Eu gosto de selfies. Não tenho nada contra. Acho massa quem gosta de tirar e acho massa a possibilidade de você até poder ver na hora o seu melhor ângulo para sair bonita na foto. Faz bem. Eleva a auto-estima que vez ou outra fica baixa.

Confesso que ainda sou meio tímida nessa arte e só recentemente, após 30 e tantos anos de vida, descobri que meu melhor lado é o esquerdo. E olha, isso faz uma diferença absurda. Um novo mundo se abriu quando percebi porque eu odiava tanto determinadas imagens minhas. Porque era ele, o lado direito que estava ali, proeminente, jogando na minha cara, com a minha cara, meus grandes defeitos. O nariz. Ah, o nariz. Quebrado em várias partes, operado algumas vezes mas que nunca voltou a ser bonito. Mentira, bonito ele nunca foi, mas bem que poderia ser menos estranho sem tantos recortes e curvas fora do lugar.

Mas deixemos o nariz quieto. Tenho pensado muito nessa questão física. Estou acima do peso e engordei pelo menos 5 kg em um período muito curto de tempo antes de viajar para os Estados Unidos. Resumindo, a maioria das roupas que trouxe não cabem mais.

Como a grana está curta – o dólar está pela hora do morte -, não dá para ficar comprando muita coisa nova e eu sempre ficava na dúvida achando que poderia emagrecer e aí as novidades também não seriviram mais, só com ajustes de costureira que, pelo preço dos serviços aqui, eu nem cogitaria procurar. Resultado: passava os dias me sentindo feia e “malamanhada” porque só vestia as mesmas roupas que cabiam e escondiam o meu corpo.

Comecei a fazer natação, fiquei de maiô e até pelada na frente de um monte de gente (calma, a Califórnia não me transformou em hippie; me refiro ao vestiário feminino e isso é história para outro post). Perdi dois quilos que, na minha atual percepção, não fizeram diferença nenhuma. Mas o que acontece é o seguinte: cansei de me auto-depreciar. Cansei de me sentir feia. Tô acima do peso? Paciência! Isso não significa que não posso me sentir bem – nesse momento estou falando apenas da estética, não da saúde.

Entrei há pouco tempo no Instagram e comecei a seguir um monte de famosas bonitonas para ver se elas me “inspiravam” de alguma forma. De início eu fiquei deprê com as comparações, mas depois comecei a ver que meu português é melhor do que a maioria, assim como meus gostos cinematográficos, literários e meu senso de humor (temos que valorizar nosso melhor, né minha gente?). E aí, foi partir para trabalhar a cabeça e deixar dessa paranóia louca de que só serei bonita magra. Até porque, se eu não acho que isso funcione para uma infinidade de mulheres lindas que pesam muito mais que 70 quilos, porque seria regra para mim? E resolvi, aos poucos, fazer mudanças.

Continuo firme na natação. Não estou fazendo uma dieta restritiva, mas evito certos excessos. Aos poucos, posso perder os quilos indesejados. Mas decidi que não vou mais deixar de comprar roupas que acho bonitas por achar que não servem. Sei de vários lugares bem baratos por aqui e toda vez que ía neles ficava arrasada achando que aquele vestidinho lindo ou aquela saia maravilhosa ficariam ridículos em mim – até porque, pelo amor de deus, quando é que as lojas de departamento vão entender que a luz certa nos provadores fazem uma diferença absurda?

Pois bem, decidi que vou ficar bonita para mim. E vez ou outra vou fazer um “look do dia” no meu espelho de casa que corta a minha cabeça mas é o único que tenho. Quando o marido estiver disponível, peço ajuda. Mas acho esse um bom exercício de auto-estima. Fora a diversão de pensar em combinações legais e que fiquem boas no corpo que tenho agora.

Por exemplo, é muito interessante, para quem me conhece, perceber como de uns tempos para cá as cores dimiuíram. Sempre gostei de usar cores berrantes e estampas – até demais, assumo. Mas exatamente por causa dessa minha fase esquisita, foquei no preto. Tenho achado elegante e bonito e espero começar a usar mais preto por esses que são os motivos certos.

Essa camiseta da foto é da H&M. Estava com um amigo na loja o ajudando a escolher umas coisas e, já que estava lá, peguei várias peças. Na segunda que experimentei fiquei arrasada porque não coube ou não funcionou bem. Provavelmente porque eu ainda escolhia coisas com a cabeça de quem pesava vários quilos a menos, grande erro.

Pois lá estava eu, jururu num canto, desiludida com as compras frustradas, mas feliz de ter ajudado o amigo que escolheu umas peças ótimas para ele, e eis que vejo uma promoção: duas camisetas por 10 dólares. Peguei as maiores, essa preta e uma vermelha, e elas viraram minhas companheiras inseparáveis de tudo: são larguinhas mas têm um decote bonito, feminino.

Recentemente, após todos esses meus questionametos, fui em um brechó com um grupo de amigas. E lá encontrei essa saia maravilhosa, da altura certa para conseguir andar de bicicleta (sim, Davis é uma cidade incrível para se viver mas terrível se você quiser passear arrumadinha por aí, afinal, bike como meio de transporte limita as opções – mas também já estou fazendo boa adaptações em relação à isso).

A saia é básica, preta, não me aperta e me deixa com cara de chique. E o melhor, foi baratinha, baratinha. Já o cinto…. ah, por esse confesso que me apaixonei. Adoro uma cintura marcada, e quando vi tantos detalhes nesse marrom de couro não resisti. Do brechó, baratinho também. Juntei tudo e saí feliz pela rua, me sentindo voluptuosamente orgulhosa do meu look do dia e do que um tiquinho de auto-estima pode fazer com o nosso humor.

P.S.: A capinha do celular é da Amazon mesmo. Preciso trabalhar melhor esses ângulos para que meus looks fiquem mais “profissas”. E limpar melhor esse espelho. :)

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