Desmame

Não lembro de quando me alimentava no peito da minha mãe, mas ouvi dizer que era uma fartura só: além de mim, ela também amamentou outro recém-nascido no hospital enquanto estivemos por lá.

Recentemente minha melhor amiga passou pela fase de desmamar a filha caçula, alimentada diretamente no peito até os quase 2 anos de idade. Foi sofrido, porém libertador.

Por isso, logo de cara, achei tão esquisito usar essa expressão, “desmame”, para a retirada de antidepressivos. Mas, parando para pensar, faz todo o sentido: o desmame significa independência: dos filhos, das mães, e de quem não precisa mais de remédio.

Infelizmente ainda não cheguei nessa fase. Após a euforia da viagem junina, precisei fazer o desmame forçado do remédio que tomo e que claramente não tem sido eficiente porque, na troca de psiquiatras entre a mudança de São Paulo para Salvador, a receita que eu tinha não foi o bastante para a longa espera de mais de 2 meses para o profissional que me indicaram e que aguardo ansiosamente (“ansiosamente” aqui é usado de forma bem literal, se é que vocês me entendem).

Esse é um dos dramas de quem usa remédios controlados: a dependência dos médicos para liberarem as receitas com quantidades certas que não te deixem no desespero vendo o comprimido sagrado de todo dia acabar e você não ter o que fazer.

Para quem não sabe, parar com esse tipo de medicação bruscamente provoca efeitos colaterais desagradáveis. Às vezes, mesmo aos poucos, não nos livramos desses efeitos.

Em outro texto mais detalhado contarei minhas experiências com os remédios, mas já adianto que sim, eles são fundamentais para minha melhora; tem gente que pode não precisar, mas tem gente que precisa. A depressão é uma doença complexa demais e variável demais para usarmos frases freitas na hora de opinar sobre a saúde de alguém.

Nesse momento de minha vida não é apenas terapia, sol, sal, endorfina e meditação que me deixarão “feliz” – infelizmente. Ainda preciso da ajuda de drogas controladas. E ganhar na mega sena, claro.

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2 comentários em “Desmame

  1. É um termo bem curioso mesmo, mas que faz bastante sentido.
    Imagino que essa fase de parar de tomar remédios deve ser bem difícil mesmo.

  2. Pingback: Psiquiatras

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