Foto de Marcelo Camargo/Abr
Foto de Marcelo Camargo/Abr

Dia 1 Contexto: primeira manifestação em São Paulo após uma série de outras manifestações que culminaram em atos de truculência e violência por parte da polícia, tudo amplamente coberto pela TV, com sensacionalismo e sem sensacionalismo. Vale dizer que a minha mãe é chegada na parte sensacionalista e dramática da coisa.

Mãe: Palominha, você tá onde?

Eu, já sabendo que a pergunta tinha um motivo: na manifestação mãe..

Mãe: mas minha filha, eu tô vendo aqui que tá perigoso, Marcelo Rezende disse que soltaram bomba numa torre aí… não, pera aí, numa ponte…  não sei, em algum lugar… é perigoso…

Eu: não mãe, tá tranquilo, pacífico, todo mundo caminhando. Não vou embora, é importante estar aqui manifestando e tal..

Mãe: mas Palominha, e se acontece alguma confus… (interrompi já prevendo que não chegaríamos a lugar algum, afinal, ela é a mãe preocupada com a filha que mora em outro estado e eu, a filha que estava achando incrível deixar um pouco de lado o ativismo de sofá e estar na rua com mais de 100 mil outras pessoas demonstrando insatisfação pelo aumento do preço da passagem, pela violência policial, pela prefeitura, governo, dinheiro da copa, falta de dinheiro para saúde, educação, impostos e tudo mais)

Eu: mãe, mãe, o sinal tá ruim, tem muito barulho, o pessoal cantando, batucando, vou desligar, beijo.

Obs: Para não dizer que sou desnaturada avisei quando estava “segura” pós-protesto.

Dia 2 – Contexto: mais um dia de manifestações na cidade

Mãe: Palominha, você tá onde?

Eu: em casa mãe..

Mãe: ah, que bom, tá tendo confusão de novo, tá vendo?

Eu: tô, mas é um pequeno grup… (e fui interrompida)

Mãe: você não sabe o que eu fiz hoje!

Eu: o que mãe?

Mãe: outra tatuagem!

E assim eu sigo achando que o mundo vai acabar..

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