A culpa é da mãe

 

O futebol e eu nunca tivemos uma relação próxima até que arranjei um namorado torcedor. E não um torcedor qualquer, de ocasião, mas daquele tipo que vibra, berra, devora todas as unhas dos dedos, sofre e tem sérias variações de humor dependendo do resultado da partida.

Pois, a partir daí, passei a acompanhar os resultados de seu time – mesmo quando não estamos juntos – só para tentar prever como estarão os ânimos no próximo encontro.  E é claro que, quando as coisas vão mal e não recebo tantos carinhos e beijinhos quanto gostaria, jogo grande parte da culpa no juiz.

Assisti, por acaso, ao primeiro episódio de (fdp), nova série brasileira exibida na HBO. Nessa primeira temporada serão 13 episódios de 30 minutos – o que facilita muito a vida de quem quiser acompanhar.

Eu já tinha ouvido falar do projeto e achei sensacional a ideia de focar na vida de um juiz de futebol, o mais xingado – daí a inspiração para o título genial – e odiado por milhões de torcedores, de um jeito ou de outro (lembre do meu caso citado acima que, nem torcedora sou e já pensei em fazer vodu com alguns que atrapalharam resultados favoráveis para o time e minhas noites românticas).

Dessa vez, não são os super jogadores com seus salários milionários que recebem toda a atenção, é Juarez Gomes da Silva (interpretado por Eucir de Souza), que sonha em apitar uma final de copa do mundo. E é exatamente assim que o episódio começa: na representação desse sonho, com estádio cheio, narração em inglês, uma série de elogios ao seu desempenho – algo raríssimo de acontecer – e, no final da partida, jogadores de todos os times e um estádio lotado aplaudindo e ovacionando o trabalho da arbitragem.

Pois descobrimos que Juarez é profissional e íntegro, apesar da todas as pressões sofridas. Nesse início, ele perde a guarda compartilhada do filho adolescente por ter dado um pênalti nos minutos finais do campeonato paulista para o time adversário de outro juiz, o que cuidava da questão familiar.

E essa questão familiar também já se apresenta como muito importante na vida do personagem. Ele acabou de ser expulso de casa pela esposa (Cynthia Falabella) que, ao descobrir que pegou uma doença venérea, decide se separar de uma forma nada amigável – e ninguém pode questionar suas razões.

Para completar as relações pessoais de Juarez conhecemos sua mãe, a sempre citada pelos torcedores mais raivosos e magoados, e o melhor amigo e ogro, o bandeirinha Carvalhosa (que parece ser apenas uma extensão de Paulo Tiefenthaler, apresentador do programa Larica Total, do Canal Brasil).

É engraçado. É divertido. Alguns diálogos são bons, outros parecem forçados para levar um pouco da simplicidade cotidiana a algumas cenas mas nada que assuste, incomode ou dê vontade de parar de ver.  Nesse piloto, apesar de algumas obviedades e clichês – o que aconteceria caso o time do “outro” juiz perdesse, o amigo tosco sempre disposto a “ajudar” na separação, a mãe fazendo piada das piadas de mãe de juiz de futebol – o tema mostrou que pode ser desenvolvido e explorado de várias maneiras legais, afinal, que outras profissões você conhece onde uma mesma pessoa, inevitavelmente, será amada e odiada por milhares ao final de 90 minutos de trabalho?

 

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