Há uma semana estive em Salvador. Decidi me esforçar, mudar hábitos e não fazer um ‘cronograma’ para os dias em que ficaria na cidade. Não deu certo. Sou uma pessoa de listas e culpa. Gosto de organizar tudo. Já fui acusada de não saber lidar bem quando o que planejo segue outro rumo. E provavelmente isso deveria ter sido mudado, não o uso do cronograma. Pois não me organizei, me perdi, o tempo ficou confuso, a tal culpa tomou conta e até hoje penso nisso. Porque, além de tudo, sou do tipo obsessiva. Sim, hoje é dia de pesar os defeitos. E como sou cheia de culpa, acho que tenho vários.

Choveu em São Paulo nos últimos dias. E há uma semana eu estava dentro do mar da Bahia. E deixo de lado a culpa para tentar entender o que tem sido incompreensível para mim nos últimos anos: qual é mesmo o meu lugar no mundo? Onde vou parar e sentir que é ali que devo ficar, onde devo passar o resto dos meus dias, onde posso montar uma casa e ter uma parede colorida com todos os quadros e desenhos que tenho guardados para essa ocasião? Mas será que sou esse tipo de pessoa? Do tipo que quer ficar em um lugar para o resto da vida? Que quer casar e ter filhos? Que quer segurança?

Eu gosto de segurança. Afinal, sou das listas, da culpa e da obsessão. Preciso me sentir segura já que me sinto insegura sobre absolutamente tudo (ou quase). Mas o que estou disposta a fazer para conseguir isso? Do que estou disposta a abrir mão? Quando devo pegar a contramão do que venho fazendo até agora para, enfim, descobrir qual o meu caminho?

Continuo perdida nessa segunda-feira chuvosa.

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