Geni e suas pedras

Maria Alice, esse é um bom nome, é uma pessoa correta. É naturalmente correta porque assim foi criada e porque assim, ao longo dos anos, percebeu observando o mundo ao seu redor, que assim deveria ser.

Ela não é correta por obrigação familiar ou medo divino de um inferno que possa arrastá-la por um passo em falso. Ela é correta por achar que é assim que se deve lidar com a vida, que é assim que as coisas funcionam bem para ela e para todos os outros que vivem ao seu redor – mesmo que muitos desses outros não respeitem isso mas, aí, essa questão vai muito além dos esforços da querida Maria Alice.

Ela faz de tudo para ser leal com os amigos. Para ser aquela com quem todos podem contar sempre que precisem, ou mesmo que não precisem tanto. Ela sempre está ali, oferecendo um ombro amigo, um carinho, um afago. Maria, ou Alice, defende seus amigos como uma leoa aos seus filhotes. Talvez eles não estejam assim tão corretos e recebam um devido puxão de orelha posteriormente mas, para quem os ataca, ela se põe à frente como a rainha da selva que não permite a ninguém o prazer de magoar os seus.

E por ser assim, Maria Alice é frequentemente magoada. Não pelos tais outros, mas sim por aqueles a quem ela deu tudo de si. Afinal, ‘pessoas são diferentes Maria’. ‘Você não pode agir esperando que as pessoas façam o mesmo por você Alice, não é assim que a vida funciona’.

Maria Alice aprendeu, à duras penas, que as pessoas são diferentes, que não pensam ou agem como ela e que, nem sempre, terá uma defesa incondicional, um cuidado incondicional, um amor incondicional. Ela aprendeu a conviver com isso. Com o carinho que alguns estiverem dispostos a lhe dar; às vezes menos, às vezes mais.

Mas, mesmo assim, Maria Alice continua sendo correta, do jeito que sempre acreditou que deveria ser.

Um dia, cometeu um deslize. Não resistiu e se entregou à curiosidade, à burrice, à humanidade. E se arrependeu como nunca desse erro. Prometeu que nunca mais faria. E, anos depois, em um ato de insegurança, quebrou a promessa – ato imperdoável – e fez outra besteira, só mais uma besteira, besteira das grandes, que acabou com tudo de bom que ela pode ter feito ao longo de sua vida.

A partir de então, Maria Alice virou aquela que não é confiável.

Afinal, quem não quer jogar pedras na Geni?

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