Eis uma grande verdadeNos últimos meses um avião sumiu. Zé Wilker morreu repentinamente. Pessoas foram presas em postes e espancadas por ‘justiceiros’. Outras pessoas se juntaram para pedir a volta da ditadura militar. Uma pesquisa mostrou a assustadora face do machismo no Brasil (porque, apesar do erro, 26% das pessoas acreditando que mulheres merecem ser atacadas por suas roupas ainda é MUITO assustador).

E eu sigo pensando no mundo. E penso, muitas das vezes, através dos comentários dos leitores em matérias e vídeos publicados em sites de notícias. Algumas dessas matérias e desses vídeos são meus. Vejo as ofensas gratuitas, a falta de atenção no que está sendo dito pela simples vontade de discordar em forma de ataque e xingamento. Vejo a falta de reflexão, de compaixão e de humanidade.

Penso em Noé e no ‘Criador’, que cansou de tudo e mandou um dilúvio para que poucos pudessem recomeçar. Penso nos homens de mulheres de fé no sobrenatural. Invejo tal fé. Invejo esse poder de acreditar em algo que não é palpável. Invejo esse ‘conforto’.

E me assusto com muitas dessas pessoas que não sabem lidar com o amor pelo diferente, por quem é diferente. Assim como, apesar da piada que muitos fizeram com a ‘pouca’ quantidade de pessoas reunidas na ‘marcha da família’, acho assustador que centenas de pessoas saíram de suas casas pedindo a volta de um governo que matou e torturou, se apoiando em algo que consideravam legítimo – e não digo isso apenas por causa do meu nome. Digo porque, matar quem discorda de você é desumano. E digo porque muitos ainda ficaram em suas casas. Não saíram para acomapanhar e fazer volume na tal marcha, mas concordam com a ideologia da coisas. E isso se reflete no dia a dia. Na falta de respeito com o outro.

Respeito esse que inexiste quando colunistas de grandes veículos de comunicação assumem publicamente que as mulheres devem se ‘preservar’ para que não estimulem possíveis estupradores. Esperei até encontrar por aí o termo ‘estuprador de ocasião’: aquele cara normal, que está apenas passando por ali até se deparar com pares de coxas e seios o chamando sensualmente para o ‘acasalamento’. Quando leio esse tipo de declaração só penso que os homens regrediram e assumiram a selvageria completa, com instintos incontroláveis que não podem ser reprimidos. Portanto, viver em sociedade está fora de cogitação.

Mas além dos tais colunistas, 26% acreditam que o instinto vale mais do que o bom senso, do que o respeito, do que o simples ‘não’ de alguém que não quer ter contato físico com o outro.

Sim, esse mundo está muito estranho. E, além de tudo isso, eu ainda penso que não devia ter cortado meu cabelo.

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