Quêde o Universo agora?

Me revoltei com o Senhor do Bonfim e suas fitas. Agora chegou a vez do tal Universo…

Tem gente que acredita nele; tem gente que não. E nem estou me referindo ao imenso “tudo” que reúne planetas, constelações, buracos negros… apesar que tem gente que não acredita nesse também, afinal, se a Terra é plana…

Polêmicas à parte, tenho escutado demais nos últimos meses que o universo está preparando algo pra mim. Eu até cheguei a acreditar nisso em algum momento (não esqueçam jamais: atéia baiana).

Com passagem comprada para Salvador, depois de um pingue-pongue sem fim e uma porra-louquice desvairada pela falta de raciocínio após divórcio traumático, arrumei um emprego. Depois de mais de um ano sem trabalho. Depois de quase enlouquecer em casa por não ter trabalho. Depois de me afundar na depressão e perder tudo, também por não ter trabalho.

Aí apareceu o trabalho, daqueles que não se pode recusar e daqueles que eu sequer sei como fui selecionada. Não tinha o perfil e muito menos o currículo necessário (que, inclusive, não mandei). Fui lá. Entrevista 1 com texto sobre São Paulo. Entrevista 2 com conversas com as chefas e no dia seguinte a resposta positiva. A passagem para Salvador estava marcada para um sábado. Comecei o trabalho na quinta-feira, pré-eleições-apocalípticas presidenciais.

“O universo quer que eu fique em SP. Que eu refaça minha vida aqui. O universo é bem doido. Porque isso só agora? Quais os planos dele pra mim?”

O universo quis que eu trabalhasse durante seis meses às 3 da manhã, em um dos períodos mais difíceis da minha vida. Quis que eu passasse por uma pressão diária imensa e conhecesse um carioca, um catarinense, um gaúcho, um campineiro e um meio termo (ainda gosto de você, Will) que me sacaneavam todo santo dia e me faziam sorrir todo santo dia. Além deles, muita gente querida também que fazia um ambiente hostil parecer mais acolhedor. As madrugadas, apesar de tudo de ruim, tinham seu valor.

Mas nessa época eu quis morrer. Eu não sabia se daria conta. Eu ainda não tinha minha casa, um lugar para chamar de meu. Tudo parecia temporário, tudo parecia passageiro. Eu sentia que não vivia minha vida, que estava apenas observando as coisas acontecendo ao meu redor e agindo da melhor forma que eu conseguia.

Finalmente, depois de muitas idas taquicárdicas e paniquentas aos hospitais da cidade, remédios, terapia e o trabalho na madrugada, comecei a procurar apartamento. E foram muitas, várias, milhares de irritantes conversas com corretores imobiliários que me tratavam como lixo e me apresentavam apartamentos bem de acordo com a visão que eles tinham de mim. Até que, mesmo sem ver fotos no anúncio da internet, achei meu lugar.

Era um apartamento pequeno e charmoso. Na frente de um pub famoso que não me faria tanta diferença, a não ser que servissem cerveja doce. Tinha divisórias em madeira e pé direito alto – tudo o que a filha de um engenheiro repara. Cabia fogão, geladeira e máquina de lavar, um milagre dentro do preço que eu poderia pagar. Tinha um janelão com vista. Aquela vista paulistana, com uns prédios na frente, mas nada que fosse possível pedir sal emprestado e pegar na mão do vizinho da janela da frente.

Antes mesmo de me mudar, com contrato assinado, jurado e sacramentado, o universo veio e me deu uma rasteira. Sofri profundamente por ter perdido tudo mais uma vez e repassei a rasteira para frente.

Nessas rasteiras que a vida dá, o universo me mostrou que tudo sempre pode ficar pior – como aquele buraquinho sem fundo que sempre vai mais fundo e com multas abusivas e obscenas, sabe? Resumindo: quero que o universo e seus planos pra mim se danem (menos se os planos forem ficar milionária). A vida é isso: uma sequência de desgraças e decepções com pequenos prazerizinhos no meio do caminho para dar uma enrolada nos humanos ingênuos e otimistas.

obs 1: sem positivismo pro meu lado, ok? estou ficando boa em rasteiras.

obs 2: minha fase revoltada nunca dura muito tempo.

obs 3: tenho escrito no meu blog, mas coloco nas redes sociais também porque os jovens dizem que blogs morreram.

obs 4: mal aê, mas meus textões são terapêuticos.

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