“Tonight’s the night”

dexter

Com Dexter as pessoas assumiram amar e torcer por um serial killer. Essa talvez seja uma das principais características do seriado, baseado no livro de Jeff Lindsay (chamado de Darkly Dreaming Dexter), que chega a sua temporada final no próximo dia 30 (por enquanto, só nos Estados Unidos).

Claro que sempre existiram anti-heróis apaixonantes na TV, como Al Bundy de Married With Children, House, Homer Simpson, Eric de True Blood e Kevin Underwood de House of Cards, só para citar alguns dos meus preferidos – e com diferentes níveis de posturas “politicamente incorretas”. Mas psicopata mesmo, que sente necessidade de matar e prazer com a carnificina (sem ser um vampiro, que fique bem claro) só Dexter, que é interpretado lindamente por Michael C. Hall.

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O que há de fantástico na vida irreal

23-06-201311-47-01cazuza

Viver é difícil. É realidade demais, dureza demais, exigências demais, tudo de mais. Por isso sempre fui fascinada pelo que é fantástico e suas descrições na literatura e suas aparições no cinema e na TV. Por isso o remake de Saramandaia me deixou animada.

A novela original foi exibida em 76, alguns anos antes do meu nascimento. Dela sabia o pouco que ouvi falar no Vídeo Show vez ou outra, mas nada muito detalhado.

Tanto é que tive até certas pretensões literárias frustradas ao descobrir que uma ideia que andava desenvolvendo há alguns anos – sim, anos – é característica de um de seus personagens. E eu só soube disso ao começar a ler as matérias sobre o tal remake. Juro.

Pois bem, Saramandaia estreou bem, melhor do que eu imaginava. Cheia de cores, músicas e esquisitices, do jeito que um produto ficcional pode se permitir ser para agradar em cheio a quem quer um pouco de fantasia em sua vida, nem que seja por uma hora.

Acho que essa é uma das refilmagens de novelas mais bem justificada até o momento: com o avanço da tecnologia, será possível explorar muito mais as características surreais dos personagens idealizados por Dias Gomes.

Mas eu durmo cedo e não me conformo que a Globo coloque alguns dos seus melhores programas tarde da noite – sim, 23 horas para mim é tarde da noite. Espero conseguir passar alguns momentos da minha semana por Bole-Bole. Ops, Saramandaia.

Para mais informações, eis o site oficial da novela.

Baby e eu

Outro dia, numa noite qualquer, estava passeando pelos canais de TV tentando me distrair enquanto o sono não chegava. Eis que na MTV vi o anúncio do show de Baby Consuelo (ou seria “do Brasil”? Eu gosto de Consuelo). Fiquei curiosa porque, há um tempão, li vários comentários elogiosos sobre uma apresentação que ela fez em Salvador.

Então decidi acalmar meus dedos nervosos no controle remoto para ver e ouvir do que se tratava, com a esperança de que ela não demorasse muito para cantar A menina dança, música que me agrada bastante do clássico Acabou Chorare – disco dos Novos Baianos.

E para a minha grande surpresa me vi completamente hipnotizada por uma sequência de canções que me fez voltar, de uma maneira incrível, para minha infância. Eu não tinha ideia de como as músicas de Baby foram tão presentes na minha vida. E foram mesmo. Na verdade, foram de uma forma involuntária.

Desde pequena, quando meu pai me colocava para dormir, ele ligava o rádio baixinho e deixava lá, a noite inteira, para que eu dormisse escutando música. Sempre na Educadora (onde, muitos anos depois, trabalhei como estagiária e achava estranhíssimo conhecer pessoalmente aquelas pessoas – os locutores – com vozes tão familiares). Pois as músicas da ex-de Pepeu e mãe de pessoas com nomes esquisitos, pelo visto, tocavam muito naquela rádio.

Mas o mais interessante é que a nostalgia não veio apenas pelo meu antigo quarto, cama, travesseiro e aparelho de som que embalavam meu sono; eu tive sensações de finais de tarde à beira mar, com a pele queimada de tanto tomar sol durante o dia e o cheiro de maresia impregnado, tanto em mim quanto no ambiente. Ah, como eu sinto falta do cheiro de mar.

E, em uma noite dessas, escutando Seus Olhos, Telurica, Menino do Rio, Sem Pecado e Sem Juízo, me transportei para uma Salvador que me enche de saudades.

Obs: Consuelo, além de ter virado “do Brasil”, também se tornou evangélica; ela declarou por aí que foi Deus quem permitiu esse breve retorno para cantar seus antigos sucessos em alguns lugares do país. Imagino que o cachê tenha ido todo para o dízimo, claro.

Mãe, manifestações e tatuagens

Foto de Marcelo Camargo/Abr
Foto de Marcelo Camargo/Abr

Dia 1 Contexto: primeira manifestação em São Paulo após uma série de outras manifestações que culminaram em atos de truculência e violência por parte da polícia, tudo amplamente coberto pela TV, com sensacionalismo e sem sensacionalismo. Vale dizer que a minha mãe é chegada na parte sensacionalista e dramática da coisa.

Mãe: Palominha, você tá onde?

Eu, já sabendo que a pergunta tinha um motivo: na manifestação mãe..

Mãe: mas minha filha, eu tô vendo aqui que tá perigoso, Marcelo Rezende disse que soltaram bomba numa torre aí… não, pera aí, numa ponte…  não sei, em algum lugar… é perigoso…

Eu: não mãe, tá tranquilo, pacífico, todo mundo caminhando. Não vou embora, é importante estar aqui manifestando e tal..

Mãe: mas Palominha, e se acontece alguma confus… (interrompi já prevendo que não chegaríamos a lugar algum, afinal, ela é a mãe preocupada com a filha que mora em outro estado e eu, a filha que estava achando incrível deixar um pouco de lado o ativismo de sofá e estar na rua com mais de 100 mil outras pessoas demonstrando insatisfação pelo aumento do preço da passagem, pela violência policial, pela prefeitura, governo, dinheiro da copa, falta de dinheiro para saúde, educação, impostos e tudo mais)

Eu: mãe, mãe, o sinal tá ruim, tem muito barulho, o pessoal cantando, batucando, vou desligar, beijo.

Obs: Para não dizer que sou desnaturada avisei quando estava “segura” pós-protesto.

Dia 2 – Contexto: mais um dia de manifestações na cidade

Mãe: Palominha, você tá onde?

Eu: em casa mãe..

Mãe: ah, que bom, tá tendo confusão de novo, tá vendo?

Eu: tô, mas é um pequeno grup… (e fui interrompida)

Mãe: você não sabe o que eu fiz hoje!

Eu: o que mãe?

Mãe: outra tatuagem!

E assim eu sigo achando que o mundo vai acabar..