Frágil

Vera Lúcia nunca tinha me visto fragilizada. Quando sofri um acidente de carro aos 18 anos, fiquei toda quebrada, fiz várias cirurgias mas me mantive forte. Quando minha avó morreu de câncer logo depois, também fiquei forte para tomar a mais importante das decisões, já que ela estava muito abalada para lidar com isso.

Quando meu avô morreu de forma inesperada, fiquei arrasada mas tive que ser forte porque nunca tinha visto meu pai tão fragilizado. Até voltar para Salvador, após 11 anos longe, nunca tinha permitido que ela conhecesse meu lado frágil.

E sei que foi assustador para ela não me ver “resolvendo tudo, resolvendo minha vida”. E talvez tenha sido ainda mais assustador quando pedi, algumas vezes, que ela ficasse no quarto comigo, só para eu não ficar sozinha.

E aos poucos ela está entendo o que está acontecendo; pesquisa e me conta suas descobertas. Se esforça para me poupar, mesmo que muitas vezes não consiga. Mas eu percebo a dedicação e acho que nunca estivemos tão próximas. Eu aos 38, ela aos 70.

A vida é estranha. Minha mãe virou minha companheira de longos banhos de mar, apesar de ser bem medrosa. E de caminhadas na praia só para me fazer sair de casa. Obrigada, mãe.

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