Um tempo em casa

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Resolvi tirar um sabático. Infelizmente não é do tipo afastamento remunerado para refletir sobre vida e carreira. Não é apenas pela falta da remuneração. Vim refletir sobre a vida e a carreira em Salvador. Vim tentar colocar a cabeça em ordem e me dedicar por inteira a um projeto que tenho há anos e que há anos jogo para o canto.

Vim tentar estimular minha paciência e tolerância voltando a conviver no ambiente familiar do qual estou afastada há 5 anos e onde, de lá para cá, nunca passei mais de quatro dias. Agora serão dois meses e meio dividindo hábitos, relembrando irritações e buscando o lado zen que diariamente ouço que preciso encontrar.

Vim me sentir acolhida entre os iguais, recarregar meu sotaque, o dendê na veia e o cheiro de mar no ar. Vim usar o “lá ele”* por aí – como fiz recentemente com um vendedor de cerveja da praia – para ficar em êxtase por ter empregado perfeitamente a expressão e, melhor, ter sido compreendida.

Vim desviar dos buracos nas ruas e nas calçadas e xingar as administrações públicas que deixaram uma cidade incrivelmente linda ficar tão suja, acabada, descuidada.

Vim ficar mais baiana. Até depois do Carnaval.

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* Lá ele: expressão tipicamente baiana que só dá para explicar pessoalmente, com muitos exemplos e gestos. :)

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E a trilha sonora não poderia ser mais perfeita..

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Quem não quer ser vampiro?

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Não existe nada mais legal no mundo do que virar vampira. Sério, você não precisa ter a menor expressão facial, o menor sex appeal, não precisa, sequer, ser interessante. Basta dar umas mordidinhas no lábio inferior que um incrível mundo novo se abrirá para você.

Porque, convenhamos, desde Crepúsculo, Bella Swan (Kristen Stewart) achava sensacional ter a pele pálida e fria, não dormir nunca e se alimentar de bichinhos na floresta – fora a parte de perder a alma e do esforço físico e sofrimento para não morder pescoços humanos por aí.

Fato que é Stephenie Meyer (a escritora dos livros) glamurizou a vampirada de tal forma que toda a cara de sofrimento de Edward (Robert Pattinson) nos quatro primeiros filmes da saga foi por água abaixo quando ele agradeceu ao seu criador Carlisle (Peter Facinelli), no episódio final, pela transformação em imortal. Porque, no fim de tudo, todo sapato velho quer apenas um pé cansado para se aconchegar.

E os vampiros da saga são ricos, têm ilhas particulares no litoral do Rio de Janeiro, closets invejáveis, não envelhecem nunca, têm super poderes e ainda fazem sexo loucamente sem nenhuma preocupação. Quem não queria essa vida? Acho, inclusive, que se o pessoal de True Blood* soubesse dessas regalias, como a parte de não virar churrasquinho e apenas “brilhar como diamantes” na luz do Sol, eles largariam imediatamente a vida caótica em Bon Temps e correriam para Forks**. Até eu, sairia de São Paulo e ofereceria meu pescoço para um Cullen, se o clã já não estivesse completo em pares.

Pois Amanhecer – Parte 2 encerra dignamente a história baseada nos livros que viraram febre mundial (não, nunca li nenhum e nem tenho vontade). Na verdade, esse é o melhor de todos os filmes, posto que não é muito difícil de ser alcançado. Mas fora o bebê feito digitalmente, gostei dos efeitos, inclusive os de luta, e da construção do roteiro que, dessa vez, não deixou tantas pontas soltas como nos passados. Gostei.

Porque, assumo aqui, vi todos, muitos deles no cinema. Acho Kristen Stewart a PIOR atriz do mundo mas descobri recentemente porque os diretores devem gostar de tê-la no elenco (ops, desculpem pelo momento veneno***). Robert Pattinson é lindo. E o resto funciona bem, fora o excesso de pó para simular a grande palidez dos mortos vivos e os cabelos estranhamente descoloridos em atores que são originalmente morenos. Gosto dos personagens da família Cullen, de Charlie e até dos índios-lobos-naturalmente-sem-camisa.

São filmes ótimos para quem apenas quer se distrair e dar risadas no cinema. Não dá para esperar mais do que isso. E, sinceramente, nem sempre o cinema precisa ser feito para despertar sentimentos e pensamentos profundos, não é mesmo?

Mas se você quiser assistir, após a experiência água com açúcar citada acima, coisas muito bacanas e bem feitas com a temática de caninos proeminentes, indico profundamente Deixa Ela Entra (o original sueco, por favor), Dácula de Bram Stoker (porque Coppola e Gary Oldman são incríveis) e Entrevista com Vampiro (ah, Tom Cruise loiro é massa de assistir).

E para homenagear os meus queridos sugadores de sangue, eis uma lindíssima canção que foi feita e, nesse vídeo que encontrei na internet, interpretada por Jorge Mautner, chamada Vampiro. É linda. Inclusive Caetano Veloso gravou uma versão sensacional dela no disco Cinema Transcendental – outra dica para você!

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* True Blood: seriado da HBO criado em 2008 por Alan Ball que conta a história de Sookie Stackhouse (Anna Paquin) e sua relação com vampiros e vários seres estranhos que aparecem em Bon Temps, na Louisiana. É uma espécie de Buffy, a Caça Vampiros para adultos. ADORO!

** Forks: cidade localizada em Washington onde os personagens principais dos livros e filmes de Crepúsclo moram. 

*** A fofoca: uma revista de celebridades estampou em uma de suas capas em 2012 fotos comprometedoras da atriz Kristen Stewart  com  Rupert Sanders, que a dirigiu em Branca de Neve e o Caçador. Ele era casado e ela namorava com Pattinson. Parece que todos foram perdoados por seus respectivos pelo “deslize” e continuam felizes para sempre. Até a próxima semana, quem sabe.

Receitas para flutuar

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Pedi demissão e cortei fora quilos de cabelo. Será esse o caminho para retirar o peso dos ombros e da cabeça? Não sei. O que posso dizer é que toda tentativa em busca da felicidade é válida.

Sim, estou numa “vibe” biscoito da sorte, mas tenho pensando nisso há muitos meses. Vale mais estar em um emprego que te paga um salário todo mês e junto com ele – descontado do tal salário – vem plano de saúde, plano odontológico, vale transporte, um dinheiro para poupança, o estímulo de saber que é possível fazer compras parceladas e a ocupação diária que traz a sensação de utilidade na vida ou sentir prazer durante 8 ou mais horas por dia?

O peso das responsabilidades, do aluguel, TV a cabo, conta do celular, academia, terapia, aula de inglês, cinema, shows, viagens é muito grande quando tudo isso não “brota” de risos, orgulho próprio e vontade de pular da cama todo dia, se arrumar e fazer aquilo que você sabe que tem que ser feito.

Eu sei que o trabalho perfeito não existe. Sei que nem sempre tudo são flores, brigadeiros e água salgada. Mas eu também sei que dentro da rotina massacrante de cumprir horários, ordens e obrigações, o mínimo de realização pessoal, que vem junto com a profissional, deve existir. É saber que o dia pode ter sido terrível mas que vale a pena.

Por isso queridos leitores e queridas leitoras é que aconselho um tiquinho de irresponsabilidade saudável na vida, se essa vida não se parece com a que você gostaria de ter. É pensar bem – apesar de parecer o contrário de “ser irresponsável” – para decidir o que te faz feliz. E mudar radicalmente se for preciso. Ou ficar radiante, nem que seja por alguns minutos, por perceber que você escolheu um caminho certo, que te faz bem, que te realiza em aspectos que você considera importantes para a sua vida.

Daqui a alguns meses posso até virar uma burocrata cinza e sem vida, batendo cartão e contabilizando os ganhos da conta bancária; evito, mas não prevejo o futuro para dizer nunca. O que tenho para hoje é a sensação de desespero pelo dinheiro que não entrará na conta corrente no próximo mês versus a infinidade de possibilidades que a vida tem para me oferecer. E espero que ela seja generosa. E bem-humorada.