Alexa Chung sensualizando em foto do Instagram
Alexa Chung sensualizando em foto do Instagram

It Girl é um termo que está super na moda. Na verdade, agora será mais que popularizado porque Amora (Sophie Charlotte), uma das protagonistas da nova novela da Globo (Sangue Bom) faz parte de grupo de mocinhas que “ditam tendências” por aí. Mas não é de hoje que a TV e o cinema retratam esse universo.

Segundo a Wikipedia, a pronome inglês “it”, que complementa o termo, foi usado para designar algo de destaque em uma história do escritor e poeta britânico Rudyard Kipling (1865-1936) que usou a palavra da seguinte maneira: “Não é a beleza, por assim dizer, nem uma boa conversa, necessariamente. É só ‘it'”.

Em 1927 foi lançado um filme chamado It, protagonizado pela atriz Clara Bow que contava a história de uma garota que trabalhava numa loja e jogava todo o seu charme para cima do chefe bonito e rico. Essa foi a primeira It Girl do cinema.

Edie Sedgwick, que além de “seguidora” de Andy Warhol fazia o combo atriz-modelo-socialite foi uma das famosas representantes da classe nos anos 60 e teve sua vida retrata na cinebiografia, Factory Girl, com Sienna Miller.

Confesso que nunca tinha pensado nesse termo e nessa nova “profissão” até começar a ver a figura de Alexa Chung frequentemente na TV e em sites como a “it” do momento. Ela é inglesa, foi modelo, participou do reality show Shoot Me da Fashion TV em 2005, namorou Alex Turner do Arctics Monkeys (ponto para ela!), tem um rosto bonito, pernas finas e usa roupas que, na grande maioria das vezes, parecem uma tentativa desesperada de ser diferente, misturando o clássico da Channel com o que há de antigo do brechó.

Virou exemplo de elegância e do que as adolescentes deveriam usar mesmo que, para quem mora no Brasil e nunca tenha sequer visto o tal reality ou um dos programas que ela fez em TV’s britânicas, sua única função seja aparecer em primeiras filas de desfiles. Porque o que importa é isso: não precisa falar, ser divertida, inteligente nem nada do tipo. Basta, apenas, usar roupas e acessórios legais e abusar da pose em redes sociais. Se tiver outras características, aí é lucro.

Nos Estados Unidos existe uma cultura bem pesada desse tipo de “programa de verdade” cheio de roteiros e artifícios fakes que revelam as “estilosas” do momento. The Hills, da MTV, mostrava a rotina de Lauren Conrad (saída de outro reality, Laguna Beach) na escola de moda em Los Angeles, suas amigas, namorados e trabalhos.

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Lauren virou dona de site de beleza, marca de roupas e escritora de livros – porque algumas “it’s” se aproveitam muito bem de toda a exposição para ganhar dinheiro. The Hills gerou um outro spin off (série feita a partir de personagens de outra série), The City, quando Whitney Port, uma das melhores amigas de Lauren, aceita um emprego e vai trabalhar com moda em NY. Whitney também lançou posteriormente uma marca de roupas.

Em The City conhecemos a “vilã” da história: Olivia Palermo, que se tornou umas das “super-it’s” do mundo: é muito rica, vive fazendo cara de nojo para as pessoas (no melhor estilo Victoria Beckham) e esbanja um guarda-roupas, ops, closet, invejável. Mesmo sendo herdeira, Olivia, assim com todas as outras garotas desses programas trabalham, claro, em revistas famosas ou com estilistas glamurosos – empregos difíceis de serem alcançados por simples mortais.

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Gossip Girl é um exemplo ficcional que demonstra a importância desse universo, principalmente entre as adolescentes. É uma série de muito sucesso que tem duas protagonistas riquíssimas de Upper East Side em Manhattan (onde os chiques do mundo vivem) e que tem como ponto principal – além das fofocas, intrigas, romances e traições – o figurino extravagante de todo dia.

O responsável pelas peças incríveis usadas por Blair Waldorf, Serena van der Woodsen e seus amiguinhos é Eric Daman, ex-modelo que foi assistente de Patricia Field em Sex and the City.

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Em termos de ficção, a pioneira nessa exaltação bem sucedida de estilo foi, sem dúvida alguma, a série que que transformou a atriz Sarah Jessica Parker em ícone mundial da moda. E, claro, uma das grandes responsáveis por isso foi Field, figurinista do seriado e dos dois filmes que apareceram após o final dos episódios sobre Carrie, Miranda, Charlotte e Samantha.

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Inclusive Patricia Field foi responsável pelo figurino de um grande sucesso do cinema que retratou o universo da moda e sua importância da vida e trabalho de muitas pessoas, apesar de não ficar muito clara essa questão das it’s girls: O Diabo Veste Prada. A personagem principal (Anne Hathaway) muda completamente seu estilo para se adequar ao ambiente de trabalho, mas não necessariamente se transforma em ícone fashion a ser seguido. Não na tela, talvez fora dela.

Não consigo pensar em nenhum produto audiovisual brasileiro que influencie tanto na moda como as séries e realities gringos que citei e criam ícones de moda e estilo.

Talvez o Show da Xuxa nos anos 80 com suas botas brancas e ombreiras com tachinhas, ou mesmo a moda de personagens de novelas que acaba nas ruas. Mas isso é consequência da exposição diária dos personagens e, claro, influência mercadológicas dos produtores. Quando a novela acaba, a moda também some.

Mas será que recentemente existiu algo que influenciasse no estilo de brasileiros e brasileiras de forma avassaladora? Talvez a versão nacional de Rebeldes? Mas aí já havia a influência do sucesso da novela original. O reality Mulheres Ricas? Bem, acho que não.

Acho que isso não acontece no Brasil por dois motivos: o primeiro é que a it’s tupiniquins são deslumbradas demais com o universo gringo e isso basta – já que tudo o que elas exibem vem de fora mesmo. O segundo motivo seria a limitação de tempo: seriados duram muitos anos com aquelas pessoas e aquelas roupas fazendo uma “lavagem cerebral” e desesperando quem não consegue se vestir como as personagens. Pensando assim, que bom que as novelas duram só alguns meses.

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