Outro dia encontrei uma grande amiga. Amiga essa que fiz há uns 10 anos. Não nos vemos frequentemente porque moramos em estados diferentes: eu em São Paulo e ela no Rio. Fato é que, ao abraçá-la, senti aquele perfume tão familiar que me levou de volta aos tempos de faculdade na Bahia, onde iniciamos a amizade. E eu a invejo. Invejo quem tem o mesmo cheiro desde sempre. Quem consegue manter o mesmo corpo, o mesmo peso e o mesmo cabelo.Eu mudo muito. Talvez já tenha citado aqui a minha certeza sobre auto-invisibilidade quando era mais nova… eu acreditava que as pessoas nunca se lembrariam de mim após um primeiro encontro, uma primeira apresentação. Que eu era tímida demais, sem graça demais, comum demais. E aí comecei a pintar o cabelo. E depois a fazer tatuagens.

E essa coisa do cabelo é sempre um problema. Porque eu adoro mudar, adoro cortar e, pelo visto, adoro odiar quando uma mudança radical acontece. Sou tipo Felicity, do seriado. Tento marcar fatos importantes da minha vida, seja para o bem ou para mal – mais para o mal – mudando o cabelo.

Será que é uma tentativa de tirar o foco dos pensamentos no que está acontecendo na vida real e ficar obsessivamente analisando cada fio que saiu errado e o quanto vai demorar para que toda a estrutura, o formato, a tal moldura do rosto, fique apresentável e agradável ao meus olhos novamente? Não sei.

Agora sou ruiva. Com os cabelos bem mais curtos. E uma franja curta também. Antes eu era meio loira com um cabelão grandão e bonitão (provavelmente na melhor fase em que já estive em toda a minha vida de análise capilar). Mas, mesmo assim, quis mudar. Ainda estou me adaptando e nem sei se cortei pelos motivos certos. Mas é o que teremos para os próximos meses, até que a natureza mostre toda a sua força, a lua esteja ao meu lado e o crescimento comece. Uma nova tinta também pode ajudar. Ou, daqui a uma semana posso, simplesmente, me achar linda. Vai saber.

É Sansão, se eu fosse que nem você e dependesse da força dos cabelos, estaria ferrada também.

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