Em muitos momentos da vida (e são vários) eu não consigo diferenciar o gosto de frango e peixe. E nem de peixe eu gosto muito. Só quando ele está empapuçado de dendê. Ou absurdamente bem temperado. Ouvi falar recentemente de um peixe com queijo coalho e banana. Desse eu provavelmente gostaria.

Mas sim, eu tenho essa incapacidade degustativa. Às vezes não sei diferenciar sabores.

– Esse bolo é de quê?

– Hmm, não sei.. talvez de fubá, talvez de ovo, talvez de milho ou talvez de côco…

– E essa torta?

– Palmito? Cogumelo? Acho que pode ser de um dos dois. Ou dos dois juntos..

– Você provou o suco? De que é?

– Acho que é de mangaba… mas também pode ser de abacaxi… pera, parece que é de mamão…

Fico confusa e aflita por não conseguir. Mas só fico assim quando me perguntam. Quando estou comendo, se não for desagradável ao meu limitado paladar, não me importo tanto. São a pressão social e os olhares de estranhamento/desprezo que me fazem questionar o porquê disso – sempre sem sucesso. É um problema da língua? Da garganta? Do cérebro?

Será que sou tão distraída que não consigo absorver sabores e deixá-los armazenados na parte da minha memória que serve para isso? Ou sou apenas seletiva: se não importa tanto, se não vai me fazer sentir aquele prazer imenso da entrega plena ao pecado da gula, então nem preciso saber do que se trata.

Eu sei diferenciar nutella de chocolate ao leite. Melão de melancia. Pão de sal de pão de leite. Queijo prato e provolone. Mas tive dúvidas entre carne do sol e carne seca.

Significa que mesmo o que é prazeroso (afinal, eu gosto de frango e carne do sol) também pode me trazer confusões, incertezas e imprecisões.

Duvidei disso em algum momento?

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