Recaída

Hoje eu não estou bem. Tive uma sessão de terapia difícil. Quando cheguei em casa, disse para minha mãe como me sentia e ela perguntou: “você teve uma recaída?”. Essa foi uma pergunta bem difícil de responder. Eu não sei se tive recaída ou se, infelizmente, esse é o meu “normal”.

Acho que recaída seria se eu estivesse super ótima, levando uma vida normal, e aí a energia baixasse e as angústias voltassem. Esse não é o caso.

Do fim de dezembro para cá eu melhorei e isso é evidente: perdi o pânico de sair e até voltei a dirigir (evitei com receio de ter um ataque de pânico no trânsito). Tive momentos muito felizes registrados e exibidos nas redes sociais, afinal, cada momento de felicidade para alguém que chegou no calabouço do fundo do poço precisa ser exaltado. Mas, por enquanto, são momentos. Mentira, esses momentos não acontecerão só agora.

Mesmo quando a medicação certa estiver definida e mais pra frente eu até consiga ficar sem ela, a vida não será feliz. A vida de ninguém é feliz o tempo todo. Temos momentos alegres, momentos prazerosos, momentos que fazem toda a dificuldade de viver nesse mundo valer a pena. Matamos um leão por dia para alguns momentos de prazer.

Comecei há pouquíssimo tempo a resgatar esses meus pequenos prazeres. Mas a melancolia também se faz presente. O cansaço e a tristeza seguem aqui. Com menos força, é verdade, mas acho que nunca deixarão de existir.

Ontem o dia foi bom. Hoje está ruim. Tenho depressão e por isso lidar com os ruins é complicado, difícil. Na verdade, para quem não entende muito da doença, pode não parecer, mas essa fase em que me encontro ainda é bem complicada e precisa ser vigiada de perto: agora tenho energia para voltar a viver, mas voltar a viver, recuperar a vida que perdi nos últimos anos, não é tarefa fácil.

Esse é o momento em que tenho alguma energia e sigo com o desespero, afinal, agora já saio do quarto, já até saio de carro, então o que falta para ser a mulher foda que todo mundo espera que eu seja? Não tenho ideia. Só sei que não sou foda.

Sou uma mulher com depressão crônica tentando ser feliz toda trabalhada no glitter e neon em pleno verão da Bahia. Mas nem todo dia isso é possível. Hoje não foi.

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