Cinema e TV

Mark Webb sabe como ninguém como construir e destruir uma bela história de amor. Isso ficou muito claro em ‘500 Dias com Ela’, primeiro filme do diretor, e mais do que óbvio em ‘O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro’. A sequência dessa nova forma de contar a história e aventuras de Peter Parker, após a trilogia de Sam Raimi, é um grande filme.

E digo isso sem ser uma conhecedora dos quadrinhos clássicos, assumo logo aqui antes de ser xingada pelos fãs mais ardorosos da história clássica. Digo isso afirmando minhas limitações e deixando clara a minha visão de telespetcadora dos produtos cinematográficos do herói. Mas pelo que li por aí, de quem entende do assunto, esse foi o filme que mais se aproximou das histórias desenhadas por Stan Lee. Contiua…

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‘Resurrection’, nova série exibida no Brasil pelo canal AXN, é uma daquelas que te deixam intrigado, tenso, nervoso e preso na frente da TV aguardando ansiosamente os desdobramentos da histórias (saudades da boa época de ‘LOST’ e ‘4400’).

A história é baseada no livro de Jason Mott, ‘The Returned’, mas que todo mundo acha que tem ‘pitadas’ de ‘Les Revenants’, seriado francês que trata do mesmo tema: a volta dos mortos à vida, mas sem o lance zumbi. O francês teve oito episódios exibidos em 2012 e por sua vez foi baseado em um filme de mesmo nome, esse sim, assumidamente sobre mortos-vivos comedores de gente. Continua…

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A ‘Arca de Noé’ talvez seja uma das histórias biblícas mais populares. Muitos não-religiosos já ouviram falar, pelo menos uma vez na vida, sobre o homem que recebeu uma mensagem de Deus, construiu uma arca e salvou os animais de um dilúvio. Esse é o resumo básico. Se você quiser se aprofundar, é só buscar detalhes no livro sagrado. Se quiser ficar no meio termo e se distrar no cinema, basta assistir ao polêmico filme de Darren Aronofsky.

Logo no início, por causa de um didatismo extremo ao retratar a criação do planeta Terra, Adão e Eva, o pecado e tudo o que de ruim aconteceu no mundo depois disso, ‘Noé’ parece mais uma caricatura infantilizada de algo muito sério. É impossível não pensar nisso ao se deparar com um cobra verde feita com efeitos especiais ou guardiões de pedra que mais parecem os ‘Transformers’. Continua…

 

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Geni e suas pedras

Maria Alice, esse é um bom nome, é uma pessoa correta. É naturalmente correta porque assim foi criada e porque assim, ao longo dos anos, percebeu observando o mundo ao seu redor, que assim deveria ser.

Ela não é correta por obrigação familiar ou medo divino de um inferno que possa arrastá-la por um passo em falso. Ela é correta por achar que é assim que se deve lidar com a vida, que é assim que as coisas funcionam bem para ela e para todos os outros que vivem ao seu redor – mesmo que muitos desses outros não respeitem isso mas, aí, essa questão vai muito além dos esforços da querida Maria Alice.

Ela faz de tudo para ser leal com os amigos. Para ser aquela com quem todos podem contar sempre que precisem, ou mesmo que não precisem tanto. Ela sempre está ali, oferecendo um ombro amigo, um carinho, um afago. Maria, ou Alice, defende seus amigos como uma leoa aos seus filhotes. Talvez eles não estejam assim tão corretos e recebam um devido puxão de orelha posteriormente mas, para quem os ataca, ela se põe à frente como a rainha da selva que não permite a ninguém o prazer de magoar os seus.

E por ser assim, Maria Alice é frequentemente magoada. Não pelos tais outros, mas sim por aqueles a quem ela deu tudo de si. Afinal, ‘pessoas são diferentes Maria’. ‘Você não pode agir esperando que as pessoas façam o mesmo por você Alice, não é assim que a vida funciona’.

Maria Alice aprendeu, à duras penas, que as pessoas são diferentes, que não pensam ou agem como ela e que, nem sempre, terá uma defesa incondicional, um cuidado incondicional, um amor incondicional. Ela aprendeu a conviver com isso. Com o carinho que alguns estiverem dispostos a lhe dar; às vezes menos, às vezes mais.

Mas, mesmo assim, Maria Alice continua sendo correta, do jeito que sempre acreditou que deveria ser.

Um dia, cometeu um deslize. Não resistiu e se entregou à curiosidade, à burrice, à humanidade. E se arrependeu como nunca desse erro. Prometeu que nunca mais faria. E, anos depois, em um ato de insegurança, quebrou a promessa – ato imperdoável – e fez outra besteira, só mais uma besteira, besteira das grandes, que acabou com tudo de bom que ela pode ter feito ao longo de sua vida.

A partir de então, Maria Alice virou aquela que não é confiável.

Afinal, quem não quer jogar pedras na Geni?

O que é que Caymmi tem?

Carybé, Caymmi e Jorge amado
Carybé, Caymmi e Jorge amado

Dos baianos geniais, Caymmi nunca foi meu preferido – apesar que devo deixar bem claro aqui que acho que ele faz sim parte desse grupo de grandes compositores da música brasileira com o mesmo sotaque que carrego. Mas, sabe como é, Caetano, Gil e até mesmo João Gilberto (porque eu adoro uma bossa nova), sempre estiveram mais presentes nas vitrolas de casa, o que estimulou uma relação afetiva desde muito cedo.

Já Caymmi sempre foi mais para o lado folclórico de uma Bahia melancólica que eu não via por onde passava. Naquela época tinha um olhar mais ignorante sobre as coisas da minha cidade do que o que adquiri depois que fui embora, quando virei mais baiana do que nunca, por força das circunstâncias.

Mas, quando eu ouço a clássica pergunta ‘O que é que a baiana tem?‘, respondo cantarolando: ‘Tem um santo / Tem encantos / Tem um jeito / Tem defeitos também / Que Deus dá’. Porque Gilberto Gil, até quando escreve sobre outro estado, dá um jeito que fazer lindos versos sobre a Bahia: ‘Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço / A Bahia já me deu régua e compasso / Quem sabe de mim sou eu / Aquele abraço!”.

Ou quando penso nas ruas e na praia de Itapuã, desculpe Caymmi, mas não é o seu coqueiro que me emociona. Penso em Caetano Veloso te citando em uma linda canção: “Itapuã / Quando tu me faltas / Tuas palmas altas, mandam um vento a mim / Assim: Caymmi’. E até Toquinho, com seu pé soteropolitano, me traz uma Itapuã mais amorosa em ‘seu mar que não tem tamanho e um arco-íris no ar”.

Mas Caymmi, eu sei bem que ninguém como você retratou tão bem o que de mais simplório e cotidiano poderia ser encontrado pela cidade, pelas ruas, ladeiras, praias, lagoas, terreiros e abaixo do sol carregado do cheiro de coentro com dendê. Sei disso e me arrependo por ter dito em voz alta que sua música me irrita. Ok, irrita um pouco. As repetições, a malemolência e tentativa de compor algo genial mas que tropeça em uma rede repetitiva e que fica por lá mesmo, num eterno vai a vem, dando aquele gostinho de quero mais, não são para mim.

Mas isso, em nada, diminui sua genialidade. Você pode não fazer parte da lista dos meus favoritos, mas está longe da lista dos malditos. E também, quem sou eu para questioná-lo assim, de forma tão leviana, já que o máximo que fiz musicalmente até o momento foi compor umas valsinha aos 9 anos de idade? (Fui premiada na escola de música, fato que cito só para acariciar meu ego).

Confesso aqui um sonho que nunca será realizado: sentar em um boteco, à beira mar, e papear durante horas sem fim com você, Sr. Caymmi, e seus amigos fanfarrões, conhecidos nas quebradas como Jorge Amado e Carybé. Alguém com um turma dessas, só poderia ser um cara legal. E que merece meu respeito.

Essa é uma das minhas preferidas – engraçado que gosto mais das que falam de amor e menos da Bahia.