Publicado em Pensamentos

Quando, onde e como

Há uma semana estive em Salvador. Decidi me esforçar, mudar hábitos e não fazer um ‘cronograma’ para os dias em que ficaria na cidade. Não deu certo. Sou uma pessoa de listas e culpa. Gosto de organizar tudo. Já fui acusada de não saber lidar bem quando o que planejo segue outro rumo. E provavelmente isso deveria ter sido mudado, não o uso do cronograma. Pois não me organizei, me perdi, o tempo ficou confuso, a tal culpa tomou conta e até hoje penso nisso. Porque, além de tudo, sou do tipo obsessiva. Sim, hoje é dia de pesar os defeitos. E como sou cheia de culpa, acho que tenho vários.

Choveu em São Paulo nos últimos dias. E há uma semana eu estava dentro do mar da Bahia. E deixo de lado a culpa para tentar entender o que tem sido incompreensível para mim nos últimos anos: qual é mesmo o meu lugar no mundo? Onde vou parar e sentir que é ali que devo ficar, onde devo passar o resto dos meus dias, onde posso montar uma casa e ter uma parede colorida com todos os quadros e desenhos que tenho guardados para essa ocasião? Mas será que sou esse tipo de pessoa? Do tipo que quer ficar em um lugar para o resto da vida? Que quer casar e ter filhos? Que quer segurança?

Eu gosto de segurança. Afinal, sou das listas, da culpa e da obsessão. Preciso me sentir segura já que me sinto insegura sobre absolutamente tudo (ou quase). Mas o que estou disposta a fazer para conseguir isso? Do que estou disposta a abrir mão? Quando devo pegar a contramão do que venho fazendo até agora para, enfim, descobrir qual o meu caminho?

Continuo perdida nessa segunda-feira chuvosa.

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Publicado em Seriados

O dia em que revi ‘Doctor Tennant’ – e foi no cinema

É muito difícil para mim escrever sobre ‘Doctor Who’. Me atrevo mas nunca acredito que o que escrevi ficou bom o bastante para descrever uma série tão cheia de peculiaridades, detalhes e referências. Mas hoje é dia de superar isso já que em 23 de novembro ‘Doctor Who’ comemorou 50 anos em grande estilo. Fãs de vários países puderam assistir no cinema (em 12D, ops, só 3D por enquanto), simultâneamente com a televisão, um episódio especial lindo de morrer. De viver. De regenerar.

Foram várias salas em diferentes estados do Brasil que tiveram os ingressos esgotados nas primeiras doze horas. Mais salas foram abertas. Mais cidade contempladas. Um segundo dia de exibição foi criado. Até o Google fez sua homenagem com um joguinho na página inicial de buscas durante dois dias inteiros.

E valeu à pena. Fui uma das pessoas privilegiadas que assistiu ‘The Day of the Doctor’ na ‘telona’ e tive a oportunidade de acompanhar os vídeos bacanas feitos com os personagens antes da sessão começar. De início, Strax deu dicas de boa educação na sala de cinema, o que já serviu como aquecimento do universo de criaturas fantásticas – e algumas muito divertidas – do seriado, como o guerreiro que não entende as ‘criaturas inferiores com gêneros diferentes’ do planeta Terra.

Continua no Spoiler…

Publicado em Seriados

Bloco de textos publicados no Yahoo Brasil

Eis aqui, com um pequeno atraso, os últimos textos que escrevi para o Spoiler.

Portugal e os títulos dos seriados

Inspirada pela notícia de que ‘Breaking Bad’ será exibido pela Record, perguntei no facebook qual seria a belíssima tradução para o título do seriado que usariam – não só no cinema acontece esse ‘pequeno probleminha’ de títulos que não têm absolutamente nada a ver com o nome original.

E eis que um comentário me inspirou a fazer esse post. Lá eu descobri que, em Portugal, ‘Breaking Bad’ é conhecido como ‘Ruptura Total’. E fiquei curiosa para saber que outras traduções esquisitas são feitas pelos nossos companheiros de língua materna.
Existem os títulos óbvios como ‘Bones’ = ‘Ossos’ e ‘Lost’ = ‘Perdidos’, mas também existem outros que merecem ser mencionados, não apenas pela graça da diferença nas palavras e expressões entre o português de Portugal e o do Brasil, mas pela total incompreensão de onde saiu aquela tradução.

Leia mais aqui.

 Tapas, beijos e mulheres à beira de um ataque de nervos

Pela abertura, título e música tema fica bem óbvio que ‘Tapas & Beijos’ é um seriado sobre relacionamentos, certo? Errado. ‘Tapas & Beijos’ é um seriado sobre mulheres descontroladas. Eu sei que isso não é nenhuma novidade, afinal, ele já está no ar da Globo desde 2011 mas, assistindo ao episódio desta terça (5/11), me peguei pensando nessas mulheres loucas e tão comuns.
Porque é isso mesmo: Fátima (Fernanda Torres) e Sueli (Andréa Beltrão) são descompensadas e quem disser que nunca se identificou com nenhuma das duas, em nenhum momento, estará mentindo.

As histórias são repetitivas. Você pode passar semanas sem acompanhar nenhum capítulo e, fora um personagem ou outro que apareça ou uma situação diferente que tenha continuidade, são os momentos cômicos dos núcleos peculiares e a sequência de encontros, desencontros, erros e acertos que fazem com que os capítulos sejam leves e divertidos, ótimos para passar o tempo após o dramalhão recheado de clichês e péssimas interpretações de ‘Amor à Vida’, atual novela das 21h da Globo (sorte a sua se não sabe do que se trata).

Continua…

O politicamente incorreto de Miguel Falabella

‘Pé na Cova’ é um show de horrores. O seriado tem o texto, o jeito e a cara de Miguel Falabella que, pelo visto, aproveita o espaço para fazer o que quiser. A impressão que tive ao assistir o episódio da última terça-feira chamado de ‘À Deriva’ foi que ele reuniu uns amigos, umas figuras que ele admirava ou achava interessantes por algum motivo específico, juntou tudo numa panela, mexeu e fez a série.

Só para situar quem nunca assistiu ou ouviu falar do seriado, ‘Pé na Cova’ mostra as confusões de uma família dona de uma funerária no subúrbio carioca, a F.U.I. (Funerária Unidos do Irajá). Nada, mas nada a ver com a grande série ‘A Sete Palmos’, que fique bem claro. Ela está na segunda temporada mas já teve seu contrato renovado para uma terceira em 2014.

Mais no Spoiler.

Publicado em Pensamentos

A verborragia da terceira hora

Foram quase 3 horas para chegar em casa. Isso mesmo. Quase 3 horas do meu dia presa em um engarrafamento. Talvez por causa da chuva que não parava de cair. Talvez por alguma manifestação. Talvez por um carro quebrado no meio do caminho. Talvez apenas pelo excesso.

E durante as duas primeiras horas até pensei em vários parágrafos poeticamente descritivos para colcocar aqui. Sobre os guarda-chuvas, as cores, as pessoas que andavam apressadas e algumas que calmamente se molhavam com a única certeza de que nada mais poderia ser feito.

Pensei bastante nisso nas duas primeiras horas. Acho que se eu conseguisse escrever em algum lugar – em qualquer lugar – os textos que monto na minha cabeça, eu seria uma grande escritora. Mas eles se perdem pelo caminho. E isso aconteceu após a meia-hora seguinte das duas primeiras horas no engarrafamento.

Quando cheguei em casa, ansiosa por minha cama e por não pensar em nada, consegui pegar uma pedaço da nova novela. Com um misterioso vento nas folhagens de uma floresta perseguindo um misterioso homem que logo depois apareceu morto. Referência clara e explícita a LOST. Que essa inspiração não seja um tipo de ‘crônica de uma morte anunciada’. Sim, LOST me traumatizou. Aquela porcaria que tinha tudo para ser fantástica e teve um dos piores desfechos já vistos na televisão mundial.

E ao chegar em casa e ver o pedaço da tal nova novela, eis que reconheço uma outra São Paulo: a do ‘amor verdadeiro que não tem vista para o mar’. A música de uma das minhas bandas preferidas da cidade estava lá, com vista para o minhocão. Pena que a Pullovers tenha chegado ao fim.

Pois enquanto estava no engarrafamento, após as duas primeiras horas, percebi quão fora de lugar ficam as músicas da Bahia na paisagem paulistana. Não tive paciência de escutar ‘É D’oxum’, nem ‘Vida Boa’, muito menos ‘Chame Gente’. Simplesmente não combina. Acho até que minha baianidade sofre com algo tão fora de propósito. Ouvi Kiss. Los Hermanos. The Cure. Cake. Billie Holyday. Jorge Ben. Lauren Hill. Mas nem quis saber da Timbalada.

Eu só conseguia pensar: quase três horas para chegar em casa. Nada além do horizonte. Nem mobilidade. Nem qualidade de vida.

Preciso anotar tudo o que penso quando estou sem poder anotar.

Publicado em Crise dos 30, Pensamentos

Comer, rezar e pensar

Em um fim de semana em que ouvi muito sobre mim assisti a ‘Comer, Rezar e Amar’ pela segunda vez. Nunca li o livro e acho o filme bom para passar o tempo na frente da TV. Mas especialmente nesse fim de semana ele me fez chorar e pensar. Sim, porque eu penso demais. Mas isso não quer dizer que o excesso seja sinônimo de superficialidade.

Assim como Liz pensei em quem eu sou, no meu lugar no mundo e no meu lugar perante às pessoas com quem convivo, enfim, essas baboseiras todas que enchem as páginas dos livros de auto-ajuda pelos quais sempre tive tanto preconceito. Talvez não devesse ter. Talvez eu até fosse uma pessoa melhor se os devorasse. Talvez aprendesse alguma coisa.

Talvez eu seja como Liz. Um pouco perdida. Talvez eu precise ir para a Itália, Índia e Bali para me encontrar. Talvez eu precise dançar a minha ‘Harvest Moon’ para me libertar. Talvez baste apenas ficar por aqui e aceitar que eu sou assim.

Aceitar que não gosto de discussões, de competições e de irritações. Não gosto de jogos. E talvez esse seja os dos meus piores defeitos.

Nesse momento só consigo me lembrar da ‘Oração da Serenidade’ que minha mãe sempre fez questão de deixar pregada na parede de casa – o que não deixa também de ser simbólico, nesse momento de questionamentos sobre mim, pensar nessa referência da minha mãe. Apesar do ‘direcionamento’ ao ‘Senhor’ (não acredito na sua existência e não acho que seria mais bem resolvida se acreditasse), acho que esse é um belo mantra que deve ser repetido e seguido na vida.

“Concedei-me Senhor, a serenidade necessária para aceitar as coisas que não posso modificar; coragem para modificar aquelas que posso e sabedoria para distinguir umas das outras.”