tentei acompanhar os exercícios. Não entendia quase nada do que Sarah falava e muitas vezes só descobria o que fazer observando os coleguinhas, mas ainda assim, consegui ficar e fazer a maioria das posições até o final.

Quando a aula terminou, algumas pessoas vieram me dar parabéns por ter voltado e insistido. Foi reconfortante.

Cheguei a pensar em desistir, óbvio, mas já que tenho os 30 dias pagos e a professora me disse que eu só devo me sentir melhor a partir da quinta aula, achei melhor tentar um pouco mais. Gosto de sensação de estar fazendo algo, me mexendo.

Hoje vou de novo. Com menos roupa  e com o mesmo medo de passar mal e passar vergonha. Me desejem sorte.

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Atualização: Desisti após a segunda aula. Continuei passando mal, enjoada, com a pressão baixa e sem conseguir acompanhar a maioria dos exercícios. E eu era a única da classe assim – sabe como é, companhia na dor e na humilhação pública às vezes ajuda a superar mais facilmente…

Mas pensei o seguinte: inevitavelmente há sofrimento – pelo menos no meu caso – em fazer exercícios físicos. Porque insistir em um que ainda aumenta a tortura? Continuarei minhas buscas. Continuo pedindo desejos de boa sorte. :)

Cabelo nosso de cada dia — 23/03/2014

Cabelo nosso de cada dia

Outro dia encontrei uma grande amiga. Amiga essa que fiz há uns 10 anos. Não nos vemos frequentemente porque moramos em estados diferentes: eu em São Paulo e ela no Rio. Fato é que, ao abraçá-la, senti aquele perfume tão familiar que me levou de volta aos tempos de faculdade na Bahia, onde iniciamos a amizade. E eu a invejo. Invejo quem tem o mesmo cheiro desde sempre. Quem consegue manter o mesmo corpo, o mesmo peso e o mesmo cabelo.Eu mudo muito. Talvez já tenha citado aqui a minha certeza sobre auto-invisibilidade quando era mais nova… eu acreditava que as pessoas nunca se lembrariam de mim após um primeiro encontro, uma primeira apresentação. Que eu era tímida demais, sem graça demais, comum demais. E aí comecei a pintar o cabelo. E depois a fazer tatuagens.

E essa coisa do cabelo é sempre um problema. Porque eu adoro mudar, adoro cortar e, pelo visto, adoro odiar quando uma mudança radical acontece. Sou tipo Felicity, do seriado. Tento marcar fatos importantes da minha vida, seja para o bem ou para mal – mais para o mal – mudando o cabelo.

Será que é uma tentativa de tirar o foco dos pensamentos no que está acontecendo na vida real e ficar obsessivamente analisando cada fio que saiu errado e o quanto vai demorar para que toda a estrutura, o formato, a tal moldura do rosto, fique apresentável e agradável ao meus olhos novamente? Não sei.

Agora sou ruiva. Com os cabelos bem mais curtos. E uma franja curta também. Antes eu era meio loira com um cabelão grandão e bonitão (provavelmente na melhor fase em que já estive em toda a minha vida de análise capilar). Mas, mesmo assim, quis mudar. Ainda estou me adaptando e nem sei se cortei pelos motivos certos. Mas é o que teremos para os próximos meses, até que a natureza mostre toda a sua força, a lua esteja ao meu lado e o crescimento comece. Uma nova tinta também pode ajudar. Ou, daqui a uma semana posso, simplesmente, me achar linda. Vai saber.

É Sansão, se eu fosse que nem você e dependesse da força dos cabelos, estaria ferrada também.

Quer comprar no Brás? Me siga! — 17/07/2013

Quer comprar no Brás? Me siga!

Até Becky Bloom gostaria de ir no Brás
Até Becky Bloom gostaria de ir no Brás

Foco é tudo na vida. Principalmente se você vai fazer compras na José Paulino, Brás ou em qualquer centro de cidade com uma grande concentração de lojas que vendem produtos muito parecidos e baratos.

Pois bem, dia desses procurei na internet dicas sobre lugares bacanas com roupas bonitas e de boa qualidade no Brás onde, desde que mudei para São Paulo em 2008, nunca tinha ido – minto, fui apenas uma vez com o meu pai logo nos meus primeiros meses aqui mas passamos longe das roupas: fomos até a Rua do Gasômetro (acho que é esse o nome) onde é possível encontrar vários móveis feitos de madeira. Fui atrás de bancos e encontrei.

Mas voltando ao ponto principal do meu texto, não sei bem porque, sempre fui na Zé Paulino, tanto para comprar minhas coisas quanto para levar as amigas turistas-sacoleiras. O engraçado é que lá, perto da Estação da Luz, eu só me interessava por uma única loja, a Mercatto. Nela eu encontrava uns vestidinhos e blusas diferentes e com precinhos camaradas.

Então um dia desses, procurando as tais dicas na internet para passar para o namorado e a tia gaúcha que estavam lá e não sabiam por onde começar, não encontrei nada muito eficiente. Então resolvi dar minha contribuição para todos e todas que não se importam de encarar uma pequena multidão e não ter um provador para chamar de seu na hora de fazer compras.

Silva Teles e Marcolina. Gravem, anotem e nunca esqueçam esses nomes meus queridos. São as ruas – mais tranquilas – que concentram a maior quantidade de lojas com peças que valem a pena no Brás. Infelizmente o serviço não será completo porque não lembrei de anotar o nome de nenhuma loja que gostei, mas assim talvez até seja melhor porque são muitas e com muitas coisas que podem agradar a vários gostos diferentes, vocês não precisam se guiar só pelo meu. Mas garanto que indo por esse caminho você não se perde tanto no mar de gente e de ofertas ruins com produtos mal acabados e não atinge rapidamente um nível de irritação tal que te fará voltar para casa com a sacola vazia e o saco cheio.

Para quem não sabe, você dificilmente conseguirá experimentar as peças que pretende comprar; no máximo blusas e casacos se estiver usando uma roupa mais justinha e puder colocar por cima, mas nem todas as lojas permitem isso. E por lá se vende muito por atacado com preços muito bons – acima de 6 peças. Para o varejo – compras individuais – o preço sobe um pouco. Portanto, vale ir com as amigas. Mas, em algumas lojas, deixando claro que eu não compraria tanto, consegui liberação do preço baixo em uma peça só. Quem me conhece sabe que sou péssima de negociações e pechinchas. Sim, eu nasci para ser dona de uma fortuna sem fim.

E agora vem o melhor de tudo: depois da felicidade extrema pelas comprinhas legais, você ainda pode se deliciar com duas das melhores esfirras (ou esfihas para quem preferir) de São Paulo: O Rei das Esfihas (Rua Doutor Ornelas, 58, Pari) e a Casa Líbano (Rua Barão de Ladário, 831, Pari).

O Rei das Esfihas segue o estilo botecão com preços muito bons e uma imensa e deliciosa esfiha de carne com queijo – que não tem no cardápio mas quando pedi fizeram. Já a Casa Líbano é restaurante, com preços mais salgados, mas também nada absurdo. É gostoso, tem rodízio e sua esfiha de queijo com carne também é dos deuses.

Comprar bem, comer bem e gastar pouco. Quer coisa melhor?

E como eu sou muito gente boa, segue um mapinha mostrando como sair do metrô e chegar na Silva Teles – no caminho, você encontra a Marcolina!

It What? — 02/05/2013

It What?

Alexa Chung sensualizando em foto do Instagram
Alexa Chung sensualizando em foto do Instagram

It Girl é um termo que está super na moda. Na verdade, agora será mais que popularizado porque Amora (Sophie Charlotte), uma das protagonistas da nova novela da Globo (Sangue Bom) faz parte de grupo de mocinhas que “ditam tendências” por aí. Mas não é de hoje que a TV e o cinema retratam esse universo.

Segundo a Wikipedia, a pronome inglês “it”, que complementa o termo, foi usado para designar algo de destaque em uma história do escritor e poeta britânico Rudyard Kipling (1865-1936) que usou a palavra da seguinte maneira: “Não é a beleza, por assim dizer, nem uma boa conversa, necessariamente. É só ‘it'”.

Em 1927 foi lançado um filme chamado It, protagonizado pela atriz Clara Bow que contava a história de uma garota que trabalhava numa loja e jogava todo o seu charme para cima do chefe bonito e rico. Essa foi a primeira It Girl do cinema.

Edie Sedgwick, que além de “seguidora” de Andy Warhol fazia o combo atriz-modelo-socialite foi uma das famosas representantes da classe nos anos 60 e teve sua vida retrata na cinebiografia, Factory Girl, com Sienna Miller.

Confesso que nunca tinha pensado nesse termo e nessa nova “profissão” até começar a ver a figura de Alexa Chung frequentemente na TV e em sites como a “it” do momento. Ela é inglesa, foi modelo, participou do reality show Shoot Me da Fashion TV em 2005, namorou Alex Turner do Arctics Monkeys (ponto para ela!), tem um rosto bonito, pernas finas e usa roupas que, na grande maioria das vezes, parecem uma tentativa desesperada de ser diferente, misturando o clássico da Channel com o que há de antigo do brechó.

Virou exemplo de elegância e do que as adolescentes deveriam usar mesmo que, para quem mora no Brasil e nunca tenha sequer visto o tal reality ou um dos programas que ela fez em TV’s britânicas, sua única função seja aparecer em primeiras filas de desfiles. Porque o que importa é isso: não precisa falar, ser divertida, inteligente nem nada do tipo. Basta, apenas, usar roupas e acessórios legais e abusar da pose em redes sociais. Se tiver outras características, aí é lucro.

Nos Estados Unidos existe uma cultura bem pesada desse tipo de “programa de verdade” cheio de roteiros e artifícios fakes que revelam as “estilosas” do momento. The Hills, da MTV, mostrava a rotina de Lauren Conrad (saída de outro reality, Laguna Beach) na escola de moda em Los Angeles, suas amigas, namorados e trabalhos.

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Lauren virou dona de site de beleza, marca de roupas e escritora de livros – porque algumas “it’s” se aproveitam muito bem de toda a exposição para ganhar dinheiro. The Hills gerou um outro spin off (série feita a partir de personagens de outra série), The City, quando Whitney Port, uma das melhores amigas de Lauren, aceita um emprego e vai trabalhar com moda em NY. Whitney também lançou posteriormente uma marca de roupas.

Em The City conhecemos a “vilã” da história: Olivia Palermo, que se tornou umas das “super-it’s” do mundo: é muito rica, vive fazendo cara de nojo para as pessoas (no melhor estilo Victoria Beckham) e esbanja um guarda-roupas, ops, closet, invejável. Mesmo sendo herdeira, Olivia, assim com todas as outras garotas desses programas trabalham, claro, em revistas famosas ou com estilistas glamurosos – empregos difíceis de serem alcançados por simples mortais.

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Gossip Girl é um exemplo ficcional que demonstra a importância desse universo, principalmente entre as adolescentes. É uma série de muito sucesso que tem duas protagonistas riquíssimas de Upper East Side em Manhattan (onde os chiques do mundo vivem) e que tem como ponto principal – além das fofocas, intrigas, romances e traições – o figurino extravagante de todo dia.

O responsável pelas peças incríveis usadas por Blair Waldorf, Serena van der Woodsen e seus amiguinhos é Eric Daman, ex-modelo que foi assistente de Patricia Field em Sex and the City.

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Em termos de ficção, a pioneira nessa exaltação bem sucedida de estilo foi, sem dúvida alguma, a série que que transformou a atriz Sarah Jessica Parker em ícone mundial da moda. E, claro, uma das grandes responsáveis por isso foi Field, figurinista do seriado e dos dois filmes que apareceram após o final dos episódios sobre Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha.

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Inclusive Patricia Field foi responsável pelo figurino de um grande sucesso do cinema que retratou o universo da moda e sua importância da vida e trabalho de muitas pessoas, apesar de não ficar muito clara essa questão das it’s girls: O Diabo Veste Prada. A personagem principal (Anne Hathaway) muda completamente seu estilo para se adequar ao ambiente de trabalho, mas não necessariamente se transforma em ícone fashion a ser seguido. Não na tela, talvez fora dela.

Não consigo pensar em nenhum produto audiovisual brasileiro que influencie tanto na moda como as séries e realities gringos que citei e criam ícones de moda e estilo.

Talvez o Show da Xuxa nos anos 80 com suas botas brancas e ombreiras com tachinhas, ou mesmo a moda de personagens de novelas que acaba nas ruas. Mas isso é consequência da exposição diária dos personagens e, claro, influência mercadológicas dos produtores. Quando a novela acaba, a moda também some.

Mas será que recentemente existiu algo que influenciasse no estilo de brasileiros e brasileiras de forma avassaladora? Talvez a versão nacional de Rebeldes? Mas aí já havia a influência do sucesso da novela original. O reality Mulheres Ricas? Bem, acho que não.

Acho que isso não acontece no Brasil por dois motivos: o primeiro é que a it’s tupiniquins são deslumbradas demais com o universo gringo e isso basta – já que tudo o que elas exibem vem de fora mesmo. O segundo motivo seria a limitação de tempo: seriados duram muitos anos com aquelas pessoas e aquelas roupas fazendo uma “lavagem cerebral” e desesperando quem não consegue se vestir como as personagens. Pensando assim, que bom que as novelas duram só alguns meses.

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