Publicado em Crise dos 30, Pensamentos

Tentativa n.1 para sair da crise

keep calm

Escreva!

Escreva sobre tudo e sobre nada.

Escreva para enlouquecer; enlouqueça para escrever algo que valha.

Junte letras, forme palavras, escolha sinônimos, monte parágrafos perfeitos e depois apague tudo.

Reescreva, construa, desconstrua.

Vá pra rua, fique nua e não desista.

Resista ao pessimismo, engane o derrotismo e tente uma vez mais.

E o mais importante: não se envergonhe de publicar publicamente para que o público leia seus devaneios medíocres transformados em escrita.

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Publicado em Cinema

As várias formas de amar

Beginners1

Em tempos de intolerância, preconceito, violência e grandes batalhas contra tudo isso, finalmente assisti a um filme que há muito tempo tentava ver sem grande sucesso.

Beginners, que numa tradução literal seria “Iniciantes” mas algum fã de Lulu Santos o batizou como Toda Forma de Amor, é incrível. Lançado em 2010, ele foi responsável por encher a prateleira do veterano Christopher Plummer de prêmios – incluindo um Oscar de ator coadjuvante.

Dirigido por Mike Mills, que se inspirou em sua própria história para escrever o roteiro, Beginners acompanha a vida de um desenhista interpretado pelo lindo e ruivo Ewan McGregor. Com a morte do pai (Plummer), Oliver, que claramente não é uma pessoa que consegue demonstrar seus sentimentos, relembra fragmentos da infância e da época em que, após 44 anos de casado e da morte da esposa, Hal, o pai, assume que é gay.

A partir daí acompanhamos de forma linda, sensível e sutil através do olhar do filho, muito participativo e sem qualquer tipo de preconceito ou dor, essa mudança de vida do pai que transforma completamente o seu mundo. Hal muda o guarda-roupa, os lugares que frequenta, arruma novos amigos e até mesmo um namorado. É incrível e, como citei acima, perfeito para ser mostrado ao universo como exemplo de que, essa forma de amor – será que a pessoa do título pensou nisso? – deve ser aceita de maneira natural, afinal, é pura e simplesmente AMOR.

Como não existe uma linearidade temporal no filme, descobrimos ao mesmo tempo diferentes aspectos e momentos importantes da vida de Oliver. Sua infância com um pai ausente e uma mãe meio louca; a “saída do armário” e descoberta da doença de Hal; o início de uma paixão com a atriz francesa Anna (interpretada pela linda Mélanie Laurent, a Shosanna de Bastardos Inglórios) e, por fim, o carinho e dependência entre Oliver e Arthur, o cachorro de Hal que passou a morar com ele após a morte do dono.

Essa relação entre Oliver e Arthur é deliciosa. Em um momento solitário e de grande sofrimento onde os dois precisam fazer companhia um ao outro, eles estabelecem diálogos que podem ser pensamentos de Arthur traduzidos na tela ou simplesmente a imaginação de Oliver dando palavras para o seu novo companheiro.

Uma das coisas de que mais gostei do filme, além da trilha sonora, é o recurso de imagens antigas e narração rápida por parte do personagem principal para situar a temporalidade e o mundo de onde cada um dos outros personagens veio, mas de forma bem generalista e básica. Além das ilustrações bacanudas feitas por ele em seu local de trabalho. Até porque, Oliver é extramente interessante. Só alguém muito interessante iria para uma festa à fantasia vestido de Freud.

Assisti a Beginners no Telecine Touch e recomendo que você, se ainda não viu, dê um jeito de levar essas histórias de amor para a sua vida.

Publicado em TV

Síndrome de Malhação

meninas

Acabei de ver uma matéria no site da Caras falando sobre um filme baseado em Confissões de Adolescente. Sempre digo que Anos Incríveis é a série da minha vida mas a história que foi dirigida por Daniel Filho nos anos 90 tem um lugar ainda mais especial no meu coração: era muito próxima da minha realidade, apesar de eu não morar no Rio nem viver com 3 irmãs e um pai solteiro.

Mas as questões problemáticas, as dúvidas, inseguranças, as viagens, festinhas, as músicas e até mesmo algumas peças de roupa (eu tinha uma camiseta igual a de uma das personagens) tinham tudo a ver com minha vida de pré-adolescente.

Eu me vestia como Carol (interpretada por uma jovem e nada famosa Deborah Secco); parecia um menino desengonçado mas achava que era um estilo super legal e confortável, apesar de espantar os garotos.

E adorava Diana (Maria Mariana, autora do livro que inspirou a série), Bárbara (Georgiana Góes) e Natália (Daniele Valente). Gostava muito mesmo de todas, cada uma vivendo uma etapa diferente, sendo de um jeito diferente, passando por vários perrengues e crises. Nossa, como eu adorava tudo aquilo. Na escola eu até montei com minhas colegas uma peça de teatro baseada nos textos do livro.

E só de olhar para a escolha do elenco principal do filme eu já acho que vai ser uma porcaria. Todas têm cara de atrizes de Malhação – se duvidar, foi de lá que saíram.

Seria tão mais legal usar as atrizes originais e mostrar que tipo de “adultas” elas se tornaram… espero que eu esteja muito errada, mas dificilmente terei vontade de ir até o cinema para ver o que foi feito com Confissões de Adolescente. Prefiro juntar dinheiro e comprar o box com a série original.

Publicado em Pensamentos

Nos Correios

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correiobraziliense

O movimento está muito interessante. Daniela Mercury fez que nem Ricky Martin e será mais amada do que nunca pelo público que realmente a interessa  e passou a ser respeitada por muitos que sequer pensavam em sua existência. E o movimento anti-Feliciano faz com que os jornais se distraiam criando capas diferenciadas – quer dizer, diferentes do dia-a-dia mas nem tanto umas das outras.

obs: e deixo registrada aqui toda a minha tristeza pelo Meia Hora, que não soube aproveitar o momento.

Publicado em Pensamentos

Onde o mundo vai parar?

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Ontem estava eu, por aqui, me queixando da profissão que escolhi e blablablá. Aí, navegando pelas ondas internéticas, me bati (e depois me debati contra a parede por tantos absurdos lidos), com um texto assustador, publicado por um colunista de um grande jornal, falando as maiores asneiras sobre o futuro do país.

Me irritei, me manifestei nas redes sociais e não parei de pensar em como esses absurdos aparecem cada vez mais e, para meu pânico, ditos com mais autoridade por aí.

Vejam o caso do pastor, cantor e presidente da Comissão de Direitos humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano. Por questões óbvias – que têm a ver com declarações racistas e homofóbicas documentadas em vídeo para que todo mundo possa ver, rever e absorver – ele não poderia ocupar tal cargo. Ele seria a pessoa menos indicada para “defender” as minorias. Mas está lá e dificilmente vai sair. Por conchavos políticos, por medições de força, por ego, pelo escambau, ele ainda está lá.

Mas aí muitos pensam: isso tem a ver com política e a política é suja assim mesmo, não dá para mudar. Mas essa “sujeira” da política representa muita gente que vota em pastores por causa da religião. Em gente que acha absurdo que as empregadas domésticas passem a ter direitos trabalhistas em patéticos discursos de senhores de engenho que, claramente, se fosse possível, voltariam à época da escravidão. E não, esse discurso não é de poucos.

São muitos os que acham absurdo que uma mulher tenha o direito de escolher se tem condições ou não de colocar um filho no mundo e que duas pessoas do mesmo sexo possam se beijar na rua – e nem entro na questão do casamento porque só um beijo já é ofensivo o bastante.

Esse é o Brasil. Infelizmente. Assim é grande parte do mundo.

Mas hoje Daniela Mercury assumiu publicamente que está apaixonada e casada com uma mulher. Acho lindo. Na verdade acho fantástico que figuras públicas façam coisas desse tipo. Afinal, se tanta gente pode ser “guiada” a pensar absurdos contra direitos humanos básicos, quem sabe se a adoração por astros não possa ajudar a espalhar por aí os bons pensamentos?